A chegada dela… – Parte 2

Um milagre chamado Laura… (Foto: Arquivo Pessoal/ Publivideo)

Chegando à sala de parto, eu não sabia como descrever o que eu sentia… Medo não era, mas uma ansiedade por tudo que vinha pela frente. Como seria seu rostinho, como seria esse sentimento ao vê-la, cadê meu marido que não chega…

- Moça, por favor, não começa nada sem meu marido…

- Não se preocupe, ele está sentadinho lá fora só aguardando a sua assepsia.

- É que ele pode estar nervoso, fala para ele que eu estou bem…

- Ele já vai entrar, não se preocupe.

A anestesista, muito amorosa, fazia carinho na minha testa enquanto aplicava algo no meu braço. Depois me sentaram e aplicaram a raqui nas costas e, depois de uma picada bem desagradável, foi ficando tudo dormente da minha cintura para baixo. Sabe aqueles filmes em que a pessoa está acordada na sala de cirurgia e ninguém sabe e ela não consegue avisar ninguém porque até o rosto está imobilizado? Esse foi meu pavor hollywoodiano momentâneo hahahahahah

- Dr., eu tô sentindo vocês mexerem em mim, PELOAMORDEDEUS, espera pra me cortar.

- Tá sentindo, é? Então me diz: esse algodão que estou passando em você está com água fria ou quente?

CRI CRI CRI….

- Viu? Você não vai sentir o corte, não se preocupe.

Para o parto normal eu estava preparada. Não só porque eu sempre quis assim, mas também porque a eliminação da minha primeira gestação, aquela perdida, foi exatamente um trabalho de parto. Sem anestesia, em casa, só com remédio e a mão do meu marido. Mas pensar em um corte na barriga sem a anestesia era uma coisa completamente diferente. E viva Hollywood e suas cenas hahahha

Meu marido entrou todo de azul e o colocaram sentado ao meu lado, segurando a minha mão.

- Amor, fica calmo, tá? Tá tudo bem.

- Tô calmo, ué…

(AHAM, eu percebi pelo seu silêncio até aqui e pela rua errada que você, misteriosamente, entrou a caminho do Hospital, que é colado em casa hahahah)

- Pai, aqui é o seu lugar para segurar a mão da Mariana mas, se você quiser assistir, terá que levantar.

- Eu quero assistir sim. É só avisar quando começar.

- Já pode levantar, ela está vindo…

OOOOI? Meu coração quase sai pela boca…

A anestesista: – Olha a bochecha!

Eu: – Bochecha de quem, gente?

UÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉN UÉÉÉÉÉÉÉÉEN

Eu: – JÁ?!!!! Ai meu Deus (lágrimas e lágrimas enquanto vejo um pezinho passando do meu lado nas mãos do médico)

Marido: – É uma Raulzinha, totalmente Mascarenhas (Raul Mascarenhas é meu pai hahahahahah)

- (lágrimas, lágrimas, lágrimas) Que coisa inacreditável, meu Deus, obrigada obrigada obrigada… (lágrimas, lágrimas…)

Colocaram-na em cima do meu peito e eu só conseguia beijá-la e dizer que a amava, amava muito. Olhava ela todinha, cabeludinha, e pensava: “Há 15 minutos você estava, exatamente assim, dentro de mim. Que coisa absurda, que amor sem tamanho é esse, meu Deus?”

Dr.: – Vamos ver se alguém já chegou? Vamos abrir a janela e mostrá-la para a família?

(Me senti no programa “A Porta da Esperança” hahahaha)

Abriu a janela e minha cunhada deu um pulo e já começou a chorar. Estava ela e a tia Ma, madrinha do meu marido. Foram pesar a Laura e fiquei ali, completamente entorpecida pelo que vivi. Olhava para minha cunhada e fazia mímica: “liga para a minha mãe, diz que está tudo bem… Pede para ela ligar para meu pai. Amo vocês…” (lágrimas, lágrimas…)

Meu marido volta com a Laura nos braços.

- Aonde vocês estavam?

- Pesando, tirando foto, beijando o pé dela…

Meus sogros surgiram no vidro, mais lágrimas.

Ainda fiquei ali enquanto terminavam os curativos. A enfermeira me perguntou se eu tinha nascido no mesmo hospital e eu disse que sim. Ela me contou que a enfermeira que trabalhou no meu parto ainda era funcionária do hospital e que ficaria emocionada se estivesse ali, pena que era a folga dela… Que lindo!

Meu marido – aquele que se dizia não estar atordoado e que repetia estar suuuper calmo – zanzava de um lado para o outro com uma das enfermeiras.

- Que foi?

- Ele perdeu a chave do vestiário, não faz ideia de onde colocou.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH Super calmo.

- Acho que vamos chamar o segurança para abrir. (HAHAHAHAHA)

Voltaram com a Laura para mamar e, graças a Deus, aquele primeiro obstetra estava errado e eu consegui amamentar. Mais uma emoção inenarrável: eu alimento minha filha com meu leite. Que coisa louca, que coisa linda…

E para dormir? Quem disse que eu conseguia? A adrenalina, a vontade de tê-la perto de mim… Enquanto ela fazia os exames pós-parto e tomava banho, colocava roupinha, eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Que ela tinha saído de mim, que aquele tamanho de amor existia. Sem conseguir dormir, enquanto ela não vinha para o quarto, a cabeça a mil. Minha cunhada ficou comigo enquanto meu marido, minha sogra e tia Ma buscavam as lembrancinhas em casa.

- Dorme, Xunha…

- Não consigo, Xunha. Eu ainda não estou acreditando…

E até agora, olhando para ela eu não acredito… Não acredito que saiu de mim, que eu e meu marido fizemos ela todinha, que um milagre desses acontece a toda hora com outras mulheres. Um milagre chamado Laura.

Laura nasceu 2 horas depois que minha bolsa se rompeu. Desde então, amor tem outro significado para mim. Desde então, sou uma pessoa mais abençoada e a mulher mais feliz do mundo. Desde então, eu sou plena e agradeço ao meu marido pelo presente mais incrível dessa vida. E agradeço aos céus por esse milagre…

Esse material foi produzido para publicação em Veja SP