Instabilidade emocional e até Depressão Pós Parto: o Puerpério é coisa séria.

Montanha russa emocional e até Depressão Pós Parto: o Puerpério é coisa séria. (Imagem: © Monkey Business) Images/Corbis

Montanha russa emocional e até Depressão Pós Parto: o Puerpério é coisa séria. (Imagem: © Monkey Business) Images/Corbis

Se tem uma coisa que eu falo para todas as gestantes que eu conheço é sobre as dificuldades e cansaço dos primeiros dois meses pós-parto. Não, meu intuito está MUITO longe de ser desencorajar ou deixar uma mulher apreensiva, mas apenas alertá-la que dias mais punks virão e que ISSO É NORMAL.

Não, ela não deve se sentir mais culpada ainda (sim, porque automaticamente com a maternidade vem a culpa) se chora “sem motivo” ou de cansaço por parecer que ela não está se sentindo grata ou abençoada por ter aquele tão sonhado (ou às vezes não programado, mas amado) bebê. Falo isso para as gestantes pois não é justo que ela sinta que é a única a sentir isso, que ela se sinta mal por isso ou que possa pensar “ninguém me avisou que seria assim”. Esse estado mais sensível tem nome e não é frescura ou porque a pessoa opta por sentir. Ele é fisiológico, químico e tem nome: PUERPÉRIO.

Antes de explicar o que é o puerpério e tudo mais, quero falar da minha experiência.

Quando a Laura nasceu, 4 anos atrás, eu vivi esse período com muito mais intensidade do que agora pós parto da Julia. Era uma montanha russa emocional, onde uma hora eu chorava de amor e gratidão, depois estava chorando por não saber o que fazer, hora sentia uma tristeza que eu nem sabia de onde vinha e, junto à isso tudo, o sentimento de “eu DEVERIA estar feliz o tempo todo pois desejei tanto ser mãe”. Já falei isso em outro post: lembro um dia, chorando na mesa de almoço enquanto a Laura chorava “sem motivo” (já tinha mamado, a fralda estava seca, não estava com calor ou frio e talvez aquilo fosse ela brigando com sono sem conseguir se entregar à ele) e meu marido disse: “Calma, amor. Se fosse sempre assim, ninguém tinha o segundo filho.” E eu pensava na minha cunhada e em todas as amigas que quiseram engravidar de novo e eram felizes pacas por isso. Realmente, cá estou eu com a Julia, desejada e me fazendo feliz.

Laura com 1 mês e eu na montanha russa emocional...

Laura com 1 mês e eu na montanha russa emocional…

Se meu marido não estivesse comigo durante esse almoço, eu teria pulado o almoço, comido alguma besteira ao invés de sentar e comer e isso só intensificaria meu estado. Ela chorava no colo dele e não era cólica. Uma hora ela simplesmente parou e dormiu. E eu? “Ai meu Deus, será que ela desmaiou?” HAHAHAH Veja bem, nós mulheres somos regidas por essa confusão hormonal sempre. Pós parto isso piora muito e ainda é intensificado coma falta de sono, a insegurança pelo que vem pela frente, com os cuidados do bebê…  Some a isso também: dor na cicatriz quando cesárea (e outros desconfortos físicos pós cesárea), dor nos pontos da episio quando feita no parto normal), corpo lidando com resquício de anestesia…

Está melhor agora no 2º bebê? Está menos punk sim. Por que? Porque eu já sabia o que vinha pela frente, porque a gente já sabe que o choro pode ser sem motivo e “não mata” se você não souber de cara resolver isso, porque você olha para a mais velha e pensa: “uma hora esse período passa”. Mas sim, já chorei de cansaço, já chorei sem motivo, já me senti culpada, já me magoei com bobagem… É NORMAL. E não, não é frescura ou desculpa ou opcional: é químico, é mais forte que a gente.

Passar o dia de camisola, achar que se entrar no banho o bebê vai acordar, viver com o cabelo preso, achar que o marido nunca mais vai te ver com a beleza que já te viu, deixar o seio respirar e esquecer ele ali pra fora sem qualquer sensualidade… Tem tanto NÃO GLAMOUR nessa fase que realmente fica muito difícil hahahaha (rindo para não chorar).

Nem sempre um desabafo durante esse período é bem compreendido. Durante a corrente do “Desafio da Maternidade” no Facebook, Juliana Reis, disse que não faria parte disso e propôs uma Desafio da Maternidade REAL. Discorreu sobre o cansaço, sobre a dificuldade em amamentar e tantas outras coisas. Ela deixa claro que ama seu filho, mas que ser mãe é exaustivo e longe de ser o que ela imaginou (chegou a dizer que não ama ser mãe). Que ela não se via achando aquilo tudo mais fácil ou melhor mesmo quando seu filho estivesse com a idade dela e que não, não estava em depressão pós parto. E não precisa estar mesmo para sentir tudo isso… Mas seu desabafo rendeu um apedrejamento virtual e, depois de denúncias, sua página foi excluída pelo facebook… A incompreensão ao desabafo do que ELA estava sentindo (e ela tem esse direito, não?) veio de muitas outras mães e eu não vou citar o bullying materno mais uma vez (embora devesse). Mas também houve uma onda de apoio à ela e o relato emocionante de um pai que viveu isso com sua esposa, citando a gravidade disso e tudo o que passaram juntos. Para ler mais sobre essa “polêmica” toda e o relato desse marido MARA, acesse aqui:  http://revistacrescer.globo.com/Voce-precisa-saber/noticia/2016/02/desafio-da-maternidade-da-brincadeira-polemica-na-internet.html

Juliana-Reis

MAS, O QUE É EXATAMENTE O PUERPÉRIO?

(Imagem: © Justin Paget/Corbis)

(Imagem: © Justin Paget/Corbis)

O puerpério é o período que vai desde a expulsão da placenta até 6 a 8 semanas após o parto com o retorno do corpo ao seu estado normal. Período durante o qual o seu corpo sofre uma série de alterações para retornar ao estado pré-gravidez. Durante o puerpério, o corpo da mulher passa por profundas modificações físicas e emocionais para retornar ao estado pré-gravidez. Ao mesmo tempo que recupera lentamente do parto e das alterações ocorridas ao longo da gravidez, também precisa de se adaptar ao seu papel de mãe. Todas estas mudanças podem ter um forte impacto no seu estado de humor e deixá-la mais sensível e vulnerável.

Nesse período ocorrem intensas modificações físicas e psicológicas nas mulheres num curto espaço de tempo. Juntas, essas características contribuem para aumentar a insegurança da mãe em relação aos cuidados necessários para garantir a saúde do seu bebê e dela própria nesta fase inicial da maternidade.

O momento do término do puerpério é impreciso, aceitando-se, em geral, que ele termina quando retorna a ovulação e a função reprodutiva da mulher. Nas puérperas que não amamentam poderá ocorrer a primeira ovulação após 6 a 8 semanas do parto. Nas que estão amamentando, a ovulação retornará em momento praticamente imprevisível. Poderá demorar até 6 a 8 meses, a depender da frequência das mamadas. Isto impõe, entre outras medidas, a adoção de método anticoncepcional adequado.

(Imagem: © Jamie Grill/Tetra Images/Corbis)

(Imagem: © Jamie Grill/Tetra Images/Corbis)

Apesar de o nascimento de um filho ser um acontecimento incomparável, os desafios são mais do que muitos. A amamentação em horário livre, as horas sem dormir, as preocupações com outros filhos e as alterações físicas e emocionais são muito exigentes.

Insônias, exaustão física, angústia, diminuição da libido, oscilação entre estados de humor de intensa felicidade e de enorme tristeza ou depressão pós parto são algumas consequências dessa exigência.

Segundo o Babycenter: “entre 60 a 80 por cento das mulheres passam por isso pouco depois de dar à luz, e muitas delas se sentem exauridas, incapazes de dormir, ansiosas e com uma impressão de estarem “reféns” da situação. Pode haver também mudança no apetite (para mais ou para menos), irritabilidade, preocupação excessiva quanto ao papel de mãe e até uma sensação de que a maternidade nunca será prazerosa. Ou às vezes os motivos da tristeza são aparentemente “bobos”, mas a consciência de que eles não são tão importantes assim não adianta nada para eliminar a vontade de chorar. 

Todos esses sentimentos são normais durante as primeiras semanas após o nascimento de um bebê. Em alguns casos a tristeza persiste por mais tempo. Lembre-se de que as responsabilidades que acompanham a chegada de um filho podem, de repente, parecer pesadas demais, e que para muitas mulheres a “ficha” da maternidade só cai de fato depois de alguns dias em casa com aquele novo serzinho. 

Melancolia e tristeza não são doença, e se dissipam por conta própria, sem necessidade de tratamento específico. Bastam o apoio da família, de amigos, bastante descanso e o tempo — normalmente a sensação vai embora em duas ou três semanas. 
O quadro muitas vezes é confundido com a depressão pós-parto devido à similaridade de alguns sintomas. Porém, se você tem histórico de depressão ou se há casos na sua família, a depressão pós-parto é uma possibilidade real. Caso os sintomas sejam preocupantes — tais como idéias suicidas ou incapacidade de cuidar de si mesma ou do bebê –, procure ajuda médica imediatamente, mesmo que seja do seu ginecologista ou até do pediatra do seu filho.” 

Não se sinta mal se sentir essa tristeza, insegurança e tudo mais citado nesse texto. Você não escolhe isso. E nada disso significa que você não ame seu filho ou não se sinta abençoada e grata por ele. Uma coisa não tem NADA a ver com a outra. XÔ CULPA! Essa fase PASSA. Foque nisso: ela vai acontecer mas ela VAI PASSAR. Depois você nem vai lembrar porque chorou, porque ficou tão triste. Falei disso no post A “Amnésia do amor maior” e seus clichês, quando a Laura tinha 1 ano e 3 meses (Abril de 2013): você esquece porque foi tão difícil, apenas sabe que foi.

Não se sinta mal por esses sentimentos: você está MUITO longe de ser a única. Desabafe, respire. O tempo voa e logo tudo isso terá passado.

Bjokas!

Fontes: Babycenter, Blog da Saúde (Ministério da Saúde)  e blog Mãe-Me-Quer.

 

Comente!

  • Francielly Indyane de Souza

    Nossa senti tudo isso.. Agora está mais fácil depois de 1 mês, sempre falam q mãe sabe o motivo q o filho está chorando, mas comigo nao era bem assim, mesmo apos estar com a fralda limpa, ter mamado e nao estar com dores ele continuava chorando, só depois percebi q era sono, com o tempo vamos aprendendo. No começo além de ser tudo novo vem várias pessoas dando suas opiniões, e você se sente fazendo tudo errado. Depois a gente aprende que conhecemos sim nosso bebê e que devemos escutar apenas os conselhos q acrescentam algo para nós.

  • Janine Mattos

    Minha filha tem apenas 16dias e já estou sentindo tudo isso, nossa muito bom ler esse texto é saber que não sou a única a me sentir insegura, triste e às vezes culpada com sensação de que não nasci pra ser mãe.

  • Bárbara Noronha

    Muito obrigada pelo texto… Ler algo assim é um acalento infinito pra uma recém mãe meio desesperada! Obrigada meeeesmo! ???

  • Milca

    Nossa!! Por um momento cheguei a pensar que era só comigo que isso estava acontecendo e agora ao saber que não, que isso acontece com a maioria das mulheres, que é NORMAL e que PASSA me faz sentir um alívio muito grande. Minha filha tem 08 dias de nascida e desde o dia em que ela chegou que venho observado em mim grande parte dos sintomas descritos: insegurança, sensação de que toda a responsabilidade é somente minha e que realmente eu estou “refém” da nova realidade, sentimento de que todos continuam suas vidas normalmente e somente eu tenho que mudar toda minha vida, muito medo de ficar sozinha com minha filha e não saber o que fazer, necessidade exacerbada de ter meu marido, minha mãe e minha irmã comigo o tempo todo, quando eles precisam sair pro trabalho ou faculdade sinto uma tristeza enorme e muito medo do que nem eu sei. E a melancolia é muito forte, e se mistura com a culpa, dá saudade de quando éramos apenas eu e meu marido, da nossa rotina de casal, de quando saíamos juntos para o trabalho, íamos juntos para a faculdade e curtíamos juntos nossas folgas e finais de semana, simultaneamente vem a culpa por sentir tudo isso, como se eu fosse ingrata e não estivesse feliz com a chegada de nossa filha, mas isso não é verdade, eu sou grata e feliz sim, só não me sinto assim nesse momento.
    Não, não está sendo nada fácil, e perdemos até a vontade de conversar ou mesmo a coragem de desabafar, pois não sabemos se seremos compreendidas.
    E é isso, meu maior desejo é que isso passe logo e que chegue o momento em que olharei para trás e respirarei aliviada por tudo ter se normalizado.