Laura e a chegada da irmã

Feliz <3 (Foto do maravilhoso Celso Tavares, para matéria do Ego. Foto de propriedade do site Ego/Globo)

Feliz <3 (Foto do maravilhoso Celso Tavares, especialmente para matéria no site Ego. Foto de propriedade do site Ego/Globo)

Não sei bem em que ordem aconteceu, o que veio primeiro: nós sondando a Laura e introduzindo a possibilidade de um irmão/irmã ou ela vendo os amigos (90%) com irmãos menores e amando olhar os bebês e brincar com eles. Só sei que passamos a falar sobre isso ano passado, assim que decidimos que já era hora de tentarmos o 2º filho. Como a questão do Ovário Policístico (que já contei aqui em alguns posts) fez com que eu demorasse bastante para engravidar, esse tempo foi usado para fortalecer o diálogo, entender a cabecinha dela quanto à chegada de outro bebê em casa e estimular esse pensamento.

Elas nos surpreendeu pedindo um bebezinho quando rezávamos juntos e, quando fomos para a viagem Madri, Disney Paris e Paris, era isso que ela pedia ao rezarmos na igreja. Partia dela mesmo, nós não incentivávamos, apenas olhávamos emocionados. “Papai do Céu e Nossa Senhora, vocês trazem um bebezinho pra mim? Obrigada por tudo. Amém”

Rezando (com força hahaha) na Sacre Couer, em Paris, em maio desse ano. Mês e viagem em que eu engravidei. <3

Rezando (com força hahaha) na Sacre Couer, em Paris, em maio desse ano. Mês e viagem em que eu engravidei. <3

Quando fiz o exame de farmácia, esperei. Como já contei aqui várias vezes, eu já havia perdido um bebê antes da Laura e, assim como na gestação da Laura, decidimos esperar ver o coração batendo no ultrassom para poder contar para a família e o morfológico para contar para o mundo (hahaha). Não é por crença em nada, mas porque é horrível ter que lidar com a frustração dos outros, além da sua e do seu companheiro. Imagina que eu descobri que havia perdido durante um ultrassom, então, ao sair da sala, era a família ligando para saber como foi, toda animada, e nós arrasados… Agora imagina isso na cabeça de uma criança de 3 anos? Não dá. Quando vimos o coraçãozinho e viemos  para casa com o DVD do exame, a primeira pessoa a saber foi a Laura. Colocamos o DVD e contamos. Ela ficou feliz, assimilando ali, e depois ela foi a portadora da notícia para meus pais, meus sogros, cunhados…

O mais impressionante foi ela ter guardado segredo na escola e entre pessoas “que não eram da família” até que o morfológico fosse feito e chegássemos à 12ª semana com tranquilidade. Ela não contou para ninguém, absolutamente. Isso não significa que ela não teve seus momentos de estranhamento, de reações que nem ela sabia reconhecer o porquê. O primeiro deles foi, quando contamos que seria outra menina, ela disse: “mas eu pedi pra Nossa Senhora e Papai do Céu um bebezinho, não uma irmã, uma menina” hahahaha E isso foi sendo conversado aos poucos, como é até hoje. “Seremos uma família Frozen, amor. Você será a Elsa e ela a Anna. Duas princesas que dividirão esse castelo com muito amor” e por aí foi.

Mesmo não tendo contado para ninguém, alguns comportamentos dela fizeram com que profissionais da escola desconfiassem. Um dia, após um escândalo sem tamanho na natação, com direito à jogar coisas em mim e gritos histéricos no vestiário, uma das monitoras da academia perguntou se eu não estava grávida. Semana seguinte, após ter passado por alguns dias sem brinquedo algum e com meu coração do tamanho de uma ervilha, como relatei aqui nesse post de insta, foi a vez de alguns dias entrecortados não querendo entrar na escola e ficar agarrada comigo. Vendo isso acontecer com uma criança que sempre entrou correndo e sorrindo para ver os amigos e curtir a escola, a diretora e uma das responsáveis pela secretaria perguntaram a mesma coisa. Meu olhar não negou hahaha Mas aproveitei para chamar a professora, pedir sigilo, mas dizer o que estava acontecendo para que houvesse um acompanhamento lá dentro da escola do comportamento que ela pudesse apresentar e uma compreensão pelo momento vivido emocionalmente por ela. Se ela fizesse algo, se comportasse de forma diferente, haveria um entendimento diferente sobre aquilo, um acompanhamento mais focado.

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A Semana do Chá de Fraldas beneficente da Julia também teve episódios de comportamentos dela como querer me desafiar, manhas, gritos… Mas passou. Acho que o fato de ver todo mundo colocando a mão na minha barriga, a atenção voltada ao bebê e tal. Como eu nunca tive um irmão ou irmã parte de mãe – com quem sempre morei (tenho 3 irmãos, um no céu e duas irmãs que moram longe, mas são filhos do meu pai e sempre moraram no Rio e eu em SP), não sei como ela se sente sabendo que vai dividir os pais depois de 4 anos de “reinado” hahaha Conversamos muito com ela e procuro entender muitas das reações dela nesse momento, como algo relacionado à chegada da irmã. Ela vem dormindo bastante comigo, por exemplo, mas sabe que isso vai parar já já. Sei que deveria carregar ela menos no colo, mas tá difícil resistir e fico me sentindo culpada (além da delícia que é hahaha). Já tinha ouvido de amigas que tiveram o 2º filho que a preocupação com o 1º é que cresce, que você quer ter certeza que o mais velho não eseja se sentindo de lado, negligenciado… Eu já estou assim agora, imagina quando nascer. Já vou ficar preocupada em plena maternidade querendo que as pessoas deem atenção para a Laura assim como para o bebê… aff

Mas 80% do tempo ela tem sido absolutamente carinhosa com a minha barriga, quis usar um colar no pescoço com um anjo de pingente pois “é a Julia, Mamãe”, quis comprar presente (roupa) para irmã… Procuramos integrar ela em tudo que tem a ver com a irmã, desde a escolha do nome (foi ela mesmo e, se fosse menino, seria João Pedro, segundo ela) até os cuidados com o quarto e mostrar como será cuidar dela (banho e troca de fraldas – treinamos com bonecas, por exemplo). Postei esse vídeo dela falando com a minha barriga:

Video para incorporar:

E nisso de integrar a Laura para a chegada da Julia, a minha obstetra tem sido INCRÍVEL. Na nossa última consulta, por exemplo, Laura já de férias escolares me acompanhou e a Dra. Lu mostrou como é o parto, como a Julia fica na minha barriga, “ensinou” a cortar o cordão umbilical, deu para ela o aparelho de doppler para que ela escutasse sozinha o coração da Julia na minha barriga… Ela ficou toda orgulhosa e feliz por ver como é.

Aprendendo com a nossa cegonha linda, Dra. Luciana Taliberti <3

Aprendendo com a nossa cegonha linda, Dra. Luciana Taliberti <3

 

E ouvindo o coração da irmã, também na consulta.

E ouvindo o coração da irmã, também na consulta.

A chegada da Julia mudou os planos que tínhamos para 2016 de a Laura já ir para a escola que ela seguirá até o colegial (se tudo der certo). A escola dela atual (QUE EU AMO ADORO SOU FÃ QUERO PARA SEMPRE) só vai até 6 anos e já queremos que ela alfabetize dentro do processo da escola seguinte para que não haja nenhuma confusão de adaptação. Ela iria em 2016, mas seriam muitas mudanças de uma vez: ambiente novo, amigos novos, amigos da escola (juntos desde 1 ano de idade) deixando de estar presente todos os dias… Adiamos para 2017, ano que começa mesmo a alfabetizar na outra escola (e ano que a Julia deverá entrar na escola atual da Laura, na mesma idade em que ela entrou). Já basta que as aulas da Laura em 2016 comecem na mesma época que a irmã vai chegar, né? Já veremos como vai ser isso coincidindo hahahah

Claro que eu não acho que será fácil quando a Julia nascer e acredito que possa haver um momento “beleza, já vi, agora pode guardar no armário que já brinquei”, algo do tipo “acabou a novidade, agora me deixa reinando”, mas isso é totalmente compreensível – assim como o futuro ciúme – e estranho seria se nada mudasse. O futuro vai mostrar e nos ensinar essa vida nova. Como eu digo quando me perguntam se o blog vai mudar para “Mamãe de SEGUNDA Viagem”: eu ainda serei mãe de primeira viagem, agora com duas em casa, tudo novo, muito a aprender…

Pretendemos seguir introduzindo ela em tudo que for possível. Troca de fraldas, banho, horário da mamada, banho de sol… Ela é parte importantíssima desse processo todo, a construção da nossa família. E que venham os aprendizados, as culpas, as emoções e essa avalanche de amor maior ainda.

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  • Micheli Lozano

    Que Lindo! Nesse momento provavelmente a Júlia ja deva ter nascido. Ser mãe de duas princesas que coisa mais linda! Conheci seu blog hje, contando a história da chegada da Laura e agra lendo sobre a chegada da Júlia. Adorei, serei uma fiel leitora! Estou me preparando pra ser mãe estou ansiosa e com um pouco de medo, mas Deus vai me ajudar a controlar isso! Família Linda a Sua!! Parabéns que Deus os abençoe grandemente!