Chupeta, dedo…

 

Foto: ThinkStock

Quando eu fiz a lista de Chá de Bebê, lá estava o item: chupeta. Fase 1, fase 2… Eu achava que era óbvio, que todos os bebês chupavam chupeta. Pois bem, Laura até agora só com muita luta. E porque a luta, você me pergunta? Porque simplesmente não deixa sem chupeta? Porque, pior do que chupar chupeta, dizem as pessoas, é chupar o dedo… E adivinhem: Laura pegou o dedo semanas atrás.

Cheguei a levar a chupeta na malinha da maternidade, mas achei que era cedo demais e nem tentei dar lá. Depois, quando tentei, a chupeta já dava ânsia nela. Comprei os mais diversos modelos, marcas e tipos de chupetas (para recém nascidos, ortodônticos e etc…) e a única que ela pegou foi uma chamada Physio da Chicco. Mesmo assim, eu tenho que ficar segurando e logo ela empurra com a língua. Apenas um dia, na semana passada, ela engatou na chupeta e ficou quase o dia todo. Isso foi porque ela estava dormindo só com o dedo na boca e, quando ela colocava o dedo, eu tirava e enfiava a chupeta. Foi árduo e deu certo, mas logo no dia seguinte já não rolou.

E porque eu preferia que fosse a chupeta? Porque é mais fácil de tirar depois… Você vem com a história do “entrega a chupeta pro passarinho/Papai Noel/Coelhinho da Páscoa e ele te traz uma boneca” e pronto, lá se vai a chupeta. Já o dedo está ali, acessível, grudado na mão e, até mesmo dormindo, encaixa na boca automaticamente…

E sabe o que é pior? É fofo. É muito bonitinho ver sua filha chupando o dedo. No caso da Laura, ela busca o dedo APENAS para dormir. Assim que dorme, o dedo cai da boca. E ao longo do dia ela não fica chupando o dedo, é só pra dormir mesmo, ou seja, é uma forma de relaxar. O dedo entra na boca, os olhinhos reviram, ela dorme, o dedo cai da boca. Fim.

Passei a procurar textos sobre isso para tirar essa neura da minha cabeça. Afinal, deixá-la estressada, tirando o dedo da boca, valeria a pena? E todas as vezes que ela colocaria na boca quando está lá atrás na cadeirinha do carro ou no berço antes de dormir sozinha ou passeando no carrinho antes do cochilo? Imagina eu, aloka fiscal do dedo da filha, correndo pra tirar o dedo e enfiar uma chupeta ou apenas tirar mesmo e impedi-la de dormir? Até aonde isso vale a pena?

No Livro “O Que Esperar Do Primeiro Ano” (SandeeHathaway, Heidi Murkoff e Arlene Eisenberg)  li esse trecho:

“No começo você pode pensar que o hábito é bonitinho, ou até ficar grata que seu filho tenha encontrado uma forma de se acalmar sem a sua ajuda. Depois com o passar das semanas e a intensificação do hábito, você começa a se preocupar, imaginando seu menininho indo pra escola com o polegar enfiado na boca (…). Será que você terá de fazer viagens mensais ao ortodontista para o trabalho necessário de corrigir a mordedura deformada pelo chupar do dedo ou, pior do que isso, viagens semanais ao terapeuta para tentar descobrir os problemas emocionais subjacentes que o levam a chupar o polegar?

Bem, pare de se preocupar e comece a deixar que o bebê se satisfaça. Não existem provas de que chupar dedo seja em si um sinal de necessidade emocional. Nem – se o hábito cessar aos 5 anos – parece causar algum dano ao alinhamento da dentição permanente; qualquer distorção da boca que ocorra antes dessa época volta ao normal quando o hábito termina. Uma vez que a maioria das crianças em geral deixa o hábito de lado entre os 4 e os 6 anos, muitos especialistas dizem que as tentativas de tirar o polegar da boca do bebê não precisam começar antes disso.

(…) Alguns bebês desistem de chupar o dedo até o 12° mês, quase 80% desistem até os 5 anos e 95% aos seis anos, em geral sozinhos. Aqueles que o usam para ajudar a dormir ou se confortar em épocas de estresse prendem-se ao hábito por mais tempo do que os que simplesmente fazem dele uma forma de recompensa oral.”

Fiquei mais tranquila e, na última consulta com a pediatra da Laura citei esse texto. Ela disse que 6 anos também é muito mas que sim a maioria larga o dedo antes disso e que não preciso entrar em neura nenhuma por causa disso agora. Assim como o livro, ela me tranquilizou e disse para deixar que ela relaxe dessa maneira agora e que, se chegar o momento em que for preciso se preocupar, ela me avisa. UFA! Talvez eu até volte a insistir a chupeta mais um pouquinho mas, agora um pouco mais tranquila se não rolar…

Fico vendo os bebês com chupetas, olhando a gaveta da Laura cheia delas e pensando: poxa vida… Mas, né? Cada bebê é um bebê… E que se vive um dia de cada vez. Não sei se Laura largará o dedo com um ano, com 3 ou com 5. Se será fácil ou difícil “tirar o dedo dela”, se largará sozinha ou não. Só sei que HOJE, nesse momento, mal não faz. Pelo contrário: ela relaxa e dorme em segundos quando coloca aquele dedão na boca. Com o auxílio da minha pediatra e, futuramente, da dentista da Laura, eu saberei se precisarei me preocupar com esse dedão lindo dela. Chega de sofrer por antecedência nesse quesito. Bora pro próximo! Hahahaha

Um dia após o outro…

Esse material foi produzido para publicação em Veja SP