Desabafo sobre minha última semana: internet NÃO é terra de ninguém.

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Internet NÃO é terra de ninguém. O ódio não vai destruir a internet e suas redes sociais.

Em 2009 eu comecei minha vida de twitteira. O twitter é uma rede que eu amo e onde eu me divirto e posto besteiras e assuntos sérios mais frequentemente do que qualquer outra rede social. Não tem a ver com trabalho e sim como válvula de escape, diversão e discussão de temas que me interessam.

Foi por causa de uma pesquisa que saiu em uma revista sobre perfis de conteúdos de credibilidade no twitter em que eu saí, que passei a pensar em trabalhar online, criar o blog e usar essa influência positiva para tentar ajudar outras pessoas. Posso afirmar que o blog é hoje o que é porque a força no twitter me encorajou.

Minha vida no twitter, por mais polêmico que pudesse ser o tema, teve alguns blocks, poucos haters, ofensas imaturas e chichês (muitas delas me julgando por ser filha de alguém famoso) e muito, MUITO, carinho, amor e risada diariamente. E é por esse lado tão maravilhoso das redes sociais, divertido e leve, que eu não pude deixar passar o que aconteceu comigo na semana passada.

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Na noite de domingo, postei que estava vendo Gilmore Girls com a Laura na cama. Fui dormir. Ao acordar na 2ª feira, o susto: um perfil repostou meu tweet comentando em cima: “bom saber, vou aí estuprar as 3”. Olhei incrédula e acessei o perfil do ser. De 9 tweets desse perfil, 2 eram posts de pura intolerância contra crianças (todas deveriam ser estupradas), mulheres e gays (ambos deveriam ser obrigados a ser matarem) e 7 eram grotescamente agressivos contra mim, Laura e Julia. Eu jamais postaria aqui os prints mostrando o conteúdo dessas agressões e ameaças (que incluíam morte, estupro, pedofilia e até canibalismo) pois nem para o meu marido ou minha mãe eu mostrei, de tão pesados que são. Eu pedi para denunciarem online, porém a conta já estava suspensa (não sei se alguém viu esse horror antes de mim e denunciou ou se o próprio twitter acabou suspendendo pela linguagem absurda).

Não pensei duas vezes: dei print em tudo e mandei por whatsapp para um delegado amigo meu. Ele me indicou quem procurar e lá fui eu com minha melhor amiga para a delegacia fazer B.O. e esperar que se instaurasse inquérito e finalmente saísse uma ordem de justiça de quebra de sigilo telemático para que o twitter entregue os dados de acesso.

À pedido do próprio delegado, postei no twitter que o BO havia sido feito e que o assunto agora era com a polícia. E foi aí que a coisa tomou uma proporção absolutamente inesperada. Eu realmente me assustei com a repercussão, com as chamadas de capa de sites, com as matérias sobre o ocorrido. Ao mesmo tempo, houve algo de lindo e especial vindo de toda essa confusão: a avalanche de amor. Gente que eu não conhecia, amigos queridos, pessoas de quem eu não esperava e muitas mensagens recebidas por mim, minha mãe, meu marido… Pessoas oferecendo apoio, estrutura, segurança, amor, carinho. Pessoas elogiando minha coragem, apoiando minha atitude…

A repercussão me assustou. Capa de portais, mais de 15mil resultados no google...

A repercussão me assustou. Capa de portais, mais de 15mil resultados no google…

No meio disso tudo eu me afastei. Não tanto do twitter pois não seria certo – e eu precisava monitorar possíveis ameaças na sequência, mas de uma forma geral. Postei quase nada no instagram, não postei no blog, me agarrei com as minhas meninas e fiquei bem mais quieta, pensativa. Foi uma semana estranha, uma semana que me fazia questionar o que leva alguém a achar engraçado escrever tais coisas para alguém, colocando palavras e pensamentos imundos ao lado de nomes de pessoas, principalmente dos nomes de uma criança de 4 anos e de um bebê de 6 meses. Gratuito, doentio, explícito, ofensivo. O que leva uma pessoa a pensar certas coisas (porque, se escreveu foi porque pensou naquilo) e se achar valentona por trás de um avatar, escondida atrás de uma tela de computador? Pra que tanto ódio? Seria frustração com a própria vida? Seria incapacidade de ver a felicidade alheia? Seria apenas imaturidade e molecagem (nojenta)? Seria um homem? Seria uma mulher?

Daí parei. Em cada passo desse episódio eu só senti pena. Pena de alguém que vive com pensamentos tão doentios porque deve ser horrível conviver com coisas assim dentro da cabeça. Pena da maneira como essa pessoa acha que é “se divertir”. Pena da vida de alguém que dedica tempo à esse tipo de coisa, que planta esse tipo de coisa pois imagine o que colhe… Parei de pensar no que leva alguém a fazer isso e joguei para a justiça divina – essa não falha nunca.

Internet não é terra de ninguém e esse povo não vai acabar com algo tão bacana e gostoso que são as redes sociais. Pegaram quem agrediu a Maju, a Taís Araújo e criou um grupo que “queria ficar famoso” agredindo famosos, pegaram que agrediu a Ludmilla… Todos moleques inconsequentes que achavam aquilo tudo uma divertida brincadeira para se exibir para os amigos e se acharem valentões. Só que a “divertida brincadeira” é crime. Crime de RACISMO. E comigo tem 3 nomes a “brincadeira”, 3 crimes: intolerância (mulheres e gays), ameaça e injúria.

Faço aqui um pedido a todos vocês: não deixem passar em branco qualquer tipo de ameaça, de atos criminosos “só” por ser na internet. Existe um setor de CRIMES ELETRÔNICOS por causa de coisas assim, então DENUNCIEM. Esse tipo de gente e de “brincadeira” não vai acabar com algo tão legal que é a internet. Não deixem barato, ajam.

Como eu falei no meu instagram pessoal: “é a fé e o amor que movem minha vida. Nenhum outro sentimento. Não perder a fé no ser humano, no que há de bom nas pessoas. Se não houver justiça dos homens (e não seria a 1a vez na minha vida), creio cegamente na justiça divina. O Cirio de Nazaré está chegando em um mês e meio e meu sentimento, como todo ano, é de gratidão pela vida, pela minha família e por tudo de bom que me cerca (e isso é infinitamente maior que o que há de ruim no mundo). Fé, coragem, amor e esperança”.

Peço desculpas pelo sumiço necessário. Precisei desse tempo, desses questionamentos mil que passaram na minha cabeça (os acima e muitos outros). Precisei, fiz e pronto: exorcizado está! Vamo que vamo, que o mundo tem muito mais amor do que ódio. Mas MUITO mais!! MAIS AMOR, POR FAVOR.

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Comente!

  • verasclaudia

    Mari, ainda bem que você denunciou! Está certíssima!
    Não importam os motivos desses criminosos, nada justifica!
    Que sua família linda continue a transbordar amor!
    Fiquem com Deus!

  • Mariana, passei por isso, é sei bem o que é!!! Força e foco, parabéns pela atitude.

  • Flavia Lima

    Sinta-se abraçada. Vc e as meninas