Mais que pais, nós somos o espelho.

Diferentes cenários de um mesmo tipo de espelho

  • Cenário 1

Estávamos tirando foto dos infláveis gigantes na Corrida Cartoon que rolou nesse fim de semana. Havia uma faixa laranja indicando que não se deveria passar dali por segurança.

Uma mulher passou com o filho e o segurança alertou que não era permitido passar. Ela, sorrindo disse: “agora já estou aqui, espera só eu tirar essa foto”. Virou para o filho: “Vamos filho, abraça a mamãe”. Tirou a foto e saiu sem nem olhar para o segurança, que olhava incrédulo.

  • Cenário 2

Dois meninos, adolescentes, saíram na mão durante atividade com monitores em um hotel de luxo no interior de São Paulo. Os pais foram chamados.

Os pais brigaram entre si, na frente de todo mundo e uma parte “PRECIOSA” do diálogo ouvido aos berros foi: “Eu tenho 5 empresas!” “E eu tenho 10!!!” Uau, só que não.

  • Cenário 3

Um homem descontrolado gritando com uma mulher (eu) e um idoso de forma ameaçadora, na frente da sua filha de menos de dois anos – que estava no colo da babá. Esse caso está todo contado aqui no Razões para Acreditar.

O Espelho

Sempre lendo <3

Cada uma dessas cenas acima foi presenciada por mim e me fez perguntar: que exemplo esses filhos tiram disso tudo? Se os pais fazem, porque não fariam o mesmo? Somos seus exemplos, seus espelhos.

Nas reuniões de pais na escola anterior da Laura, a importância do exemplo já era citada. Na atual, é dito ainda com mais preocupação e frisado a cada instante. Um exemplo me chamou a atenção e me faz pensar toda hora: atravessar na faixa de pedestre.

Parece bobagem, mas eu percebi que eu sempre atravessava com a Laura no meio da rua (quando não estava vindo carro). Logo eu, que perdi um irmão atropelado (em circunstâncias diferentes e mais absurda) e tenho pavor de atropelamento.

Passei a me policiar e, principalmente com ela, ando atééééé a faixa para atravessar. Ela mesma me corrige se eu esqueço.

Outro exemplo que eles citaram não na segurança, mas em termos de aprendizado é sempre andar com algum livro na mão, ler na frente delas para estimular a leitura e largar um pouco o celular. Nisso eu ando arrasando pois estou devorando o 3º livro da saga Napolitana de Elena Ferrante (foto acima). Sempre li muito – e tenho forte a imagem da minha mãe SEMPRE lendo na minha frente na infância.

Fiz questão de levar a Laura comigo para abraçar o Lucas, que me defendeu no Pão de Açúcar (o cenário 3 no início do post) e mostrar como é bom fazer o bem e reconhecer o bem no outro.

Lucas, o anjo que me defendeu <3

Desembaçando o espelho

Mas há muito que quero mudar em mim. Também na Corrida Cartoon percebi que algumas coisas precisam mudar no sentido de exemplo. Estou MUITO sedentária e há algum tempo. Fui correr 1km com a Laura e andei vários trechos, enquanto ela me puxava.

Ela disse que ano que vem quer correr com o pai para que cada ano seja um, mas acho que tem também a ver com ver o pai malhando na academia todos os dias (ela vai junto). Eu faço uma coisa ou outra, bem espaçadas e me sinto mal por isso.

Com a Laura há 4 anos: todo final de semana na bicicleta.

Não tem a ver com emagrecer e sim com bem estar e saúde. Há cerca de 3 anos, íamos ao Parque de bicicleta, eu corria com ela sem me sentir morta e etc.  Claro que a gestação e a chegada da Juju mudaram um pouco os últimos 2 anos e meio, mas quero voltar à isso: por ela e por mim.

Preciso aprender a respirar e fazer as coisas com mais calma e sem tanta bagunça. Acumulo um pouco de bagunça aqui e ali – com crianças em casa é normal, mas não são os brinquedos delas somente. Mesmo achando que o tempo vai dar, acabo correndo para fazer tudo.

Não quero que essa correria seja a vida dela, muito menos que ela seja bagunceira.

Não quero que ela seja tão ansiosa quanto eu – e ela já é um pouco. E tem outros pequenos exemplos que sei que poderia dar melhor. A gente se atropela e acaba esquecendo que aquele pequeno ser nos observa o tempo todo.

Sempre há tempo para melhorar a visão do espelho <3

Para elas o melhor de mim <3

Julia me imita falando e eu fico de boca aberta. Se imitam a gente falando, imagina agindo? A gente fica achando que eles mexerem bem em celular é apenas porque são “outra geração”, mas já pensaram o quanto eles vêem a gente mexendo?

Quero ser o melhor que eu posso para que minhas meninas tenham bons exemplos – da faixa de pedestre até gestos maiores. A enorme responsabilidade de ser um espelho e não apenas uma mãe.

Bora refletir diariamente a cada passo que damos – e eles observam <3

Observando tudo…

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  • Bianca Frauches

    Mari, sempre leio os seus posts e nunca comento porque… não sou mãe. Não sou e não tenho vontade de ser. Mas sou dinda e tia em tempo integral. Um dos meus sobrinhos mora comigo (eu e minha irmã moramos com meus pais) desde que nasceu, há 9 anos. Esse teu post me fez refletir muito pois essa semana mesmo ele me chamou a atenção pelo exemplo que não damos a ele. Cobramos que ele coma na mesa enquanto nós comemos no sofá assistindo TV. Fiz jantar pra nós 2, e pedi pra ele arrumar a mesa. Ele já foi logo avisando que ia colocar jogo americano pra mim porque como adulta eu tenho que ser exemplo e comer na mesa também, não posso cobrar dele se não fizer. Fiquei surpresa com a forma que ele observa. Tratei de sentar com ele à mesa e me policio diariamente pra dar os exemplos a ele que gostaria que ele seguisse. É uma coisa boba, pequena, mas que chamou a minha atenção pelo todo. Um beijo enorme!