Julia teve Influenza A. Como foi, o que é, como saber se não é virose/gripe e o que se deve fazer.

Julia e a Influenza A

hashtag chiatiada #chati <3

Demorei para escrever sobre esse episódio de Influenza A, não só pelo caos estabelecido nas férias escolares/nova rotina de início de ano, mas – principalmente – porque esse nome causa pânico.

Ano passado o surto assustou demais e há médicos que até hoje dizem que foi algo super irresponsável por parte da mídia o pânico que as notícias geraram. Faltaram vacinas e algumas escolas e condomínios fizeram até mutirões de vacinação. As pessoas estavam desesperadas para vacinar seus filhos.

Voltando para o caso da Julia: meu marido e ela vieram de Lisboa para São Paulo em vôo noturno e eu e Laura viemos na manhã seguinte, em vôo diurno. Eles chegaram em São Paulo, nós saímos de Lisboa. Quando chegamos à São Paulo, Julia estava com o nariz escorrendo (até aí, nada demais).

No dia seguinte febre. Mediquei e baixou. Voltou a febre. Mediquei e baixou. No dia seguinte (2 dias após o vôo), ela acordou com febre de novo e liguei para a pediatra. Ela pediu que levássemos a Julia ao Pronto Atendimento do hospital para fazer exame de Influenza pois 3 pacientes dela pegaram em um vôo de volta da Itália naquela semana – e nós estávamos voltando de outro país da Europa, continente onde era inverno. Levamos na mesma hora pois a pediatra das meninas sempre é super sossegada, minimiza tudo, então se ela pede para levar ao PA…

O exame (uma espécie de cotonete que passam na boca e no nariz para coletar mucosa) teve resultado em 30 minutos e foi positivo. Já eu, marido e Laura não tivemos. Acredito que por termos nos vacinado nesse surto do ano passado (no tal mutirão da escola – obrigada mutirão!), já que Juju ainda não tinha idade para tomar. Mais abaixo falo das vacinas.

A Influenza A e o pânico.

Juju dormindo no vôo, no bercinho que a TAP disponibiliza (mediante a reserva) para bebês até 11kgs.

Claro que eu assustei com a possibilidade e, depois, com o diagnóstico positivo de Influenza A. O nome já assusta. Porém, minha pediatra estava super tranquila e até riu quando eu contei o que me deixou chateada no PA.

Assim que o resultado deu positivo, a médica que nos atendeu deu uma máscara para mim e para o meu marido, além de uma extra para a Julia. Meu marido estava com viagem marcada para os EUA em 4 dias e ela pediu que ele fosse – de máscara – até a unidade adulta (na mesma avenida, porém alguns prédios de distância.

Mas o que me doeu mesmo foi a médica não ficar mais perto da gente, falando conosco lá da porta e ainda terminando a consulta com: “Nossa, ela é linda. Eu poderia passar o dia todo olhando ela DAQUI” (lá da porta). As pessoas que entravam estavam com máscara e luvas e saiam correndo assim que terminavam o que tinham que fazer na Julia. Parecia que a menina – e nós – tínhamos ebola.

Como eu disse, a nossa pediatra riu quando eu contei isso. E foi a tranquilidade dela que me deixou mais sossegada. Mas que eu fiquei p da vida, fiquei. Eu super entendo que outras crianças entram lá e que eles devem ter cuidado com contágio, mas passar pânico e fazer a gente se sentir mal DENTRO de um posto médico? Enfim.

O tratamento da Julia contra a Influenza A.

Muito dengo, carinho, água e medicação na hora certa, sem pular ou interromper.

Já saímos do PA com o famoso Tamiflu e uma dose específica foi nos passada. Diluía, a capsula em x mls, daí dava apenas x mls. 2 vezes ao dia por 5 dias. Isso somado ao antibiótico (2x ao dia por 10 dias) e também antitérmico em caso de febre (ela teve mais umas 2 vezes). Isso tudo, fora o colo gostoso pois ela ficou mais sensível, mais dengosa.

O Cris chorava, eu sofria por manter as duas afastadas, mas ela tirou de letra. A parte chata mesmo era dar os medicamentos, mas no 5º dia ela já abria a boca resignada que seria assim. A parte MAIS chata era vê-la chamando a Laura (“AUÁ”) e vendo as duas tristes por não poderem estar juntas. Como era férias escolares ainda, Laura foi dormir cada dia na casa de um familiar.

Ainda sobre o tratamento, segundo o site do Dráuzio Varella: “É de extrema importância evitar a automedicação. O uso dos remédios sem orientação médica pode facilitar o aparecimento de cepas resistentes aos medicamentos. Os princípios ativos fosfato de oseltamivir e zanamivir, presentes em alguns antigripais (Tamiflu e Relenza) e já utilizados no tratamento da gripe aviária, têm-se mostrado eficazes contra o vírus H1N1, especialmente se ministrados nas primeiras 48 horas, que se seguem ao aparecimento dos sintomas”

O tratamento geral é direcionado para o alívio dos sintomas, com analgésicos e antitérmicos. Sempre com orientação médica. Mas muito cuidado: os medicamentos à base de AAS são contraindicados. Muitos líquidos, repouso e uma alimentação saudável.

Mas o que é a Influenza A?

A gripe H1N1, ou influenza A, é provocada pelo vírus H1N1, um subtipo do influenzavírus do tipo A. Ele é resultado da combinação de segmentos genéticos do vírus humano da gripe, do vírus da gripe aviária e do vírus da gripe suína, que infectaram porcos simultaneamente.

O período de incubação varia de 3 a 5 dias. A transmissão pode ocorrer antes de aparecerem os sintomas. Ela se dá pelo contato direto com os animais ou com objetos contaminados e de pessoa para pessoa, por via aérea ou por meio de partículas de saliva e de secreções das vias respiratórias. Experiências recentes indicam que esse vírus não é tão agressivo quanto se imaginava.

Segundo a OMS e o CDC (Center for Deseases Control), um centro de controle de enfermidades, nos Estados Unidos, não há risco de esse vírus ser transmitido através da ingestão de carne de porco, porque ele será eliminado durante o cozimento em temperatura elevada (71º Celsius).

Como saber se é gripe ou outra virose?

A gripe por Influenza, seja do tipo A (H1N1) ou do tipo B, que são as mais comuns nos dias de hoje, dão sintomas mais intensos. Uma boa dica para avaliar crianças que tem febre é observar como elas ficam quando a febre baixa com antitérmicos. Quando a febre baixou observe se a criança está disposta, alegre, com energia para brincar e comendo. Se assim for, tranquilize-se e podemos seguir observando.

Por quanto tempo? Até por 72 horas. No entanto, se as crianças – depois que a febre baixou- ficarem indispostas, largadinhas, inapetentes, irritadas, sem energia e respirando rápido, melhor procurar atendimento médico.

Quais são os sinais de alerta? Quando procurar um hospital?

Vale para todas as idades: procure um hospital se você estiver apresentando os sintomas da gripe acima descritos, com bastante intensidade, principalmente com muita dor pelo corpo, febre alta e respiração difícil.

A VACINA

<3

A vacina contra a influenza tipo A é feita com o vírus (H1N1) da doença inativo e fracionado. Há dois tipos de vacina: a trivalente e a tetravalente (ou quadrivalente). São os seguintes os vírus nelas contidos: Trivalente: A ( H1N1); A ( H3N2); Influenza B e Tetra ou Quadrivalente: A ( H1N1); A ( H3N2); 2 vírus Influenza B (vejam que o A ( H1N1) está contido nas duas).

Estão indicadas para todas as pessoas, exceto para bebês com menos de 6 meses de idade. Mas atenção: dependendo do fabricante da vacina, um dos tipos de tetra só pode ser dado para crianças maiores de 3 anos de idade. A Trivalente pode ser dada para todos acima de 6 meses. Crianças de 6 meses a 1 ano em geral tem que tomar duas doses.

– Quanto tempo dura a vacina? Quem tomou em 2016 pode tomar este ano?

A vacina protege por 1 ano. Portanto, quem tomou em 2015 deve, sim, tomar este ano.

– A vacina estará disponível na rede pública? Quem pode tomar a vacina na rede pública?

Sim. Crianças de 6 meses a 5 anos de idade, gestantes, puérperas, idosos, profissionais de saúde, pessoas que vivem em instituições e a população indígena.

– É verdade que quem toma a vacina, pode ficar gripado?

Os efeitos colaterais são insignificantes se comparados com os benefícios que pode trazer na prevenção de uma doença sujeita a complicações graves.

– Quem não pode tomar a vacina?

A vacina é contraindicada para as pessoas com alergia grave a ovo, pois pode conter ovoalbumina, uma proteína do ovo responsável por reações alérgicas. Isso acontece porque existe uma etapa, durante o processo de produção da vacina, que os vírus crescem em ovos de galinha.

Recomendações

Para proteger-se contra a infecção ou evitar a transmissão do vírus, o Center Deseases Control (CDC) recomenda:

*  Ventile os ambientes. Se estiver em transporte público, ônibus, trem ou metrô, abra as janelas. Vale mais sentir frio do que pegar gripe.

* Lavar frequentemente as mãos com bastante água e sabão ou desinfetá-las com produtos à base de álcool;

* Jogar fora os lenços descartáveis usados para cobrir a boca e o nariz, ao tossir ou espirrar; Quando tossir, tape a boca com o antebraço e não com as mãos.

* Evitar aglomerações e o contato com pessoas doentes;

* Não levar as mãos aos olhos, boca ou nariz depois de ter tocado em objetos de uso coletivo;

* Não compartilhar copos, talheres ou objetos de uso pessoal;

* Suspender, na medida do possível, as viagens para os lugares onde haja casos da doença;

* Procurar assistência médica, se o doente pertence a um grupo de risco e se surgirem sintomas que possam ser confundidos com os da infecção pelo vírus H1N1 da influenza tipo A. Nos outros casos, permanecer em repouso e tomar bastante líquido para garantir a boa hidratação.

Espero ter esclarecido aqui alguns pontos sobre Influenza A. Principalmente, passe a mensagem para vocês que não é necessário pânico. Aqui foi super tranquilo o tratamento, porém por atenção e sabedoria da pediatra, que desconfiou logo.

Se você viajou para países em estações frias e logo teve coriza, febre e mal estar, vá logo ao posto de saúde fazer o exame. Tire logo do caminho essa dúvida. Quanto antes, mais rápido será a cura <3

(Fontes para esse texto: Site do Dr. Dráuzio Varella e site da Dra. Ana Escobar)

P.S.: Quando falo acima que eu mediquei e só depois liguei para a pediatra é porque esse é o nosso combinado com a pediatra. Temos aqui a dosagem e os casos quando usar. JAMAIS SE AUTOMEDIQUE OU MEDIQUE SEU FILHO SEM FALAR COM O PEDIATRA. Nem dosagem, nem mudança de medicamento – mesmo se indicado pelo farmacêutico (o que é proibido), como já falei no post Com Antibiótico Não se Brinca. 

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  • Illa Braga

    Graças a Deus a juju está bem!