Mais do que nunca confirmando o cliché: o 2º filho deveria vir primeiro.

Amor multiplicado e mãe mais sossegada <3

Amor multiplicado e mãe mais sossegada <3

A razão maior dessa afirmação no título não é em relação ao bebê, mas em relação a mim.

Eu poderia apenas destacar que nos preocupamos menos em errar. Que olhamos para a mais velha e sabemos que fizemos coisas certas e, portanto, temos experiência para cuidar do bebê que acaba de aumentar a família (e multiplicar o amor nela). Que o choro “sem razão” é recebida pela mãe com menos “desespero” e insegurança. A gente respira mais, tem mais calma para lidar com os primeiros meses.

Eu já falei aqui no blog que Laura e Julia tiveram 2 primeiros meses bem diferentes. Laura não teve cólicas, apenas um episódio de gases, se adaptou perfeitamente a uma rotina que a pediatra ajudou a desenvolver, passou por 4 dias de Nana Nenê (contei aqui) e dormia direto a noite toda a partir dos 2 meses.

Julia teve cólicas e episódios de gases até 2 meses, faz sua própria rotina pois às vezes dorme mais e às vezes dorme menos (e isso altera os horários das mamadas ao longo do dia). Nunca precisou de Nana Nenê: desde recém nascida ela mama no escuro e já entende que é hora do sono (não chora no berço, nem se colocada acordada – o que é raro). Mesmo dormindo a noite toda há alguns meses, quando dormimos em hotel ou até quando dorme na casa das avós, ela estranha e acorda de madrugada. Mama e dorme de novo. São diferentes e eu também não sou a mesma mãe.

Qualquer alteração na rotina da Laura eu estranhava. Hoje, qualquer mudança é absolutamente normal. Temos nossa rotina, mas quem comanda ela é a Julia, definindo a hora que acorda (muda diariamente), dando cochilos que empurram a papinha ou reclamando e antecipando uma mamada. E tudo bem, tá lindo. Não há preocupação ou stress.

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Mas a maior mudança em mim após o nascimento da Julia não foi em relação às minhas filhas ou à maternidade, e sim em relação aos outros. Comentários e perguntas que não agregam deixaram de me atingir e passaram a ter respostas irônicas mentais ou a entrar por um ouvido e sair pelo outro.

Dois exemplos:

  1. Respostas Irônicas Mentais

Ao mexer o carrinho de lado para fazer a Julia dormir na academia enquanto esperava as aulas da Laura terminarem, ouvi: “NOSSA, ELA NÃO FICA ENJOADA??” Ao invés de ficar irritada como há 5 anos atrás eu ficaria (por achar que a pessoa estaria questionando como eu cuido da minha filha ou criticando algo que eu fazia ali POR CONHECER MINHA FILHA MELHOR DO QUE ELA, que acabou de ver pela primeira vez), eu respondi sorrindo um simples “não, ela gosta de dormir assim” e fiquei respondendo mentalmente frases irônicas que me fizeram ficar rindo por horas. Coisas como: “Fica sim, mas eu curto quando ela vomita para cima enquanto eu mexo o carrinho de lado, assim fico desviando e fazendo disso uma grande aventura!” ou “Fica sim, mas eu não ligo”.

  1. Não Agrega? Entra Por Um Ouvido e Sai Pelo Outro

Há 8 semanas, mesmo com amigas blogueiras dizendo que eu não deveria dizer nada ainda pois levaria pedradas, desabafei no instagram (aqui) que meu leite havia secado, mesmo tendo tido uma experiência muito superior de amamentação dessa vez e fiquei absolutamente surpreendida com o carinho e apoio das pessoas (aqui  e aqui). Semana passada foi Semana Mundial do Aleitamento Materno e eu postei aqui os últimos 3 vídeos do meu “Diário de Amamentação” (aqui). E foi quando aconteceu. Uma pessoa resolveu vir me julgar e culpar a rotina (que eu deixo claro que foi estipulada pela própria Julia, que parecia um reloginho e portanto se “auto-colocou” em uma rotina) pelo meu leite ter secado. Juntou lá a questão do colo (que eu friso que a Julia tem o tempo todo) e disse que eu deveria falar do que eu entendo pois o que eu fazia – ao contar minha experiência (e nunca ter afirmando ou me colocando como especialista de nada) – era um desserviço. Eu juro que eu ri. Ri da prepotência da pessoa que parece ter caído ali de paraquedas e, acredito eu, nunca havia lido nada meu. Ri da arrogância por achar que sabe mais do que acontece no MEU corpo (e acha que sabe mais que minha obstetra, que a especialista de amamentação que me ajudou e etc). Respondi, ela respondeu, respondi, ela respondeu. E ela só parou quando (depois de ter falado que eu não parecia bem comigo mesma HAHAHA) eu disse que achava estranho que eu tivesse amigas que fazem rotina e amamentam até hoje, com filhos de mais de um ano (relatos como esse também vieram aos montes nesse post do insta) e quando finalizei perguntando porque ela perdia tanto tempo comigo se ela me achava um desserviço….

Se fosse há 5 anos, eu teria chorado de raiva. Eu teria me martirizado. Eu teria me sentido ainda mais culpada por não ter podido amamentar mais tempo. Como eu sei? Porque eu passei por isso e doeu, doeu muito. Na época, meu blog fazia parte do Portal da Veja SP e eu fui apedrejada inúmeras vezes (no relato do parto, no relato do Nana Nenê, no post sobre Laura ter largado o peito…). As pessoas lá podiam comentar sem se identificar, então a porteira abriu para que anônimas me detonassem de forma grosseira – e gratuita. Entendam: há uma enorme diferença entre crítica construtiva e agressão ou comentário que quer te diminuir e fazer parecer que você é inferior à quem escreveu o comentário. Algumas pessoas parecem querer um troféu, querendo se mostrar melhor que você. Sabe qual o meu troféu? Ver minhas filhas saudáveis, amorosas, sorridentes e felizes.

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Por essas que eu digo: o 2º filho deveria vir primeiro. Eu sei a mãe que sou. Eu olho para a Julia e acho que curto ainda mais ela por saber que passa TÃO rápido (outro cliché, desculpem hahaha). Ás vezes me pergunto como foi que a Laura chegou tão rápido aos 4 anos e meio. Olho fotos de 1 ano atrás e meu Deus como ela era menor e diferente!! Quando foi que ela ficou com cara de mocinha e perdeu o rostinho de bebê?

Então, meninas, trago boas notícias depois da 2ª filha: a arrogância do Bullying Materno não te afeta, te faz rir. As opiniões e perguntas que talvez te irritariam antes, passam com leveza. Uma coisa só aumenta: o amor. Multiplica. E é nisso que devemos focar SEMPRE. E VIVA O 2° FILHO! hahahaha

Beijokas!

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  • Gisele Bezerra

    Excelente texto, Mari! Estou vivendo o mesmo momento (primeira filha, 4a10m e segunda 1a2m) e sinto-me exatamente como vc descreveu. Hoje me sinto mais forte (ainda) e preparada para lidar não somente com a maternidade real, mas tbm com a maternidade social! Beijos e tudo de melhor pra vc e sua linda família!!

  • karine

    Concordo plenamente! Estou vivendo este momento também (primeira filha com 9 anos e segunda com 2 meses) e aproveitando muito mais com a segunda, sem me preocupar com a opinião dos outros e seguindo meus instintos. Excelente texto.

  • Yasmim

    Mari. Sempre acompanho seu blog, mas por pura preguiça nunca comentei. Adoro seus postos e a forma como você trata a maternidade de forma leve. Te admiro demais! E não podia deixar de comentar a foto da Laura e da Julia. Parabéns, elas são lindas demais e a Julia tem uma carinha de sapeca, rs. Beijos e ótimo dia. Vc é demais!

  • Josilene Gonçalves da Silva

    Eu me incomodo menos, mas ainda me sinto muito incomodada. Mas como voce citou (achei que isso era coisa só minha, rsrsrs) eu dou uma “tiradamental”, e a explosão interna fica menos intensa…, mas ainda me incomoda um pouco sim, os comentários nada construtivos…
    To amando seu blog! Parabéns!