Angústia da Separação: o que é e como lidar?

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Angústia da Separação com quem eu amo.

Minha melhor amiga é casada com um piloto, que, por conta do trabalho, passa 15 dias em casa e 15 dias trabalhando fora. Quando meu lindo afilhado, filho deles, completou 9 meses, algo mudou. O bebê que então dormia 12 horas seguidas toda noite desde que tinha 2 meses passou a acordar de 4 em 4 horas chorando.

Não adiantava ir o pai ou qualquer outra pessoa: tinha que ser a mãe para que ele se acalmasse. Sem entender o porquê desses arroubos súbitos de choro e esse maior apego nela, minha amiga procurou a pediatra que na hora detectou que ele passava pela fase de Angústia da Separação.

Como ele ficava separado do pai por 15 dias, algo desencadeou nele o sentimento de que a mãe poderia também “sumir”. Juntando isso com o fato de que entre 6 e 9 meses os bebês naturalmente começam a entender que ele e a mãe são dois indivíduos e não um só, o pequeno passou a achar que ficaria sozinho.

Depois de ajudá-lo para que ele voltasse a dormir a noite toda e fazê-lo entender com apego que ela não iria à lugar algum, minha amiga diz que agora (com 1 ano e 2 meses), está mais light para ele lidar com a Angústia da Separação.

O que dizem os especialistas sobre a Angústia da Separação.

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A Angústia da Separação começa entre os 6 e 8 meses de idade, quando a criança se dá conta de que ela e a mãe são pessoas distintas. “Até esse momento, ela acreditava que ambos – mãe e filho – eram uma coisa só. E tal percepção gera angústia, uma vez que fere a onipotência do bebê, que pensa que tudo lhe pertence ou faz parte dele”, explica a psicóloga infantil Ana Cássia Maturano, de São Paulo. Como também ainda não compreende o conceito de permanência dos objetos – isto é, que eles existem, mesmo que não os veja –, o bebê pode imaginar que a mãe deixou de existir quando está longe dela. É como se ele a perdesse mesmo, ou fosse abandonado. (fonte: Revista Crescer)

A relação mãe e filho é uma relação simbiótica, cujo vínculo íntimo e inviolável se forma por vários fatores, inclusive o aleitamento materno também contribui para que um vínculo íntimo e inviolável se crie sem contar os 9 meses dentro da mãe antes disso.

Mas depois de 8 meses de idade, ou até um pouco antes, seu bebê se descobre como um indivíduo independente e vive esta forma de “consciência” com muita angústia. A angústia desse processo de desidentificação com a mãe, que o leva a descobrir que não é uma extensão dela, aparece em seus sonhos, perturbando-o e provocando o choro. Os temores são tão assustadores para ele que é difícil fazer com que durma tranquilamente.

O bebê grita, chora, esperneia cada vez que sua mãe se afasta dele. Não suporta perdê-la de vista e até acorda várias vezes durante a noite com evidente agitação, chegando a até chorar dormindo. (fonte: Disney Babble)

Espera-se que até completar 2 anos o bebê já consiga lidar melhor com a ausência dos pais – sem muito choro na despedida e com alegria na volta!

O que fazer se o bebê sentir a Angústia da Separação?

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Algumas dicas para ajudar o bebê a lidar com esses sentimentos:

  • Na hora de se despedir, seja breve e demonstre que está tudo bem.
  • Jamais saia escondido, mesmo que vá se ausentar por apenas algumas horas.
  • O que os especialistas chamam de objeto de transição (que pode ser uma fralda, uma manta ou um bicho de pelúcia) também é um recurso para enfrentar a situação e amenizar a angústia.
  • Outra maneira de fazer com que ele compreenda que o que se perde pode ser recuperado é jogar objetos longe – obviamente, ele joga e a mãe que os recolhe, né?
  • Você também deve conversar com o bebê, explicando o que está fazendo: “Mamãe vai até a cozinha e já volta”. Se precisar dar alguma saída mais longa, procure deixar uma peça de roupa com o seu cheiro por perto.
  • Evite permanecer muito tempo longe e fique por perto sempre que ele mostrar ser necessário. Deixá-lo chorar é cruel e desnecessário. Dê a seu filho o colo e a segurança que ele precisa. Logo essa fase passa e tudo voltará ao normal.
  • Outra brincadeira gostosa, que eu li em todos os sites que falavam sobre a Angústia é a famosa “peek-a-boo” ou “cadê a mamãe? Achooooou”, como vocês podem ver nesse vídeo da maravilhosa psicóloga Betty Monteiro abaixo:

No mais: VAI PASSAR!!

A medida que o bebê começa a desvendar o mundo (engatinhar, andar, se mover por conta própria), a angústia vai desaparecendo, vai se dissipando. O novo mundo ao seu redor parece tão incrível e atraente que seu entusiasmo para explorá-lo torna mais interessante a ideia de se tornar um ser independente.

Como em toda e qualquer fase mais complicada do bebê ou que requer paciência (desfralde, introdução alimentar, andar de bicicleta…), essa fase também vai passar. Logo você vai estar querendo que seu bebê sinta a sua falta e ele só vai querer sair com os amigos HAHAHAH O clichê aqui se repete: O TEMPO VOA, PASSA MUITO RÁPIDO! Então, relaxe, pois vai passar. Tente as dicas acima, respire e dê amor e carinho.

Bjokas!

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