Histórias de grávidas

(Imagem: © ImageZoo/Corbis)

Sabia que hoje, 15 de agosto, é o Dia da Gestante? Claro, não saberia se não estivesse vivendo tão intensamente a minha vida de grávida. Resolvi, então, escrever esse post especial para celebrar a data! E convidei também duas super mulheres para contar suas histórias de grávida, como poderão ver mais abaixo.

Todas as gestantes já ouviram comentários completamente sem noção. Coisas como “Você está com 5 meses? A minha sobrinha PERDEU com 5 meses, foi muito triste” ou “Aonde você terá seu bebê? Porque, olha, minha irmã quase morreu no parto”. Não faço ideia do que se passa na cabeça dessas pessoas.

A última que aconteceu comigo foi assim. Encontrei um amigo e sua mulher, também grávida e que eu nunca tinha visto na vida. Depois dos cumprimentos, o assunto obviamente migrou para nossas barrigas. Quantas semanas, sexo do bebê etc. Até que vem o diálogo bacanão:

Ela: “O meu é para fim de outubro, e a sua?”

Eu, com sorriso no rosto: “Entre o Natal e 5 de janeiro”

Ela, com certo desprezo: “Nossa… COI-TADA”

Aí veio o marido dela: “Mulher acha problema em tudo. Por que coitada? A resposta: “Ela nunca vai poder comemorar o aniversário dela com os amiguinhos, porque todos estarão de férias”.

Nossa, mas que problemão, minha gente! Vou até antecipar um mês o parto… #not.

Ainda pasma, eu disse: “Sabe que eu e meu marido até pensamos nisso? Mas, quando ela perceber que a sua festinha será sempre a primeira do ano para os amiguinhos da escola, tenho certeza de que não vai sentir tanto”.

Silêncio.

Sei que passarei por muitos desses momentos ainda. Mas acho que nunca vou me acostumar.

 

Como já disse antes, chamei duas mulheres muito queridas – e com olhares diferentes sobre a gravidez – para compartilhar suas experiências. A Bianca está na sua primeira gestação e traz algo mais descontraído, enquanto a Carla dá seu depoimento de fé em uma linda história de perseverança.

Confira os relatos abaixo e deixe o seu aqui também, na área para comentários.


AS PERGUNTAS PARA UMA MULHER GRÁVIDA, por Bianca Müller
(@bicmuller)

Bic @bicmuller linda com sua barrigóta (Arthur lá dentro) <3

Todo mundo tem algo a perguntar, acrescentar, apavorar ou sugerir para uma mulher grávida. Algumas dessas histórias se repetem como um eco ao longo de toda a gravidez, como a mais sádica de todas: “aproveite para dormir bastante agora, porque depois você nunca vai dormir”.

Mas tem uma pergunta em especial que, apesar de ser comum, sempre me faz pensar. A pessoa vê a grávida, dá parabéns e então pergunta sobre o sexo do bebê:

– Já sabe o que é?

Como assim o que é? Pode ser algo além de um bebê?

Outra pergunta também muito comum é: “Vai fazer parto normal ou cesárea?”. Independentemente do que você responda, virá uma crítica ensaiada para assustar a grávida ou dizer que a outra opção é sempre melhor.

E assim será até o 9º mês. Mas eu já bolei algumas respostas.

“Você nunca vai dormir!” – Tudo bem, eu tenho insônia crônica.

“Já sabe o que é?” – Olha, ainda não sei, mas estamos torcendo para que seja uma criança.

“Parto normal ou cesárea?” – Cócoras, minha senhora, cócoras…


QUASE DESISTI DE TER FILHOS, por Carla Freire
(@carlafreire)

As lindas filhas de Carla @carlafreire (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de três anos de casados, resolvemos ter nosso primeiro bebê. Assim, fácil, né? Engano. Confesso que tive na gestação as maiores tristezas e também as maiores alegrias da minha vida.

Foram três abortos e um rio de lágrimas antes da nossa primogênita Nina, hoje com 4 anos, nascer. E mais dois outros abortos antes da nossa Melina, agora com 7 meses, chegar. Quase desistimos dela.

A cada resultado positivo, havia o fantasma da frustração. Tive muito medo, achava que era um aviso dos “céus” para que eu não tivesse filhos. E como as pessoas gostam de “apoiar” a gente, né? Cada coisa que ouvi. Ai, ai.

Mas tive fé que era possível. E foi. Minhas filhas – tão arduamente desejadas, esperadas e queridas – fizeram valer a pena cada lágrima.

Esse material foi produzido para publicação em Veja SP

Comente!