A culpa por não sentir culpa.

O por do sol na Bahia...

O por do sol na Bahia… e a maravilha de poder ficar curtindo ele sem olhar o relógio.

Que a culpa materna nasce junto com o bebê, toda mãe sabe.

Sentimos culpa quando damos bronca, quando amolecemos e dizemos sim, quando saímos para ver os amigos, quando saímos para trabalhar, quando perdemos a paciência, quando respiramos e tal hahaha Conversando com minha melhor amiga chegamos àquela culpa bizarra da qual quase não se fala: a culpa por não sentir culpa.

Ser mãe não é bolinho. Durante muito tempo foi tabu absoluto “reclamar” da maternidade, como se a realidade fosse comercial de margarina (ou de fralda, shampoo de bebê), onde o pequeno está sempre sorrindo ou dormindo em paz. Graças ao bom Deus, a blogosfera materna e a liberdade nas redes sociais vieram para mostrar a maternidade real – com humor ou desabafos – para que outras mães não se sentissem ainda mais culpadas por se sentirem cansadas, por sentirem que precisam de ajuda – ou um colo. E “reclamar”/desabafar sobre da maternidade NADA TEM A VER com o amor incondicional que temos pelos nossos filhos, mas sim a ver com o amor que temos por nós mesmas e o respeito pelos nossos limites.

Curtir as amigas e...

Curtir as amigas e…

...fazer test drive - e graça com azamigue <3

…fazer test drive – e graça com azamigue <3

Talvez esse post seja um ponto aprofundado do post-desabafo sobre minhas imperfeições como mãe, sobre me cobrar menos e respeitar meus limites (o post “Eu sou a melhor mãe que minhas filhas poderiam ter”). Digo isso porque ao pedir pra minha mãe, sogra, madrinha do marido ou cunhada ficarem com as meninas para que eu e meu marido possamos ter uma noite de programa de casal ou ao aceitar uma viagem de trabalho sozinha, deixando meu incrível marido sendo pãe por alguns dias, eu realmente não me sinto culpada. Por que? Porque eu sei a mãe que sou e o quanto me dedico às minhas filhas. Sei o quanto é necessário para mim ter um tempo meu ou para meu casamento ter um momento nosso. E pode ter certeza que ter esse tempo meu – ou como casal – reflete na mãe que sou para elas.

Não ter ajuda de babá ou outra profissional foi uma opção nossa, possível pela ajuda da família e também pelo fato de logo que completou 1 ano a Laura foi para a escolinha (e Julia vai também). Ouvir pessoas me perguntando: “nossa, mas tão pequena na escola… Você não sente falta? Consegue deixar ela lá?” na época da Laura me fazia me questionar se eu DEVERIA me sentir culpada por não sentir culpa. “Nossa, você vai para resort e sua filha fica o tempo todo com monitores?” Sim, porque ela QUER. Tem nossos braços abertos para ficar grudada na gente sempre que quiser e eu a visito nas atividades o tempo todo, mas respeito a liberdade dela (isso é tema para outro post).

Acabo de voltar de 3 dias na Praia do Forte (vide atualizações do post sobre o local quando fui com a Laura, há dois anos), a convite da Ford para o lançamento do novo Ford Fusion. Organizada a rotina com meu marido e familiares, fui.

<3

<3

Sim, eu pensava na Laura o tempo todo por ter estado ali com ela há 2 anos e a cada foto que tirava de estrutura ou atividade Kids para colocar nas redes do blog e no post de atualização. Sim, meus olhos se enchiam de lágrimas a cada foto ou vídeo que meu marido mandava das duas. Sim, a neurose materna me fez repetir pra mimmesma MIL vezes que os bebês não têm a mesma noção de tempo que nós temos e assim acalmar meu coração sobre a possibilidade da Julia ME ESQUECER nesse período de 3 dias (hahahaha). E sim, a cada apresentação sobre o carro quando citados itens de segurança como o cinto inflável que funciona como uma espécie de air bag (mostrei em um post anterior) ou o fato de ter isofix (padrão internacional de pontos de fixação para cadeirinhas infantis em automóveis de passageiros, que exige pontos de ancoragem específicos, tanto no veículo quanto na cadeirinha e, por isso, requer que o carro saia de fábrica com os encaixes necessários para receber o assento), minha mente ia diretamente para elas.

O cinto inflável, uma espécie de air bag, para somar aos mais 8 air bags do carro: só me fez pensar na segurança das minhas meninas.

O cinto inflável, uma espécie de air bag, para somar aos mais 8 air bags do carro: só me fez pensar na segurança das minhas meninas.

Mas, culpa? Não. Foi gostoso dormir 2 noites inteiras, vendo Netflix até dormir. Foi gostoso não ter tido hora para acordar no 3º dia (embora a lembrança de que eu estava na praia tenha me feito acordar relativamente cedo para quem poderia dormir horas a mais), foi gostoso ler meu livro sem interrupções e não ficar o tempo todo pensando em que horas eram (se era hora do almoço, do tetê, do jantar, do banho, se era hora de preparar a Laura para a escola ou para a equitação e etc). O que não significa que não tenha mostrado foto das meninas para mil pessoas (incluindo o Presidente da Ford America Latina,  Lyle Watters), que não tenha morrido de saudades, que não tenha falado delas trocentas vezes ao dia. Mas, culpa? Não.

Na mesa com o Presidente da Ford America Latina, Lyle Watters: papo sobre o que? Carro? Não... FILHOS hahaha

Na mesa com o Presidente da Ford America Latina, Lyle Watters: papo sobre o que? Carro? Não… FILHOS hahaha

Trabalhei, descansei, relaxei, me diverti com os influenciadores e jornalistas convidados, cantei na última noite ao lado do meu querido Adelmo Case e corri para elas no final. E mesmo que venham me cobrar ou perguntar “mas, não é difícil? Como você consegue?”, não há culpa por não ter culpa e sim um sentimento de: “minhas filhas estava felizes, bem cuidadas e eu voltarei descansada e morrendo de saudades para agarrá-las muito”.

Participei do show do Adelmo Casé, dancei, gargalhei e me diverti com meus queridos influencers.

Participei do show do Adelmo Casé, dancei, gargalhei, me diverti com meus queridos influencers e…

Relaxei no tempo que sobrou do trabalho e pensei no quanto elas estavam bem e felizes com meu marido e seus avós.

…relaxei no tempo que sobrou do trabalho, pensando no quanto elas estavam bem e felizes com meu marido e seus avós.

SE PERMITAM <3

E foi o que fiz. Mãe sim, mas ainda mulher, Mariana, namorada do meu marido, amiga das minhas amigas e respeitando quem eu sou. JAMAIS me diminuindo quanto à minha dedicação às minhas filhas. Deem um tempo à vocês mesmas, nem que seja uma volta no quarteirão com uma parada na padoca pra um pão na chapa comido com calma, sem ficar olhando no relógio ou engolindo a comida para cuidar de alguém. RESPIRE. No começo pode ser que vocês nem saibam o que fazer sem os filhotes por perto (isso acontece comigo até quando elas dormem ao mesmo tempo ao longo do dia hahaha), mas aos poucos vocês vão descansar, se divertir, se cuidar e o que mais a alma de vocês precisar. E sem culpa. E sem culpa por não sentirem culpa <3

Uma mulher relaxada e feliz reflete em casa seu sentimento, reflete em seus filhos. Não se culpem por não sentirem culpa às vezes <3

Uma mulher relaxada e feliz reflete em casa seu sentimento. Não se culpem por não sentirem culpa às vezes <3

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  • Mariana Belém de Deus! Kkkk
    Q texto lindo! Te sigo (twitter) e acompanho o blog antes de ter filho, e sempre me identifiquei e gostei tannnnto da sua postura, conduta, pensamento, jeito de levar a vida e de enxergar as coisas. Depois q meu Rafa nasceu, e entrei no mundo da maternidade minha admiração e respeito por vc aumentaram ainda mais. Sempre corro p/ cá, leio seus posts, vejo insta, tudo! Mas hoje, com esse texto, eu fiquei emocionada! Me senti particularmente tocada e na hora do RESPIRE, eu juro q caiu uma lágrima. Obrigada, obrigada e obrigada por esse texto, por essas palavras, e por todas as outras. Vc faz a diferença.
    Com carinho,
    Jô ??

  • Amei como você falou de tudo nesse post! Coisa mais linda!!
    Merece tudo de lindo!
    ?

  • Suiane Saraiva

    Muito interessante seu texto serei mãe (de primeira viagem) daqui a quase 7 meses então é bom saber que podemos ter vida fora da maternidade… que dá pra fazer um tempo só pra gente mesma por que a única coisa que eu ouço é que mãe só vive pro filho e esquece de si mesma. Obrigada pela reflexão