Hand Spinner ou Fidget Spinner: é divertido, mas não é terapêutico.

Laura e o Hand Spinner

 

Laura chegou na semana passada falando de um brinquedo “muito legal, mamãe” que os amigos tinham e que ela queria. No mesmo dia conheci o Hand Spinner em uma festa.

Onde eu passo, de academia, a escolas ao clube, eu só vejo as mais diversas versões do Hand Spinner (nos EUA se chama Fidget Spinner), cores, leds e até com música.

Ao perguntar para uma criança o que era, ele me explicou que foi desenvolvido para baixar o stress e a hiperatividade de crianças autistas, mas que caíram no gosto das crianças todas.

Gira pra lá, gira pra cá, fui entender se era isso mesmo.

O Hand Spinner

Em sua maioria de plástico, embora haja de outros materiais, e com 3 pontas, o Hand Spinner pode girar de 2 a 4 minutos na mão da criança, dependendo da força do impulso. Enquanto equilibram, vão inventando maneiras mais difíceis e inusitada de fazê-lo.

O El País e outros artigos dizem que quem criou o Fidget Spinner (ou Hand Spinner) foi Catherine Hettinger, de 62 anos, na Flórida, em 1993 com a única finalidade de interagir com sua filha Sarah. Hettinger sofre de miastenia (doença que afeta os músculos e provoca fadiga) e essa era uma das poucas maneiras que tinha de brincar com Sarah. Em 2005, a patente caducou e não pôde pagar o equivalente a 1.300 reais que custava a renovação.

Catherine Hettinger e sua filha com o Fidget Spinner que ela inventou há anos e o spinner febre atual.

Quase 25 anos depois de inventar o Hand Spinner, todos os dias são vendidos milhares deles e ela não recebe nem um centavo dos lucros que seus spinners geram. No entanto, Hettinger, que agora poderia ser milionária, não vive torturada por sua má sorte. “Pelo contrário. Estou muito emocionada por ver que algo que criei tem tanto sucesso. Minha principal motivação nunca foi ganhar dinheiro com os spinners”, declarou a norte-americana a The Guardian. (Fonte: El País)

Porém, o que ela inventou é bem diferente e o site Fatherly explica a diferença. Eles mostram o que ela inventou e diz que a febre atual quem inventou foi mesmo a Kickstarter. Essa é so mais uma das reviravoltas e mitos sobre o Hand Spinner hahaha

O Fidget Spinner classico, inventado por Catherine Hettinger.

Ah! E por falar em dinheiro, nós compramos o mais simples por R$ 30,00 e o de led por R$ 40,00 na banca de jornal, mas encontra-se por menos na 25 de março, na Ali Express e etc.

O mito terapêutico do Hand Spinner

A primeira coisa que ouvi do Spinner foi que foi inventado pela mãe de uma criança autista para que baixasse sua ansiedade e brincasse com algo que a deixasse concentrada. Acima você vê, pela fonte do El País, que quem criou é que tinha miastenia e criou para poder brincar com a filha. Ou seja, mito.

Mas outros mitos rodeiam o Hand Spinner, como o principal: é terapêutico, um dispositivo “perfeito para a ansiedade, a concentração, o déficit de atenção, o autismo, a hiperatividade, o estresse ou até mesmo para perder maus hábitos”.

“Para poder considerar um produto como terapêutico é preciso de quatro a cinco anos de investigação prévia. Por ora, não há nenhum estudo ou informe que endosse as propriedades curativas que alguns atribuem aos spinners”, diz Álvaro Bilbao. Opinião também compartilhada pela psicóloga especializada em infância e adolescência Cristina García Van Nood: “Eu o vi pela primeira vez há um mês: agora muitos de meus pacientes têm, por isso me informei. Não há nenhum estudo científico que certifique sua eficácia como tratamento terapêutico. E pelo que tenho visto em consulta, é bem o contrário. As crianças não respondem enquanto estão brincando com eles e tenho de lhes pedir que o guardem quando estão em consulta. É totalmente contraproducente.”

“No momento, vender um spinner como um remédio para transtornos de déficit de atenção é uma fraude. É preciso pesquisar muito mais. É muito preocupante a tendência da sociedade de vender qualquer coisa como terapêutica sem evidências científicas”, argumenta a psiquiatra infantil Beatriz Martinez.

O spinner é vendido como brinquedo terapêutico para crianças com déficit de atenção e até como um apetrecho antiestresse para adultos. No entanto, os especialistas com os quais conversamos não acreditam na sua capacidade reabilitadora.

“Conseguir fazer com que uma criança com déficit de atenção se concentre em algo que se move é simples, mas não produtivo porque não tem repercussão no longo prazo. O spinner não regula o sistema atencional, que é o que realmente se precisa trabalhar nesses casos”, argumenta Álvaro Bilbao, neuropsicólogo e autor do livro El Cérebro del Niño Explicado a los Padres (O Cérebro da Criança Explicado aos Pais).

Verdade: relaxa, desafia e é uma ótima desculpa para sair um pouco dos eletrônicos

O que eu mais ouço dos amigos da Laura é que relaxa girar o Hand Spinner. Eles ficam meio absortos e hipnotizados. Brincando com ele, percebi que não é só o que vemos, mas o que sentimos girando (uma vibração gostosa nos dedos).

As crianças se desafiam, girando nos dedos, mudando de dedos sem cair, girando no nariz, na testa… Eu, sinceramente, fico feliz que isso tenha surgido para tirar um pouco eles da frente do tablet, televisão, celular – e olha que não sou daquelas contra tudo isso (prefiro mesmo é o equilíbrio e brincar o máximo possível na praça, ao ar livre).

O maior cuidado hoje é que o tal dispositivo criado para melhorar a concentração e baixar a ansiedade não seja justamente o que TIRA a concentração do aluno em aula. Muitas escolas só permitem mesmo no recreio e eu acho isso ótimo. Cada coisa em sua hora.

Faça você mesmo o Spinner!

Minha amiga-ídala-blogueira Lele Sordili, do blog Eu, Ele e As Crianças escreveu sobre o Spinner. Ela manja demais dos DIY (Faça Você Mesmo) e arrasa nas coisas manuais (como Scrapbooks, por exemplo), então adicionou um vídeo que ensina a fazer o próprio spinner no post (aqui).

Terapêutico ou não, que mal teria?

Equilíbrio nas atividades <3

O Spinner é um brinquedo. E, na minha humilde opinião, mais inofensivo que muita coisa direcionada para criança.

Laura já tem os dela (e eu disse que é de Dia das Crianças bem antecipado hahaha) e apenas cuido para que ela não deixe de falar com as pessoas e não use em algum momento que ela precise prestar atenção. De resto, que bom que ela se diverte com ele.

O mantra do blog: equilíbrio sempre! (e no caso do Spinner, o equilíbrio é LITERAMENTE hahahah)

Beijos!

Comente!

  • Ahhhhh muito carinho ?
    Adoro o mantra do blog e compactuo dele: equilíbrio!!!
    Não tem brinquedo que facá milagre se a família não for o norte!
    Beijooooos
    Lele