Longevidade: os bebês de hoje chegarão aos 107 anos. Mas, será que viverão de forma saudável?

Longevidade: nossos bebês chegarão saudáveis aos 107 anos?

Quando, em um evento sobre longevidade, eu ouvi que os bebês que nascem hoje têm expectativa de vida de 107 anos, achei incrível. Porém não demorou muito para que isso me deixasse, na verdade, preocupada.

Estariam nossas crianças preparadas para viver tantos anos? Viver 107 anos não significa viver BEM e saudável por todo esse tempo. Um estudo global do renomado The Economist (Intelligence Unit), apresentado na Alemanha semana passada, mostra que os jovens de hoje terão menos saúde com 65 anos do que os adultos que hoje tem mais de 65 anos.

O evento reuniu especialistas de diversas organizações de renome como ONU, UNICEF, UNAIDS, Federação Mundial da Obesidade e McKinsey que discutiram não só o estudo sobre longevidade, mas também soluções para um futuro mais saudável.

Darmstadt, Alemanha #GCHD17

O estilo de vida dos jovens e crianças de hoje refletem em alguns dos  resultados na pesquisa:

  • 86% serão sedentários
  • 81% perigam ter falta de exercícios quaisquer
  • 57% correm risco de terem doenças crônicas
  • NO BRASIL HOJE a média de obesidade infantil chega a 34%

Como os pais e as escolas podem melhorar essa realidade em direção à longevidade.

O que determina uma expectativa de vida saudável é a junção de quatro fatores: nossa biologia, o gênero (mulheres acabam por ter mais saúde e são menos afetadas por certos hábitos), status social e estilo de vida.

Alimentação.

Falar para uma criança que comer brócolis é bom para ela e não explicar porque é um dos maiores erros que nós pais e os educadores cometem. A criança deve entender isso para que tenha melhor consciência. O hábito da alimentação balanceada começa em casa e deve ser mantida e estimulada na escola.

Quando eu era pequena, minha escola tinha horta. Era muito legal ver aquilo que plantávamos indo para a mesa, para nossa boca. Fiquei sabendo que minha ex escola não tem mais isso e me preocupei.

A Laura teve isso na escola anterior e chegava em casa falando o que era saudável, como foi legal plantar, ver crescer e poder comer algo que ela plantou. Porém, há uma discrepância enorme entre as escolas brasileiras e acaba que os resultados das pesquisas são desleais.

O Brasil tem inúmeras realidades, um abismo entre classes sociais e status sociais. Você tem escolas com todas essas preocupações nutricionais e em atividades físicas, mas encontra escolas que nem tem COMO ($$) se preocupar com isso. A média tirada nas pesquisas acaba sendo um pouco irreal.

Isso sem contar que a alimentação sem qualidade é muito mais barata e fácil de conseguir. Fast Food, comidas processadas, salgadinhos, doces… Daí é responsabilidade dos pais equilibrar a alimentação e explicar o mal que certas comidas fazem em excesso. E teria que ser responsabilidade da escola fornecer alimentação de qualidade nas cantinas e nas merendas.

A má alimentação gera crianças que são ao mesmo tempo anêmicas e obesas por conta da péssima qualidade dos alimentos. A crianças perdem desenvolvimento cognitivo, afeta o desenvolvimento dos órgãos, tem a ligação dos neurônios prejudicada, perdem curva de crescimento (os estirões)… Juntando essa má alimentação com falta de exercícios e sono precário: BOMBA.

Exercícios Físicos.

Nossa juventude faz cada vez menos esportes e está cada vez mais voltada para atividades sedentárias (tecnologias, redes sociais, jogos online e etc.). Estimular que brinquem na praça, ao ar livre, determinando tempo limite para atividades como tv, jogos e atividades no cel/tablet é o que podemos fazer de melhor pelos nossos filhos. De novo, com equilíbrio dá para fazer tudo.

No caso das escolas, 2x por semana de educação física é pouco. A Dra. Joyce Capelli – que apresentou dados sobre projetos de sucesso que acontecem no Brasil e falou do trabalho incrível que faz com a Inmed Brasil pelo país – me contou sobre um estudo que me deixou de queixo caído.

O estudo, realizado pela Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade norte-americana Johns Hopkins, revelou que com um aumento de 32% para 50% no número de crianças do ensino fundamental que fazem, ao menos, 25 minutos de atividade física três vezes por semana, podem ser poupados R$70 bilhões (US$ 21,9 bilhões) em custos médicos e salários perdidos ao longo de suas vidas.revelou que com um aumento de 32% para 50% no número de crianças do ensino fundamental que fazem, ao menos, 25 minutos de atividade física três vezes por semana, podem ser poupados R$70 bilhões (US$ 21,9 bilhões) em custos médicos e salários perdidos ao longo de suas vidas. (Fonte: https://www.facebook.com/notes/inmed-brasil/estudo-aponta-que-aumento-de-atividade-f%C3%ADsica-na-inf%C3%A2ncia-reduz-bilh%C3%B5es-em-gasto/1430375587000452/ )

Ou seja, aumentar para 3x por semana nas escolas, já evitaria muitas doenças no futuro.

Duas das principais conclusões desse estudo do The Economist sobre o papel das escolas na vida saudável da criança:

  • Nos 5 países estudados (África do Sul, Índia, Arábia Saudita, Alemanha e Brasil), as escolas se concentram nos principais problemas detectados, tais como falta de exercício físico, mas ignoram os problemas de saúde mental de muitos jovens;
  • Há pouca evidência de que os ditos programas educacionais das escolas estejam conseguindo deter os crescentes níveis de obesidade e distúrbios mentais.

Ainda sobre “brincar do lado de fora”, que fique claro também que no caso do Brasil e outros países, não basta apenas o conhecimento, do quanto é bom para você fazer atividades – nem que seja na rua. Conhecimento não basta quando o ambiente não é propício para isso. Nosso “entorno” tem que ser viável para esses exercícios.

Não falo apenas de lugar seguro, mas em países que as temperaturas chegam a números muito baixos ou muito altos ou em que o ar é muito poluído, o ambiente realmente não ajuda.

A junção de forças faz a diferença.

Não basta a escola e os pais para que eles tenham uma vida saudável. É preciso investimento (dinheiro e/ou tempo) de órgãos federais, municipais, órgãos de saúde, capacitação de pessoas, envolver a comunidade e outros fatores.

Um exemplo de sucesso dessa “junção de forças” aqui no Brasil é o projeto “Crianças Saudáveis, Futuro Saudável” da Inmed Brasil.

Em parceria com a iniciativa privada e apoio das prefeituras locais, a estratégia do Crianças Saudáveis, Futuro Saudável é transformar as crianças em agentes de mudança, com a promoção de mensagens educativas em saúde, nutrição, higiene pessoal e ambiental para suas famílias e comunidades. Aqui nesse link você conhece as atividades do programa: http://www.inmed.org.br/paginas/Criancas_saudaveis_futuro_saudavel.asp

Esse debate – e a diversidade de participantes e opiniões – destacou como as lições aprendidas sobre a infância e adolescência têm origem além das experiências no lar e nas escolas e incluem, por exemplo, atividades comunitárias e apoio em termos de políticas. A mensagem essencial é a de que, se trabalharmos juntos em esforços complementares, nossas crianças e jovens estarão melhor preparados para se transformar amanhã em adultos e idosos mais saudáveis.

Um post, um alerta.

Nem sempre a criança tem escolhas (escola, ambiente, oportunidades), então temos que guiar para o que pode ser amenizado. Eu quis escrever esse post sobre o debate, para que sirva de alerta para os pais essa questão preocupante sobre a saúde dos nossos filhos rumo aos 100 anos.

Possamos fazer o que está no nosso alcance, para um futuro mais saudável dos nossos pequenos.

Mais informações sobre esse debate, incluindo o estudo da EIU, estão disponíveis em http://www.merck-consumer-health.com/en/industry/industry.html

* Viajei para Darmstadt, na Alemanha, à convite do Laboratório Merck, com todas as despesas pagas.

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