A chegada dela… – Parte 1

Mala pronta! <3 (Foto: Arquivo Pessoal)

Dia 30, esperando meu marido me buscar pra jantar, li uma crônica de Ivan Ângelo na VEJA SP. O texto falava sobre pessoas que nascem em dezembro e das programações que fazemos e que não saem como imaginávamos. Adorei o texto e não sabia que em algumas horas me identificaria tanto com ele…

Estava decidida a esperar pelo parto normal, assim como eu nasci. Nada contra a cesariana, apenas preferia o normal mesmo. Meu marido e minha mãe tinham certeza de que Laura viria em 2012 e, pra mim, era claro que ela viria ainda em 2011. Pra mim, só “não poderia vir” dia 30 de noite ou na manhã de 31 porque meus pais não estariam em SP. Meu marido, ex-atleta, torcia para que viesse em 2012 pois, caso ela venha a ser atleta como ele, estaria entre as mais velhas da turma de 2012, e não entre as mais novas da turma de 2011. Sempre me diverti com isso porque nunca havia passado pela minha cabeça.

Fui jantar tranquilamente com meu marido, falei com a minha mãe que estava tudo na santa paz e, na volta, colocamos “O Poderoso Chefão” para assistir. Ele acabou dormindo logo no início do filme, então, desliguei tudo, respondi um SMS pro meu pai e pra “boadrasta”, que perguntavam se “não havia nenhum sinal”, e dormi.

Em meia hora acordei… E minha bolsa rompeu. Era 0:40h. E agora? Será que era a bolsa mesmo? Cadê o tal “cheiro de cândida” que não existia ali? Devo acordar meu marido e ligar pro médico ou seria alarme falso?

– Amor? Amoooor? AMOOOOOOR (cutucos no pé)!!

– Hã…

– ACHO que minha bolsa rompeu…

(pausa para um misto de reações em menos de 10 segundos: sorriso, confusão, estranhesa com cara de “como assim, ACHO?” e tensão)

– Não sinto o tal cheiro de cândida, mas é muito líquido pra não ser a bolsa.

– OK, liga pro Dr. Nelson.

– Alô (voz de absoluto sono).

– Dr. Nelson, bom dia… ACHO que minha bolsa rompeu. Mas não sinto o tal cheiro de cândida.

– Nem sempre tem esse cheiro, Mari. Vai pro hospital, entra na triagem pra ver dilatação etc. Te encontro lá.

As malas já estavam prontas, a nossa e a dela. Apenas coloquei coisas básicas na necessaire e fechei de volta. De repente aquela tranquilidade do meu marido — de “quando estourar a bolsa, não é como filme… Você ainda tem tempo de tomar banho e ir com calma…” — foi por água abaixo… Eu estava ansiosa por ela, mas estava numa calma surpreendente, feliz.

E eu:

– E então? Tomo banho ou vamos?

– Tá tudo pronto? O que falta? Vamos.

– As malas estão, sim. Levamos as lembrancinhas agora ou só as malas?

– Só as malas, volto pra buscar todo o restante depois. Vamos. Cadê minha carteira?

– No lugar de sempre, ali ó…

– Cadê a chave do meu carro?

– Pendurada no mesmo lugar, ó…

– Caprichosa a nossa filha: não esperou 2012 e ainda vem no último dia do ano… (HAHAHAHAHAHAHA)

E fomos. Assim que saímos da garagem, avisei meus pais. Meu pai há duas horas de SP e minha mãe lá na Bahia…Se meu pai viesse, não conseguiria voltar pro show de réveillon que faria na praia e o primeiro vôo pra minha mãe seria apenas às cinco da manhã. Me restava a esperança de que, “depois que a bolsa rompe, você tem umas seis horas pro nascimento”.

O hospital fica há dois minutos da minha casa nessa falta de carros da madrugada. No meio do caminho, ele entra na rua errada. HAHAHAHAHAHAHA Agora, sim, parecia filme. Ruas vazias, porta do hospital idem.

– Oba! Chegamos! (Eu, toda animada, parecia criança entrando na Disney)

– Aonde você vai?? Não sai do carro até que alguém te busque de cadeira de rodas.

– Pra queeeee??? Vai demorar, não estou parindo, não estou sentindo nada, na verdade. Me deixaaaa

(Ele trancou a porta do carro até que chegasse o moço com a cadeira. Homens… HAHAHAHAHAHA)

Não demorou quase nada e subimos, nos registramos e fui pra triagem. Lá, é colocada uma faixa na barriga para a monitoração do coração do bebê e é feito também o exame na gestante para ter certeza se foi bolsa rota, mesmo, para ver a dilatação e controlar as contrações. Assim que termina o exame, a médica liga pro obstetra e relata os resultados.

Em poucos minutos meu médico estava lá e, ao ver todos os exames e monitoração, disse que seria cesárea, pois esperar por um parto normal poderia colocar o bebê e até eu em sofrimento desnecessário. Mas não houve qualquer dúvida ou relutância: “Vambora!” e um sorriso no rosto.

Daí a frase dele pro meu marido:

– Não se preocupe, pai. Em meia hora isso estará resolvido.

Eu:

– O que estará resolvido?

– Ela estará nos braços de vocês…

Misto de alegria com “ai, meus pais”, com ansiedade, com lágrimas nos olhos.

– Amor, liga pros meus pais e diga para ficarem tranqüilos, pois não dará tempo de eles chegarem. Liga pros seus pais, pra Ju (cunhada e madrinha da Laura) e pra Ma (tia e madrinha do meu marido) e avisa pra virem o mais rápido possível que ela está chegando…

E lá fui eu pra sala de parto…

(continua…)

Esse material foi produzido para publicação em Veja SP

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