“Depressão” pós viagem – eu sofro disso por motivos diferentes hoje.

Depressão pós viagem – DPV

Bicicleta desde muito cedo, segurança, tranquilidade: Amsterdam (Holanda).

Começo o post já dizendo que DEPRESSÃO é apenas uma forma de dizer. Depressão é algo muito sério e acabamos de passar pelo Setembro Amarelo, um mês onde se fala e conscientiza sobre a gravidade da depressão e ao que ela pode levar.

Para saber um pouco sobre esse movimento e do que se trata esse assunto tão sério, assistam ao IG TV do meu querido Yo Takase.

Dito isso, de maneira absolutamente exagerada, mais como uma expressão mesmo, sempre chamo de DPV o que sinto quando volto de uma viagem. Porém, antigamente era diferente, mais lúdico.

A Depressão pós viagem por Mariana

Eu sempre amei viajar. Desde pequena minha mãe me leva de baixo do braço para lugares lindos. Aprendo muito viajando, para onde quer que seja. Para mim, viajar é o melhor investimento pessoal que se pode fazer.

Por conta disso, eu sempre que pude viajei. Sozinha, muitas vezes. Morei fora do Brasil depois de me jogar de mochila sozinha por 1 mês: acabei morando fora por 2 anos.  Qualquer oportunidade de conhecer melhor o meu país ou qualquer outro eu me jogo de cabeça.

De uma região do Brasil que eu possa conhecer e me orgulhar ainda mais das belezas e gentilezas do meu país à cidades de países que me enchem de informação, cultura e história: o aprendizado é infinito. Me jogo, olhando apenas mensagens de celular, muito pouco o email e quase nada de notícias – para mergulhar mesmo naquilo que me cerca.

Lucerna (Suíça)

Por muitos anos, voltar de viagem me deixava triste pela volta à realidade (aula, trabalho, contas a pagar – incluindo o possível cartão de crédito em outra moeda hahahah), por terminar um período absolutamente alienada de notícias ruins, um período em que me joguei em outra cultura, com meus livros e meu fone de ouvido.

A Depressão pós viagem da MÃE Mariana

Minha vida.

Depois que me tornei mãe, essa tristeza não se baseava apenas nisso e em me despedir de ver minhas filhas brincando na areia de Alagoas ou correndo por um parque da Disney como se aquilo fosse a vida real, única e diária hahahaha

Principalmente depois dessa viagem que fiz agora, vendo minhas amigas holandesas com filhas pequenas, viver o dia a dia delas, passar dias na Suíça, a tristeza que me acomete é que nós e nossos filhos não temos aqui em SP (ou na maior parte do Brasil) aquilo que é direito básico, premissa de liberdade: SEGURANÇA.

Pegar um bonde, um transporte público, com crianças de 8/9 anos sozinhas. Elas cochilam com suas mochilas, ouvem a estação, acordam, descem. Há pais esperando no ponto e há crianças que descem e saem andando pra casa sozinhas.

Em Amsterdam, nesse bonde, crianças de 8, 9 anos sozinhas 🙂

Ver crianças indo para a escola de bicicleta sozinhas, independentes, livres, felizes. Foi o que mais me doeu nessa viagem. Olhar para o Brasil e pensar que há sim crianças que vão sozinhas no transporte público, mas sem deixar paz e tranquilidade no coração dos seus pais ao fazerem isso.

A cara das minhas amigas holandesas quando eu disse que o Brasil tem uma das maiores frotas (se não a maior) de carros blindados do mundo e que os países com os quais se compara contam apenas os carros militares e etc como blindados, não os de uso pessoal. Era uma expressão de total incompreensão e aqui é algo visto como COMUM (!!).

Quem acompanhou minha viagem (e está tudo salvo nos Stories, em destaques – divididos por cidades), viu que eu por duas vezes fiquei sozinha no escuro – tendo apenas a lanterna do meu celular -, sem poste de luz, tendo que andar por 40 minutos no meio do mato e correndo ZERO riscos, na Suíça.

A caminho do hotel Villa Honegg, em Ennetburgen (Suíça). Na volta não havia poste – como se vê aí na estrada) e foram 30 minutos andando no breu – sem perigo.

Eu até temia por COSTUME de viver no Brasil, mas tinha realmente zero riscos. Para todos que eu comentava por lá, o estranhamento era zero sobre andar naquele breu sozinha. Estava tudo normal. Eu realmente desejei ESSA normalidade para minhas meninas, para o meu coração preocupado.

O desejo e a desesperança…

Trem da Cremalheira de Vitznau para a montanha Rigi (Suíça).

Quem me conhece sabe que eu sou a pessoa mais otimista, poliana, que existe. Eu sempre SEI e digo que tudo vai ficar bem, meu sentimento interno é sempre esse. Mas, quanto à realidade que vi nessa viagem, infelizmente meu sentimento foi de desesperança mesmo…

Parece mesmo um abismo de realidade, de qualidade de vida… Não apenas pela segurança das crianças, mas o estilo de vida dos mais velhos, a limpeza nas ruas, enfim. Ficou ali meu desejo não de mudar de país, mas meu desejo de que um dia a nossa realidade seja daquele jeito EM TODO O BRASIL.

Seria um sonho impossível? Estou certa em sentir desesperança? Ou vocês, pais, mães, acham que nossos filhos ou netos poderão ter algo assim um dia?

Em breve um post aqui sobre o roteiro, as inspirações, os lugares que fui e os que ainda gostaria de ir em uma próxima viagem 🙂

Bjos

Pela segurança delas <3

P.S. – Por favor, expressem o sentimento de possibilidade aqui sem discutir política, tá? Estou perguntando mesmo sobre possibilidades ou sonhos impossíveis 🙂

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