Febre Amarela: silvestre x urbana, vacina e cuidado.

Febre Amarela em São Paulo

No último dia 20 de outubro, um macaco foi encontrado morto no Horto Florestal, na zona norte de São Paulo. A causa? Febre Amarela.

8 dias depois, outros dois macacos foram encontrados mortos também na zona norte, com confirmação da causa sendo vírus da febre amarela. Agora já totalizam 5 animais.

A Secretaria do Estado da Saúde fechou o horto e foi ampliando a vacinação contra a doença para todas as unidades básicas de saúde da zona norte. Importante saber que estes macacos morreram com a febre amarela silvestre. Não há casos de febre amarela urbana no Brasil desde 1942.

A febre amarela silvestre chegou em São Paulo por uma espécie de corredor verde formado pela mata atlântica, por meio os mosquitos transmissores e dos macacos infectados por eles.

Bora vacinar e não correr riscos.

Juju sapeca na UBS, nem parece que tinha sido vacinada há pouco hahaha

As notícias começam a correr, os grupos de whatsapp apitam mais e cá estamos todos vacinando as crianças.

Como eu tinha consulta com a pediatra das meninas na semana passada, já me foi pedido por ela que nos vacinássemos logo.

Levei as meninas na UBS Jardim Edite e foi super rápido. Não nos pediram comprovante de viagem agendada, como ouvi de algumas pessoas que não conseguiram vacinar.

Eu não precisei, pois tomei a vacina em 2009 – antes de uma viagem para Angola. Para as meninas foi tranquilo também: não choraram e não tiveram qualquer reação.

O que é a Febre Amarela?

Febre amarela é uma doença infecciosa, de gravidade variável, causada por um arbovírus (vírus transmitidos por mosquitos) do gênero Flavivirus febricis da família Flaviviridae, cujo reservatório natural são os primatas não humanos que habitam florestas e matas tropicais.

Estudos genéticos demonstraram que esse vírus surgiu na África, há cerca de três mil anos e chegou no Brasil nos navios que traziam escravos para trabalhar nas minas e na lavoura, numa época em que as cidades não dispunham de saneamento básico e estavam infestadas de mosquitos. O resultado desse encontro do vírus da febre amarela com os mosquitos urbanos trouxe trágicas consequências para a saúde da população.

No Brasil, a forma urbana da doença já foi erradicada. O último caso de que se tem notícia ocorreu em 1942, no Acre. Os que surgiram depois foram todos do tipo silvestre. No entanto, é preciso estar sempre alerta.  O menor descuido e a febre amarela urbana pode voltar. Para tanto, basta que uma pessoa infectada na região onde vivem os hospedeiros e vetores silvestres do vírus,  sirva de fonte de infecção para o Aedes aegypti nas cidades. (fonte: site do Dr. Drauzio Varella https://drauziovarella.com.br )

Febre Amarela urbana e silvestre: qual a diferença?

Imagem: Folha de São Paulo

Segundo a Dra. Ana Escobar, os vírus que causam a febre amarela urbana e a silvestre são exatamente os mesmos. Isso significa mesmos sinais, sintomas e evolução da doença. Tudo igual. A diferença está “apenas” nos mosquitos transmissores e na forma de contágio.

A febre amarela silvestre acomete os macacos. Eles funcionam como hospedeiros do vírus, que é transmitido pela picada dos mosquitos Haemagogus Sabethes, que vivem nas matas (ou parques com matas) e na beira dos rios, a outros macacos ou a seres humanos não vacinados que penetrem em seu habitat natural

De hábitos diurnos, esses insetos vivem em áreas de mata e cerrados principalmente nas copas das árvores ou perto do solo. Uma vez infectados, tornam-se vetores do vírus para sempre (ciclo de transmissão macaco-mosquito-homem). Por isso, a morte de primatas nas imediações das cidades representa um dos sinais de que o vírus da doença está circulando em determinada região.

A febre amarela urbana não existe no Brasil desde 1942 e é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue, a chikungunya e a zika. Quando o mosquito urbano, o Aedes aegypti, pica uma pessoa doente e depois pica outra pessoa suscetível, transmitindo a doença. Exatamente como acontece com a dengue, zika e chikungunya.

Os macacos não estão envolvidos nesse tipo de transmissão. Ela ocorre quando o mosquito pica uma pessoa doente (o homem é o único hospedeiro do vírus nas cidades) e depois ataca uma pessoa saudável que não foi vacinada (ciclo homem-mosquito-homem).

Vale ressaltar que, embora os mosquitos envolvidos na transmissão da febre amarela sejam diferentes, nos dois casos, o vírus e as manifestações clínicas da doença são absolutamente idênticos.

Portanto, a febre amarela silvestre é transmitida pelos mosquitos Haemagogus e o Sabethes, que vivem nas matas e a febre amarela urbana é transmitida pelo Aedes aegypti que vive nas cidades. O vírus é o MESMO e a doença é a MESMA.

Porque Febre “amarela”? Quais os sintomas?

Um dos sinais de gravidade da doença é a icterícia, que deixa os olhos e a pele das pessoas com um tom mais amarelado. Os sintomas iniciais são como os de uma gripe mais forte, com febre, dores pelo corpo, dor de cabeça, mal estar, enjoo e vômitos.

Depois de uns 2 -3 dias as pessoas podem melhorar ou evoluir para as formas mais graves, com acometimento do fígado e dos rins. Aí aparece a icterícia e sinais de hemorragia como sangramentos de mucosas. Felizmente as formas mais graves são mais raras e a maioria dos pacientes evolui para a cura. Quem teve a doença, fica imune para o resto da vida.

Há tratamento específico para a febre amarela?

Não. O tratamento é o de suporte, isto é, alívio dos sintomas.

A febre amarela não é só um problema das autoridades responsáveis pela vacinação e contenção de surtos. É também um problema de todos nós.

Da mesma forma que contra a dengue, temos que evitar deixar lixo e/ou quaisquer recipientes que possam acumular água em sua casa. Temos que falar com os vizinhos, cuidar da nossas redondezas, cuidar do entorno.

Se só houve morte de macacos e não de humanos, qual é o grande risco?

O grande risco é que uma pessoa seja pessoa picada e contaminada pelos mosquitos transmissores da febre amarela silvestre, venha para a cidade e aí o Aedes (que existe em tudo quanto é canto desta e de tantas outras cidades brasileiras) a pique. Daí teremos um Aedes contaminado voando por ai.

Certamente este Aedes picará uma e outras pessoas susceptíveis. E assim por diante. Resultado: teremos de volta a febre amarela urbana, que não existe mais no Brasil desde 1942. Neste cenário, a chance de um surto urbano é muito maior e mais preocupante. Teríamos que vacinar TODA a população.

A Vacina

A vacina da febre amarela está indicada para crianças com mais de 9 meses e adultos com menos de 60 anos. Bebês de 9 meses podem tomar a primeira dose e um reforço aos 4 anos de idade. Para os adultos, 2 doses, com intervalo de 10 anos, são suficientes para imunizar.

Não é necessário repetir a vacina a cada 10 anos. As pessoas com mais de 60 anos podem receber a vacina, desde que indicada pelo médico.

Gestantes podem ser vacinadas? E os bebês com menos de 9 meses? E quem está amamentando?

A vacina não é rotineiramente indicada para as gestantes. No entanto, cada futura mamãe merece uma avaliação individual e o médico pode avaliar o risco e o benefício para cada situação. Quem está amamentando também NÃO deve receber a vacina. Em bebês com menos de 6 meses, a vacina é contraindicada. Para os que tem de 6 a 9 meses, a vacina pode ser dada desde que indicada pelo médico. Em épocas de surtos, em geral recomenda-se vacinar os bebês acima de 6 meses.

E quem não sabe ou não lembra se tomou a vacina? Pode tomar de novo?

Pode sim, desde que esteja no grupo recomendado e desde que não tenha nenhuma contraindicação para esta vacina.

Quais são as contraindicações para a vacina? Quem não deve ou não pode tomá-la?

As contraindicações mais importantes são alergia à proteína do ovo, bebês com menos de 6 meses ou pacientes portadores de doenças que cursam com imunodepressão ou que façam tratamentos que levem à imunossupressão. Nestas duas última situações, pode haver algumas exceções definidas e orientadas pelo médico que assiste cada paciente.

Fale com o pediatra do seu filhote

Mesmo com todas essas informações aqui, o ideal é sempre perguntar para o pediatra do seu filho, que conhece o histórico e cada passo dele.

Beijokas!

Fontes: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/10/1928920-macaco-e-achado-morto-com-febre-amarela-e-horto-florestal-e-fechado.shtmlhttp://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/10/1931186-outros-dois-macacos-mortos-tem-febre-amarela-confirmada-em-sao-paulo.shtmlhttp://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/10/1931369-febre-amarela-viajou-por-corredor-verde-de-mg-a-sp-diz-especialista.shtml e Dra. Ana Escobar .

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