Com antibiótico não se brinca!

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Anteontem escrevi aqui um post sobre minha luta pós corticoide e como eu gostaria de voltar no tempo e questionar muito mais sobre aquele medicamento, aquele tratamento.
 
O engraçado é que com a Laura eu sempre perguntei toda e qualquer coisa sobre o que era receitado, sobre como tomar, sobre o que não fazer enquanto estava em tratamento. Comigo não fiz, mas com ela…
 
Por conta desse ar “maravilhoso” (só que não) que estamos tendo em SP e, recentemente, uma infeção urinária, a Laura – com apenas 2 anos e 8 meses – já tomou 4 vezes antibiótico esse ano. Por ser tão pequena, sempre questionei bastante os efeitos, o que ela poderia fazer, comer, o que não poderia e etc…
 
E foi mesmo a vinda da Laura que me fez entender a seriedade da receita e de tomar o antibiótico da maneira como foi prescrito. Meu sogro é ortopedista e me corrigiu quando eu disse: “se atrasar meia hora, tudo bem…” durante uma visita a casa dele. Não, não é tudo bem.
 
E por que não dá para brincar com esse horário? Porque a bactéria é um bicho e esses bichos têm um tempo de multiplicação. E é esse tempo de multiplicação que o medicamento precisa pegar: mais ou menos o momento certinho que essa bactéria está se multiplicando. Olha que interessante: a maioria dos antibióticos atua na formação da parede das bactérias e isso acontece no momento que elas estão se multiplicando, então, o que tem que evitar, na verdade, é que as bactérias se multipliquem. A multiplicação da bactéria é tão grande e acontece em um momento tão intenso que a gente tem que ter no sangue o nível do antibiótico mais ou menos constante. Esse nível mais ou menos constante depende de cada fórmula de cada antibiótico. Tem medicamentos que são dados de 12 em 12, outros que são dados de 6 em 6, outros que são dados de 8 em 8 e por aí vai.
 
E por que outra dose após essas horas? Porque depois de, por exemplo, 6 horas, esse nível de antibiótico no sangue começa a diminuir, então antes desse nível começar a diminuir, já vem a outra dose e garante que aquele remédio fique no seu sangue por aquele tempo. Na hora que a bactéria está se multiplicando, esse processo se inibe, então o fabricante determina, naquela droga, o tempo que ela vai ter pra começar a diminuir no nosso organismo.
 
Quando nós chegamos ao nível x, que só o fabricante sabe, porque é o que está fazendo, que estuda, que vê o que tudo isso acontece, ela vai diminuindo, você já tem que entrar com a outra dose para não deixar cair. Então a gente tem que seguir direitinho essa regra! O médico sabe o tempo de medicamento (e dose) para que não se deixe a bactéria se proliferar. Se a gente deixar cair e o nível no sangue baixar, a bactéria se prolifera.
 
Uma dica prática? Como alguns medicamentos têm gosto ruim e a criança pode lutar bastante contra, comece a tentar medicar uns 15 minutos antes. No máximo 15 minutos de atraso do horário ainda rola. Mais que isso, não. E isso é regra, isso é sério.
 
O Perigo do uso indiscriminado.
O pediatra do seu filho, que o examinou, que o pesou, que sabe seu histórico (mesmo que tenha perguntado naquela mesma consulta, que seja um novo pediatra na vida dele), é quem vai saber qual antibiótico é o certo para aquela bactéria, para aquela doença, baseado no peso, na idade e nas informações recolhidas durante a consulta e o exame que ele fez na criança.
 
Além dos riscos de super dosagem, de medicar da maneira errada seu filho, o uso indiscriminado do antibiótico é uma das coisas que contribui muito para resistência bacteriana. Aliás, segundo especialistas, esta é a forma que mais contribui para a resistência da bactéria, pois quanto maior o número de bactérias que vai entrando em contato com os antibacterianos que a gente tem, maior a chance de resistência. Elas vão comunicando uma com as outras (elas não adquirem a resistência só pra elas, elas vão passando essas informações para outras). A natureza é fantástica, então a gente tem que saber como usar.
 
Essa guerra entre bactéria e medicamentos não tem fim e a gente não vai ganhar se a gente não souber usar o antimicrobiano direito.
 
Por falar nessa guerra, será que uma criança que possui problemas recorrentes e que precisa tomar antibióticos com frequência, faz o medicamento perder o efeito mesmo havendo necessidade de usar?
 
Na verdade não é o medicamento que perde o efeito. O efeito vai sempre acontecer, porque ele é um produto que foi feito para aquilo.  O que acontece é que aquelas bactérias que estão nessa criança, por exemplo, com o uso frequente do mesmo medicamento, vão se modificando. O remédio não perde seu efeito, mas o efeito pode ser em menor intensidade. Portanto às vezes é preciso dar uma dose maior ou às vezes você tem que trocar, porque aquela bactéria já está resistente a esse medicamento usado frequentemente. Mais uma vez: converse sempre TUDO e todas as opções com o pediatra do seu filho. Divida tudo com ele.
 
Não é só tratar a infecção, tem que ir ao pediatra no caso e entender o porquê a criança está tendo tanta amigdalite, por exemplo. Na hora que a gente vai à causa, a gente elimina o problema. Às vezes é um lugar que já está colonizado, às vezes é muita secreção, as vezes é o sistema imunológico daquela criança que não está bom, é mais rebaixado. Então não adianta você ficar dando antibiótico a vida inteira, tem que tratar o sistema imunológico. Tem que ir à causa.
 
Como falei acima, é importantíssimo saber que não existe uma criança igual a outra. Assim como não tem uma pneumonia igual a outra, não tem uma otite igual a outra, não tem uma pessoa igual a outra. O que precisamos é ouvir o pediatra e respeitar o que ele prescreveu. Tirar dúvidas, saber como proceder e o que não deve ser feito durante o tratamento. Mas JAMAIS ir na dica da amiga, da mãe do amiguinho da escola… JAMAIS comprar remédio sem indicação médica, sem que a dose seja direcionada EXATAMENTE para o caso do seu filho, desde o tipo de doença até o tamanho, peso e histórico dele.
 
Não existe prescrição de antibiótico coletiva, não existe. Não é que nem vacina – essa vacina é para todo mundo. O antibiótico é totalmente individualizado. É para aquela pessoa, para o peso daquela pessoa. Tanto que, para criança, prescreve-se antibiótico em miligramas por quilo e por dia. Então, se a criança pesa 5kgs, a dose dela pode ser diferente daquela que pesa 6kgs, ou que pesa 4kgs. É diferente.
 
O tratamento com antibióticos é absolutamente individualizado, e o médico é quem sabe, é ele quem vai prescrever para qual paciente ele pode dar aquele medicamento.
 
Antibiótico é coisa séria, respeite a receita.
(Para mais informações sobre tudo isso, acesse a fanpage da campanha)

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  • Thamires Camargo

    Gente o q faço meu esposo esqueceu de dar antibiotico no horario certo…ñ sei o q fazer meu bb esta com começo de pneumonia estou desesperada sei q antibiotico ñ c brinca.