A Adaptação na Escolinha
Laura fez um ano no último dia de dezembro. Desde que ela nasceu vínhamos conversando para decidir quando seria uma boa hora de colocá-la na escola. Como ela não tem irmãos e o grude com os primos ocorre mesmo nos finais de semana, a vontade de colocá-la em breve crescia. Na escolinha, ela conviveria com outras crianças (o que seria mais um estímulo natural de desenvolvimento), aprenderia a dividir, a se defender, teria atividades com pessoas formadas em pedagogia… Isso me animava mais do que ver minha filha em um mundo de brinquedos sozinha, comigo ou com outra pessoa adulta em casa. Ao meu ver, o desenvolvimento acelera naturalmente quando colocada em um ambiente criado para isso, com outras crianças, com atividades criadas por profissionais. E ainda tem o fato de que Laura comia poucos tipos de fruta e, baseado no que via com os meus sobrinhos, ao ver outras crianças comendo outras coisas, ela se interessaria em acompanhá-las.
Então resolvemos que ela começaria com um ano, por meio período, assim que começasse o ano letivo. O que parecia que demoraria muito, chegou em um pulo. Através do twitter e de bate papos com amigas com filhos maiores, fui ouvindo coisas que me preparavam para esse dia. Da maioria delas, ouvia: “Você vai se espantar quando ela simplesmente ir pra salinha da escola e nem olhar para trás.” E isso eu já imaginava, baseado na personalidade “dada” da minha pequena hahahah
Fiz adaptação com ela por três dias. No primeiro, ela ficou apenas por 2 horas na escola e eu acompanhei tudo. No segundo, foram 3 horas e fiquei também. No terceiro dia, fiquei por uma hora e saí para dar uma volta por uma hora também (e trabalhar em mim esse novo sentimento de deixá-la sob cuidados de outras pessoas). Confesso que foi estranho demais. “Será que ela vai pensar que eu a abandonei?”, “Vou parecer uma louca se voltar correndo?” “Aumenta esse volume do celular, caso a escola ligue!!” e outras questões/frases do tipo rodavam a minha mente. Voltei e lá estava ela, rindo, feliz, brincando com seus novos amiguinhos, enrolada em uma almofada na forma de um braço gigante…
Mas conversando com uma pedagoga, soube de outras coisas que poderiam acontecer (e aconteceram). No começo, tudo é novidade e ela iria se jogar animada na escola. Mas passando uma ou duas semanas, poderia haver alguma relutância, um pouco de choro. A “ficha cairia” de que aquela seria sua nova realidade. E assim foi. Ao final da 2a semana, Laura chorou um pouco na escola, chamando “mamãe” (SOCORRO, MEU CORAÇÃO!!) e no dia seguinte também. E depois não mais. Logo depois de um longo feriado também foi dura a despedida: grudou as mãoszinhas na minha camiseta e chorou. Logo se distraiu com a decoração do teto da escola e eu ~zap~ corri. No dia seguinte foi a vez do pai deixar e ela fez o mesmo. DETALHE: quando eu contei que ela havia se agarrado em mim e chorado, ele: “Eu não sofro com essas coisas, é apenas uma adaptação”. AHAM, SEI. No dia seguinte, logo que aconteceu COM ELE o momento rasga coração, recebi a seguinte ligação: “Amor, passa lá durante a tarde, sem que ela te veja, e observe se ela está bem, feliz…” hahahah Não se pode prever as coisas do coração, da paternidade… Fui e, escondida ridiculamente atrás de uma parede, vi minha filha rir, rolar no chão, gargalhar… A diretora me explicou que logo após um primeiro longo período agarrada aos pais (o feriado em questão), é super comum que a despedida seja mais dolorosa, mas logo passa. E passou. Em nenhum momento os profissionais da escola acharam ruim ou se doeram com o fato de eu ir olhar a pequena, pelo contrário. Tive total apoio deles e ainda ouvi que, a qualquer sinal de insegurança ou dúvida, era para aparecer mesmo, questionar… Isso deixa a gente ainda mais feliz e tranquila com e=a escolha da escola.
Hoje, Laura chega todos os dias de braços abertos para a professora dela. Vai para o seu colo com o maior sorriso no rosto. No caderninho que corro para ler todos os dias, Laura toma muito mais suco do que jamais tomou comigo – e sozinha! Passou a tomar em casa a mesma quantidade, assim como comeu mais frutas, cenoura e pepinos crus. Está balbuciando mais palavras, está quase andando… Coisas que emocionam qualquer mãe e pai.
Pelo meu lado, conforme aprendi com uma professora com quem conversei no twitter, não chorei NA FRENTE DELA ao deixá-la no primeiro dia (sem que eu ficasse na escola). Não demonstrei essa emoção para que ela não visse naquilo algo ruim. Afinal, meu choro era um pouco de “desmame” de alguém que passou mais de um ano grudada na filha, mas também era muito de orgulho (“como minha filha cresceu rápido! Já é uma mocinha…” hahahah). Fui aprendendo aos poucos a SABER O QUE FAZER sem ela comigo. Fui aprendendo a não sentir a famosa culpa materna do “filha, eu não estou te abandonando…” (tá bom, a culpa vai e volta mas, estou melhor quanto à ela hahahhah) e fui me adaptando à essa nova fase da minha filha. Se engana quem pensa que a adaptação é deles apenas… Tenho a sensação que 80% dessa adaptação é nossa, pelo apego, pelo zelo, por esse amor incondicional e avassalador que temos por eles.
Laura já inclusive mudou de turma, para uma mais avançada. E a mãe aqui ficou toda boba… Apenas um sinal do que está por vir: nós, pais, todos corujas achando incrível cada centímetro de desenvolvimento deles. E assim será por muitos e muitos anos. Amém.


