Meu tão desejado Parto Normal – Parte 2 (Fé, time que torce junto e #JuliaChegou)

1027_red

(Se você perdeu a primeira parte, acesse aqui)

(Dica: ao fim do post há músicas que fizeram parte desse dia. Se quiser ler com a trilha, desce e dá o play…)

05 de Fevereiro de 2016

Por volta das 11:30hs: Com quase 7 dedos de dilatação e uma contração bem doída, pedi pela analgesia. Foi aí que entrou em cena o maravilindo Dr. Carlos Martins que, além de ser preciso no que faz, é de um humor e leveza incríveis. Ao longo de todo trabalho de parto ele nos fazia rir, dava força, segurava minha mão… Quando eu digo que a equipe fez total diferença nesse momento tão especial, não estou exagerando. Como disse minha melhor amiga que pariu com a mesma equipe 4 meses antes: parecia um chá com bolachas hahaha Um entrosamento e uma torcida para que tudo acontecesse como eu sonhei, respeitando minhas escolhas e a saúde do bebê e minha. Mas volto a falar disso depois.

<3

<3

Ah, Miriam <3

Ah, Miriam <3

Depois de aplicada a analgesia, foi a hora de romper a bolsa já que, como eu falei no post anterior, eu tinha muito líquido amniótico e isso estava dificultando para que a Julia coroasse (encaixasse). Era como se ela boiasse dado ao volume de líquido, mesmo de cabeça pra baixo desde a 32ª semana. Bolsa rompida (e, meu Deus, quanta água), minha Cegonha fala: “Mari, seu colo veio para frente, já não está mais grosso. Não parece a mesma mulher que deu entrada ontem no hospital. Parabéns por não ter desistido!!”

10 minutos depois alguém adentra pela porta falando e rindo: “SUA DANADAAAA!! Não é que você vai ter seu parto normal?”. Comecei a rir ao ver que era a linda da Dra. Monica Resende (lembram dela no post anterior? Que me atendeu na chegada do hospital?).

Eu: “Ah, Dra. Monica, quando eu quero uma coisa, eu infernizo…

Marido: “Ah, isso é lá uma verdade”

Eu: “Mas oooi? SHIU aí” hahahaha

Ela me abraçou e disse: “vou colocar uma foto sua no meu consultório como a grávida mais persistente que eu conheci. Não tem a funcionária do mês? Você vai ser a grávida persistente da década no meu consultório.” Hahahaha Não falei que o clima era uma delícia entre a equipe?

E seguiu-se uma série de diferentes posições, exercícios, força durante as contrações. Por volta de umas 14:30hs fui andar no corredor e agachava a cada contração. As contrações voltaram a doer, o que fazia com que eu retraísse ao invés de conseguir fazer força. Foi então que o Dr. Carlos complementou minha analgesia.

Entre uma contração e outra, eu ria com meu amor, com a equipe...

Entre uma contração e outra, eu ria com meu amor, com a equipe…

E foi deitada na cama, ao esperar pelo efeito da analgesia que algo especial e lindo aconteceu…

Como eu disse no post anterior, levamos uma caixinha de som para o Delivery Room. As músicas vinham via bluetooth de uma playlist de Jazz que meu marido fez especialmente para o parto no celular dele. Em meio à Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e etc, de repente começa uma pessoa a falar pela caixa. Meu marido esqueceu que o áudio do whatsapp saía diretamente na caixa e clicou quando minha mãe mandou um. A pessoa era o Padre Fabio de Melo e na mensagem ele dizia: “Filinha (ele chama a gente assim), entrei em casa hoje pensando na Mariana. Mas como eu vi no twitter que ela não aguentava mais a pressão perguntando se já tinha nascido, eu apenas rezei. Agora sabendo por você (minha mãe) que ela está em trabalho de parto, rezarei de novo. Que Nossa Senhora esteja com ela nesse momento e que Julia venha com saúde e amor (…)” Eu já estava aos prantos e a equipe olhava pra mim com cara de: “que lindo”. Eu disse que era o Padre Fabio e a reação deles foi indescritível.

Minha Cegonha amada, Dra.Luciana Taliberti, sugeriu que meu marido colocasse Ave Maria com aminha mãe e, depois disso, colocamos Círio Outra Vez com Padre Fabio. Chorei mais. E ela disse: “Gente, vamos tomar um café lá fora e deixar a Mari se conectar com a Julia”. Pegou na minha mão, encostou a testa na minha e disse: “Mari, fé. Agora é o seu momento com a Julia. Conversa com ela, reza.”

Minha Cegonha <3

Minha Cegonha <3

Eram 15:15hs. Todos saíram da sala, ficando apenas meu marido e a linda da Miriam Leal. Coloquei as mãos na minha barriga e disse: “Juju, a gente não chegou até aqui para irmos para uma cesárea. Vamos juntas, vai ser lindo. Estamos te esperando cheios de amor aqui.” Meu marido me deu um beijo na testa, eu agarrei o braço dele. Com a outra mão eu agarrei uma barra na lateral da cama. Olhei pra Miriam e disse: “não vou esperar eles voltarem. A analgesia fez efeito e está vindo mais uma contração”. Ela concordou e foi nessa contração que a Julia coroou (encaixou). Ela pegou o celular, ligou pra Dra. Luciana e disse: “podem voltar, a Julia está nascendo.”

Só de escrever essa frase dela aqui, meus olhos enchem de lágrimas. Meu marido grudou a testa na minha têmpora e falou: “É agora, amor. Força.” A equipe entrou na sala e de repente parecia que eu estava na final da Copa do Mundo hahaha Aquelas pessoas na minha frente, torcendo, me dando força, falando palavras de incentivo enquanto eu fazia a maior e mais incrível força da vida.

"É agora, amor. Você consegue. Força!" <3

“É agora, amor. Você consegue. Força!” <3

Foram cerca de 3 contrações, cerca de 6 ou 7 forças e eu ouvi: “Ela está vindo, Mari!! Ela chegou!!” e eu senti algo quente e inexplicável passando por todo o meu corpo. Era ela, era a Julia, às 15:37 de uma sexta feira de Carnaval, dia 05 de fevereiro de 2016,ao som de Bewitched Bothered and Bewildered com Ella Fitzgerald. E ela veio direto pros meus braços, ainda com seu cordão umbilical pulsando e ficou ali no meu peito quentinha e com o meu sangue. Direto para mim. Miriam a cobria para não pegar friagem, mas dali ela não saiu por algum tempo.

1089pb_red

Ela veio direto para os meus braços e a pediatra tentava achar um espaço para examinar a Julia, não fazendo nada invasivo nela, ali mesmo <3

Ela veio direto para os meus braços e a pediatra tentava achar um espaço para examinar a Julia, não fazendo nada invasivo nela, ali mesmo <3

Beijei meu marido enquanto a pediatra encontrava um espaço para fazer os exames básicos – e não invasivos – na Julia no meu colo. Assim que parou de pulsar o cordão umbilical, meu marido o cortou.

Cortando o cordão <3

Cortando o cordão <3

 

Foto que minha irmã Kamila mandou de Michigan, enquanto assistia ao final do parto via BabyWeb <3

Foto que minha irmã Kamila mandou de Michigan, depois de assitir ao final do parto via BabyWeb <3

Depois de uns 20 minutos agarrada comigo, meu marido a pegou e, ali do meu lado, Miriam já havia preparado um banho quentinho, a 37,5°C. E porque um banho assim após o parto? Com a palavra, a anja Miriam Leal:

“Naturalmente, este banho só é realizado após a avaliação clínica do bebê pelo neonatologista e quando não há qualquer possibilidade da criança estar instável nos seus parâmetros vitais, seja na manutenção da temperatura quando no padrão respiratório.

Tirar esta oportunidade ímpar dos pais e bebês, tirar a possibilidade do bebê usufruir da água quente que relaxa, aquece e promove o bem-estar do útero materno, isto seria desumanizar o nascimento. Quem conhece o assunto e o procedimento sabe que o objetivo deste banho não é limpar e remover o vernix da pele do bebê! É, sim, a oportunidade ímpar de pai e bebê iniciarem um relacionamento muito próximo, cheio de carinho e intimidade que será levado para a vida toda. Este relacionamento é estimulado pelo toque, pela troca de olhares e pela voz do pai somados ao prazer de estar na água aquecida a 37,5º”

Conexão, amor, respeito <3

Conexão, amor, respeito <3

Assim que saiu da banheira ela foi para a balança. De repente eu ouço: “QUATRO QUILOS??” e a equipe  rindo. Levantei a cabeça para olhar e lá estava: 4,100kgs. Falei: “Vocês estão zuando, né? Tem alguma coisa aí junto da Julia na balança fazendo esse peso” hahahaha Lembram que eu escrevi no post anterior que na 2ª feira o peso estava estimado em 3,500kgs no Ultrasom? Pois é hahaha

E entraram na sala a minha mãe e meus sogros. Avalanche de amor. Minha mãe ficou – depois de abraçar chorando a Dra. Luciana e a Miriam em agradecimento por terem realizado meu sonho – e todos saíram. Dormi por cerca de uma hora, com a Julia dormindo ali do meu lado, antes de voltar pro quarto em que fui internada na noite anterior.

Gratidão <3

Gratidão <3

Miriam, minha mãe e Dra. Luciana: GRA-TI-DÃO.

Miriam, minha mãe e Dra. Luciana: GRA-TI-DÃO.

Sábado ela fará um mês e, além do amor, outra coisa só cresce desde o parto: a certeza de que foi uma das coisas mais lindas que vivi. O momento em que ela saiu de mim não há palavras que eu possa usar para descrever. Eu não saberia descrever em palavras por mais que eu tente.

Quando penso no parto da Laura, lembro de como meu marido descreveu depois disso que vivemos no da Julia: “foi como ter colocado uma moeda em uma máquina de refrigerante e pronto: saiu”. Não digo isso porque foi cesárea. Até porque minha melhor amiga teve uma cesárea bem mais emotiva e especial meses atrás. A dela foi com essa mesma equipe que fez meu parto normal e ela tinha razões médicas para ter uma cesárea (pressão alta, líquido amniótico quase zerado…). Se você me perguntar o nome de qualquer pessoa que estava no centro cirúrgico quando a Laura nasceu, eu te diria apenas o do obstetra. Zero ideia de quem estava li com a gente ao longo daquela hora entre ter entrado no centro e a Laura ter nascido.

Dessa vez eu te digo: minha Cegonha Dra. Luciana Taliberti, a anja enfermeira obstetriz Miriam Leal, o anestesista Dr. Carlos Martins, Dra. Monica Resende, a instrumentadora Ana Paula Oliveira e a querida fotógrafa Mariana Fernanda Camargo (que não só fazia as fotos, mas foi meio ajudante, assistente o tempo todo ali) estavam ali. Nunca esquecerei seus nomes e o tanto que torceram e fizeram por mim naquele dia. Uma equipe unida, sem arrogância, sem “eu que mando aqui”, em prol da vontade da paciente, da mulher. Dra. Luciana Taliberti, minha amada cegonha, generosa e doce, pedia a 2ª opinião da Miriam e da Dra. Monica. Elas me examinavam também, davam seu olhar. E todas me davam força e diziam palavras de incentivo. Obrigada, equipe dos sonhos.

Meu sogro,Marcos, minha mãe, meu marido, minha sogra Neusa, eu, Juju, Dra. Mônica, Dr. Carlos, Miriam, Ana Paula e Dra. Luciana: OBRIGADA <3

Meu sogro Marcos, minha mãe, meu marido, minha sogra Neusa, eu, Juju, Dra. Mônica, Dr. Carlos, Miriam, Ana Paula e Dra. Luciana: OBRIGADA DE TODO MEU CORAÇÃO <3

Meu marido… Meu marido antes com pé atrás, meu marido que na admissão ainda brincou: “pra que tudo isso, essa agonia?” e ria. Meu marido que respeitou minha vontade, que não largou minha mão, que era o tempo todo tranquilizado pela monitoração cardíaca fetal e não falava nada. Meu marido que saiu da sala dizendo que foi uma lição de vida, algo inesquecível. Ao meu marido: obrigada, muito muito obrigada por respeitar e me dar força. Por me dar seu braço para eu apertar com força enquanto falava palavras de incentivo no meu ouvido. Eu te amo muito.

1153_red

<3

<3

Nada que eu fale aqui descreve o que eu senti. NADA. Não deixem que mitos te desanimem e pessoas te desencoragem se é o parto normal que você deseja. Não deixe que tentem te fazer sentir mal se o parto normal NÃO é o que você deseja. Respeitem o limite de vocês, se joguem no que acreditam. Conheçam mais, não temam. O momento é de vocês, do casal, do bebê. O momento é seu, viva ele como bem entenda, com segurança para você e o bebê <3

Manona feliz e orgulhosa ao pegar a Maninha no colo pela primeria vez <3

Manona feliz e orgulhosa ao pegar a Maninha no colo pela primeria vez <3

Músicas para ouvir lendo esse post:

Círio Outra Vez – Padre Fábio de Melo, Fafá de Belém e o povo de Belém <3

Bewitched Bothered and Bewildered – Ella Fitzgerald

Michael Bublé – Everything

Círio Outra Vez – versão estúdio com Padre Fabio de Melo.

(Todas as fotos desse post foram feitas pela Publivídeo <3)

Comente!