Mães: respeitem seus limites e não se culpem por eles. #Amamentação

(Imagem:  © Justin Paget/Corbis)

(Imagem: © Justin Paget/Corbis)

Quem acompanha o blog sabe que eu escrevo muito sobre respeitar seus limites, sua INDIVIDUALIDADE, seu metabolismo e lutar contra a culpa materna. O objetivo desse blog sempre foi falar com outras mulheres e tentar confortar famílias dividindo episódios e experiências que passei e passo na maternidade, desde a gestação, além de dicas, pareceres médicos e pesquisas.

Como muitos sabem também, me frustrei com dois grandes e importantes assuntos da maternidade: amamentação e parto. Fiz de tudo por um parto normal, mas acabou sendo cesárea. Tinha planos de amamentar pelo menos até 1 ano e amamentei apenas até 3 meses e meio da Laura. Desde então, tenho falado muito contra o bullying materno, contra os julgamentos alheios referentes a esses dois temas, principalmente.

Semana passada recebi um release com o título “Pesquisa inédita aponta mais um efeito benéfico da amamentação: aumento da inteligência” que diz que pesquisadores da Universidade de Pelotas (RS) acompanharam 3,5 mil recém-nascidos durante mais 30 anos e que, segundo a publicação – pela revista britânica The Lancet, uma das publicações cientificas mais importantes do mundo -, uma criança amamentada por pelo menos um ano obteve, aos trinta anos, quatro pontos a mais de QI e acréscimo de R$ 349 na renda média. O estudo completo está nesse link.

Talvez se eu tivesse lido esse release, esse estudo, há 3 anos, eu teria me sentido mal, mais culpada ainda. Mas hoje eu olho para minha filha e não tenho um A para falar do desenvolvimento dela, tanto físico quanto intelectual. ÓBVIO que não estou dizendo que tudo bem não amamentar. Até hoje eu fico chateada por não ter conseguido amamentar mais de 3 meses e meio, mas não me culpo mais. Fiz o que pude, dei o melhor que pude para ela. O leite materno é e sempre será o melhor alimento para o seu filho (e ainda por cima é gratuito hahaha), com tantos benefícios que não caberia repetir nesse post mais uma vez (é só colocar “amamentação” na busca do blog que você encontrará muitos dos benefícios, assim como meus desabafos). Sempre vou hastear a bandeira da amamentação, incentivar e fazer campanhas pelo aleitamento materno. SEMPRE. Mas jamais apoiarei quem aponta o dedo para quem não conseguiu ou teve algum impedimento para amamentar. Fazer uma pessoa se sentir culpada é um desserviço que mais afasta a pessoa daquilo, do que incentiva.

(Imagem: © Leah Warkentin/Design Pics/Corbis)

(Imagem: © Leah Warkentin/Design Pics/Corbis)

Meu marido e minha cunhada não mamaram pois minha sogra não tinha leite. São ambos bem sucedidos profissionalmente, inteligentes, ele ex atleta e ela com histórico de tae kwon do e ballet por anos. Minha filha sempre foi muito esperta, inteligente, faz bastante atividade física. Então não, não me sinto culpada. Fico muito feliz por todas que conseguiram amamentar por um ano ou mais, fico muito feliz que pesquisas assim incentivem e deem força às campanhas de amamentação e em uma futura gestação não pouparei esforços para aumentar esse meu tempo de lactante. Mas, temos que respeitar os limites do nosso corpo e os limites do outro.

Que pesquisas assim venham sempre para o bem, para o estímulo, o incentivo, mas que jamais sejam usadas por terceiros para apontar dedos, julgar ou fazer uma mãe se sentir mal. Já bastam todas as novas informações da vida materna, o medo de errar, os hormônios ensandecidos dentro do corpo da mulher.

Compreensão, amor e afago: isso sim faz diferença na vida da mãe.

(Meus 3 meses e meio de aleitamento materno foram lindos, pelo vínculo e pelo produtos que, depois da 1ª semana, me aliviaram e me fizeram sentir muito menos dor e mais conforto. Aqui nesse link você encontra pomadas e produtos Lansinoh essenciais para essa fase linda da sua vida.)

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  • Nathi Kury

    Concordo com tudo o que escreveu Mari! Já havia lido esse estudo e me preocupei com as interpretações errôneas que ocorreriam a respeito da amamentação. Claro que também apóio o leite materno em primeiro lugar, mais sei que tem mães que além de lidar com a frustração de não conseguirem amamentar (seja qual for o motivo), se sentem ainda mais culpadas (com sentimento até de inferioridade perante outras mães), por não conseguirem amamentar, e depois de lerem uma matéria dessa se sentem ainda piores Já atendi no consultório uma mãe que sofria por sentir essa culpa. Posso até dar o meu exemplo, minha mãe não teve leite e não conseguiu me amamentar, e nao sou diferente de ninguém por conta disso! Então que bom que há projetos como o seu blog, gerando informação de qualidade e aliviando a dor e angústias de muitas mães. Por isso que amo acompanhar sua página! Bjs! Adoro você! Nathalia Kury.