A culpa, o medo…

(Foto: © Stephen Welstead/LWA/Corbis)

No dia que fiz o exame de farmácia (urina) e vi aqueles dois tracinhos cor-de-rosa, liguei correndo para meu ginecologista (agora obstetra) e pedi um encaixe imediato na agenda.

Tinha 8.567 dúvidas sobre tudo que era possível e também estava com medo por conta da gestação perdida no ano passado. Cheguei, fiz ultrassom, vi lá o minúsculo saquinho gestacional e o fluxo de sangue e fiquei mais tranquila.

Mas na verdade eu já estava na quarta semana de gestação. Comecei, então, a me preocupar com toda e qualquer ação não recomendada a uma gestante que eu havia “cometido contra” mim e o bebê.

Na primeira semana de gestação, por exemplo, estive em Comandatuba (BA) para quatro dias de festas e compromissos. Era Páscoa e bebi caipirinha, vinho, fiquei “alegrinha”, comi muito camarão, estive perto de cigarro alheio, pulei, dancei, dormi pouco… Depois fui refazendo outros passos de outras semanas e a preocupação ficando cada vez mais latente.

As semanas seguintes, até que chegasse um dos exames mais importantes, foram de muita ansiedade. Me recolhi em casa, assisti a vários episódios do meu House amado, tomei ácido fólico, comi muito chocolate e li. Eu tinha um misto de alegria, vontade de chorar e medo, MUITO medo que a experiência anterior se repetisse.

Na tentativa de me deixar mais calma, ouvi muitos relatos de mães que descobriram a gestação já bem mais avançada e fizeram mil coisas não recomendadas sem ter ideia de que havia um bebê sendo gerado. Minha mãe também descobriu com 2 meses e meio – ela detesta esse negócio de falar em semanas hahaha.

Então, pedi ao médico para fazer ultrassom toda semana para que meu sentimento fosse um pouco apaziguado por novas informações. Por exemplo, já poder ver o lindo e pequeno coração batendo enquanto as lágrimas escorriam no meu rosto. No ano passado não cheguei nem a ver o coração, por isso cada passo novo me deixava menos louca. Após o quarto ultrassom, meu marido perguntou para o médico:

Ele – Dr., é mesmo necessário que ela venha toda semana? Não há um risco de que ela crie dependência não só no ultrassom mas, futuramente, no bebê?

Eu – (por dentro: OOOOOOOOOOOI???!!! De onde veio issooooo?!!) Cristiano…

Dr. – Olha, ela quis fazer por uma questão de insegurança vinda da outra experiência e acredito que tenha sido bom pra ela ver que está tudo bem. Mas o próximo exame de maior importância é só daqui 15 dias. Realmente não é legal criar dependência de ultrassom, nem do bebê…

Eu – EEEEEEEEEEI!! Você é MEU MÉDICO e não dele.

Os dois riram e eu lá com cara de pastel. Olhei para meu marido com cara de “não acredito” e ele ria… Foi quando surgiu o assunto: “Imagine como era com nossos pais/avós e etc…” que citei no post “A Ignorância é uma bênção…”.

No fundo foi bom mesmo para mim. Agora, com intervalo de 1 mês (aaaafffff) entre um ultrassom e outro, eu me sinto menos (ou um pouco menos) ansiosa. Mas confesso que ainda tenho muita vontade de ligar lá e pedir para fazer um ultrassom “secreto”, só para matar a saudade… Principalmente nessa fase em que ainda não a sinto se mexer. Enfim, muita respiração e calma nessa hora hahahha

E cá me vejo já com 19 semanas, entrando no quinto mês. Parece que o primeiro ultrassom já tem séculos. Cada fase, cada experiência, cada detalhe tem deixado minha gestação ainda mais especial, hilária e deliciosa.

Até a próxima, queridos. 🙂

Esse material foi produzido para publicação em Veja SP

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