Julia teve Enterovírus aos 8 meses e Laura RotaVírus aos 5 meses. O que são?

Viroses, enterovírus, rotavírus…

(Imagem: © Corbis)

(Imagem: © Corbis)

Semana passada Julia teve um febrão daqueles, 39 graus. Chorava, rejeitava a comida (ela come super bem) e agia irritada. Liguei para a pediatra, que perguntou sobre coriza, tosse, vômitos e outros sintomas (não tinha nenhum). A resposta foi aquela: Virose.

As pessoas se questionam se hoje tudo é virose pois a resposta tende a ser essa, mas a questão é que geralmente são vírus que, se fossem investigar por exames de laboratório para confirmar e tratar, levaria dias para se ter o resultado (e a criança já estaria boa até lá).

Segundo o Dr. Drauzio Varella, “Viroses infantis são termos desprovidos de significado médico.  No passado, como não se dominava o conhecimento e a tecnologia necessária para fazer diagnósticos precisos, muitas doenças recebiam a classificação genérica de viroses. Na verdade, esse nome funcionava como uma lata de lixo onde se atiravam todas as febres infantis sem causa aparente. “É virose, vai passar em poucos dias”, e as famílias se conformavam com o nariz escorregando, a diarreia, a febre, o mal estar, a inapetência e a imagem abatida da criança.

Atualmente, os médicos contam com recursos laboratoriais e de imagem para fazer diagnósticos mais rápidos e seguros – o que é muito importante mesmo nos casos de virose – pois nem todos os vírus são iguais. Aliás, são seres relativamente simples, mas muito diferentes uns dos outros. Em comum, têm a característica de necessitar de uma célula viva que lhes sirva de hospedeira para reproduzirem-se.”

A pediatra disse para medicar com anti térmico e esperar. Observar apenas se houvesse erupção na pele e se persistia a febre. Não deveria forçar a comida e tirar os verdes da papinha, para melhor digestão. Caso a febre voltasse – ou a irritação ficasse bem evidente (significando mal estar com qual ela não sabia lidar), daria mais anti térmico.

2ª feira febrão, 3ª feira febril 2x, 4ª feira surgiram as bolinhas vermelhas (como se estivesse empolada ou com alergia ao calor) e carinha de abatida, mas sem febre. 5ª e 6ª feira irritação. Até 6ª houve diarreia, cocô mole. Sábado estava ótima e comendo normalmente.

Embora seja mais comum com a entrada na escola, nenhuma das minhas filhas pegou ao entrar ou depois de começar a frequentar a escolinha. Julia, acreditamos, pegou em uma festinha no domingo, dia anterior ao febrão. Laura, aos 5 meses, pegou em uma sessão de cinema para bebês. A diferença entre as duas foi a idade (Julia está com 8 meses), o fato de a Laura ter ficado muito mais cheia de bolinhas vermelhas, da bochecha até a cintura (a Julia teve mais na região do pescoço e peito, além da testa) e o tipo de vírus (Julia foi enterovírus e Laura foi rota vírus)

Em recente evento com a Dra. Ana Escobar, ela disse que o rota vírus é capaz de ficar até 25 dias em uma superfície, exposto a qualquer mãozinha, dedinhos ou até um vento que o carregue até alguma criança.

ROTAVÍRUS

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Existem sete sorotipos diferentes de Rotavirus, mas somente três deles infectam o humano. Essa variedade de sorotipos explica por que a pessoa pode ser infectada mais de uma vez, embora seja possível desenvolver certo grau de proteção cruzada que torna mais leve a infecção por um tipo diferente de Rotavirus. Laura, por exemplo, nunca mais teve depois dos 5 meses de idade.

A infecção pode ocorrer em qualquer idade. A estimativa é que até os cinco anos todas as crianças terão pelo menos um episódio de infecção e que uma em cada 300 infectadas pode morrer em consequência das complicações. Nos adultos, a infecção costuma ser mais benigna.

Rotavirus é transmitido por via fecal-oral, pelo contato direto entre as pessoas, por utensílios, brinquedos, água e alimentos contaminados. Medidas de saneamento básico são fundamentais para prevenir a transmissão do vírus.

Sintomas

Em alguns casos, a infecção pode ser assintomática. Quando os sintomas aparecem, os mais importantes são: 1) diarreia aguda, geralmente aquosa, sem sinais de muco e sangue; 2) vômitos; 3) febre e mal-estar; 4) coriza e tosse, às vezes; 5) desidratação, nos quadros graves.

Os quadros leves são autolimitados: a infecção dura alguns dias e regride. Os mais graves estão associados à desidratação e podem ter complicações fatais.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico pode ser confirmado por um exame laboratorial específico para pesquisar a existência do vírus nas fezes do doente. A amostra deve ser coletada nos primeiros dias da infecção.

Tratamento

Não existem medicamentos específicos para combater a infecção por Rotavírus. O fundamental é manter a criança hidratada, repondo constantemente o líquido perdido nos vômitos e nas evacuações. São sinais de desidratação: letargia, irritabilidade, muita sede, diminuição do volume da urina, boca seca, olhos encovados, ausência de lágrimas, perda do turgor da pele.

Os quadros leves podem ser tratados em casa, com soro caseiro, muito líquido e alimentação normal, especialmente se for leite materno, mas sempre respeitando a orientação médica. Os quadros graves exigem internação hospitalar.

Vacina

A vacina contra o Rotavírus produzida com vírus humano atenuado começou a ser usada, no Brasil, em 2006 e faz parte do calendário do Programa Nacional de Imunizações. Foram licenciadas duas formas de apresentação. A monovalente, que deve ser administrada por via oral em duas doses (aos dois e quatro meses) e a pentavalente, em três doses (aos dois, quatro e seis meses). O intervalo mínimo entre uma dose e outra é de 30 dias.

Em 2014, os prazos limites máximos para aplicação da vacina monovalente foram estendidos. A primeira dose pode ser administrada até os 3 meses e 15 dias e a segunda, até os 7 meses e 29 dias.

Desde que essas duas formas da vacina começaram a ser administradas, os casos de gastrenterite diminuíram muito.

 Recomendações

* Lave as mãos cuidadosamente e com frequência, especialmente depois de usar o banheiro e de trocar as fraldas das crianças, antes das refeições e quando for preparar os alimentos;

* Lave bem e deixe mergulhados em solução desinfetante frutas e legumes que vão ser ingeridos crus;

* Use água tratada para beber e no preparo dos alimentos;

* Mantenha sempre bem limpos os utensílios de mesa e os que são usados na cozinha;

* Lembre-se de que o soro caseiro e os produtos equivalentes contêm sais minerais importantes para reidratar o paciente não encontrados na água pura;

* Procure o médico tão logo a criança apresente episódios de diarreia aguda.

ENTEROVÍRUS

Os enterovírus estão entre os vírus mais comuns em todo o mundo. Em regiões de clima temperado, a incidência das infecções causadas por enterovírus atinge o pico durante os meses de verão e outono (junho a outubro, nos Estados Unidos). Nos trópicos, a transmissão ocorre durante o ano todo.

Atualmente, os enterovírus são mais frequentemente transmitidos de um indivíduo a outro, pela via fecal-oral ou respiratória, embora a transmissão via fomites também ocorra. As crianças pequenas são os transmissores mais importantes destes vírus, sendo comumente o caso índice em surtos nas famílias e nas escolas.

Os enterovírus constituem uma causa comum de doença febril. A febre pode ser o único sintoma ou a infecção pode ser acompanhada de erupções ou sintomas respiratórios (o “resfriado de verão”). Em bebês, os sintomas incluem irritabilidade, letargia, anorexia, vômitos e diarreia. Devido à necessidade de excluir a possibilidade de infecções bacterianas potencialmente sérias, uma elevada proporção de bebês com doença febril enteroviral requer avaliação para detecção de uma possível meningite ou sepse bacteriana

(Fonte: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/acp-medicine/5171/infeccoes_virais_entericas_%E2%80%93_nino_khetsuriani_umesh_d_parashar.htm  )

CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS DAS VIROSES

O Dr. Drauzio Varella entrevistou a Dra. Denise Varella Katz, que é médica pediatra, membro do Departamento de Pediatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e do Hospital Albert Einstein e coloquei abaixo alguns trechos.

Drauzio – Qual a principal característica das viroses?

Denise Varella Katz – Virose não é um termo técnico em medicina. Quando o médico diz que a criança tem uma virose, tanto pode significar que tem um resfriado comum ou uma diarreia, porque existem vírus que se alojam no trato respiratório, assim como existem os que se alojam no trato intestinal e causam diferentes sintomas.

O importante, porém, é que as viroses costumam ser doenças benignas, autolimitadas, que geralmente desaparecem numa semana, dez dias.

Drauzio – Como a mãe reconhece que o filho contraiu uma virose?

Denise Varella Katz – Quanto mais novo for o bebê, principalmente antes dos três meses de idade, o primeiro sinal é a criança mamar menos e ficar menos espertinha. Já as mais velhas ficam mais chorosas, mas sabem contar o que sentem. Esses são os sinais subjetivos das viroses.

Os sinais objetivos são coriza, tosse, febre, que a mãe prontamente reconhece.

Portanto, febre, nariz escorrendo, indisposição e, em quase 100% dos casos, perda de apetite – o bebê mama menos no peito ou recusa a mamadeira, ou nada apetece à criança maior – são sinais precoces de que um vírus pode estar alojado no sistema respiratório ou intestinal.

Drauzio – Quais são as principais características da infecção pelo rotavírus?

Denise Varella Katz – Uma vez por ano, o rotavírus provoca uma epidemia. Como existem vários subtipos de rotavírus, o fato de a criança ter sido infectada uma vez não significa que esteja imunizada definitivamente.

Os sintomas clássicos da infecção, que costuma durar sete dias, são diarreia aguda, febre e vômitos. Muitas vezes, no primeiro dia, as manifestações são febre e diarreia e só no segundo ou terceiro de evolução aparecem os vômitos.

Atualmente, já se consegue isolar o rotavírus nas fezes, o que permite fazer o diagnóstico em poucas horas. Nos casos positivos, a primeira medida terapêutica é introduzir a hidratação que pode ser feita em casa por via oral ou, nos casos mais graves, por via endovenosa em ambiente hospitalar.

Drauzio – Como a hidratação pode ser feita em casa?

Denise Varella Katz – A terapia de hidratação oral com soro caseiro foi criada há mais de 50 anos e continua prevalecendo até hoje.  A receita é simples: em um litro de água, dilui-se uma colherinha de chá de sal e uma colher de sopa de açúcar.

A água de coco é outro recurso importante para a reidratação porque é um soro fisiológico eficaz e de preço accessível.

É isso, queridos: observar é fundamental. Febrão de 39 graus NUNCA é algo normal. Leve seu filhote ao Pronto Socorro ou ligue para o pediatra do seu filho no primeiro sinal de febre alta e irritação. Hidrate e observe. Siga as recomendações médicas que logo seu filhote estará pulando e brincando <3

Beijos!

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  • Lua Mariano

    Ô judiação com esses pequenos, acredito que o clima influencia, e essa variação de tempo está pesada nessa temporada.

    beijo Mari!

    Lua.
    meumundodalua.com