Não tenha vergonha da Candidíase: acontece com maioria das mulheres!

Candidíase? Ai que vergonha!

Usei esse título pois foi exatamente assim comigo, nas duas vezes que tive alguma bactéria lá nas partes baixas (uma foi Candidíase e a outra foi a Gardnerella – explicarei as duas mais adiante no post).

Por que vergonha? Porque eu não sabia o que era aquilo. Poderia parecer para a minha gineco que eu não me lavava, que não tinha higiene? Poderia parecer pro meu marido a mesma coisa ou até que eu pudesse ter pulado a cerca (Deeeus me defenda)?

Candidíase vaginal não se pega de alguém

Dizer que “pegou candidíase de alguém” é conceitualmente errado, pois, na maioria dos casos, não se pega candidíase de ninguém; a vulvovaginite surge porque a Candida albicans, que já existia no seu organismo, encontrou formas de ultrapassar as defesas do nosso corpo e conseguiu multiplicar-se de forma descontrolada

Quando tive Candidíase, meu gineco na época não explicou muito bem de onde vem, mas, como eu havia passado muitas horas em um avião, ele disse que era por isso. Ou seja, continuei sem saber a origem da infecção e portanto envergonhada na mesma.

Quando tive Gardnerella, minha cegonha já era a Dra. Luciana Taliberti que amo de paixão e ela me explicou direitinho. Não só não é diretamente ligado à relações sexuais. A falta de higiene íntima pode sim causar essas infecções, porém o EXCESSO de higiene íntima também pode ser a causa.

Por que? Porque ao exagerarmos na limpeza, acabamos por tirar a proteção natural do corpo. E eu estava fazendo isso. Outros fatores que facilitam a infecção são: stress, infecções, gravidez e uso de DIU. Por conta desses fatores, essas bactérias podem sofrer uma superpopulação, resultando no que chamam de vaginose bacteriana.

A Proteção Natural do nosso corpo.

A vagina possui proteção natural, promovida por uma população de bactérias do grupo Lactobacillus casei, que formam a chamada flora vaginal. Esses lactobacilos têm a função de converter a lactose e outros açúcares simples presentes na região em ácido láctico.

Assim, o pH (medida do nível de acidez) na região fica ácido, impedindo que fungos e bactérias se proliferem, já que esses micro-organismos não conseguem sobreviver à acidez. Entretanto, sozinhos, os lactobacilos não conseguem proteger totalmente a vagina, e por isso faz-se necessária uma boa higiene adicional.

A Candidíase

A candidíase vaginal, também chamada de monilíase vaginal, é uma infecção ginecológica provocada pelo fungo Candida albicans. Essa micose é tão comum que 3 em cada 4 mulheres terão pelo menos um episódio de candidíase vaginal ao longo da vida.

A Candida é um germe oportunista, ou seja, um micróbio que pode viver inocentemente em nosso corpo sem causar doenças, mas que, ao menor sinal de fraqueza do nosso sistema imunológico ou distúrbio na nossa flora natural de germes, pode multiplicar-se e passar a provocar infecções.

Entre 20 a 50% das mulheres têm a sua vagina colonizada pelo fungo Candida sem que isso, porém, signifique haver uma infecção pela Candida. Essas mulheres são completamente assintomáticas, pois o pH ácido da vagina, o sistema imunológico e a presença da flora bacteriana vaginal impedem que a Candida consiga se multiplicar. A vulvovaginite por Candida só surge se houver algum distúrbio em pelo menos um desses três fatores de proteção citados.

Candidíase, Gardnerella e Tricomoníase: os sintomas.

As três infecções genitais mais comuns decorrentes de falta de higiene são a tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, a garnderella, consequência da superpopulação de bactérias do tipo Gardnerella vaginalis, e, a mais conhecida, a candidíase, originada pelo fungo Candida albicans.

Os sintomas das infecções são facilmente percebidos e bastante parecidos. Geralmente, há corrimento intenso, de cor amarelada ou esverdeada, odor desagradável, prurido, coceira e, muitas vezes, sujeiras e manchas brancas, semelhantes à nata de leite, nas paredes da vulva.

Cuidados para evitar a Candidíase e outras infecções.

Sobre o excesso de limpeza (a cada xixi lavar com sabonete íntimo, como eu fazia), o recomendado pela minha gineco foi que eu parasse de usar o sabonete íntimo toda hora. Passei a usar ducha higiênica em todos os banhos e apenas usar chuveirinho/bidê após fazer xixi ou número 2.

Sabonete íntimo, embora recomendado por alguns médicos, eu parei de usar definitivamente e no banho uso os que uso no corpo mesmo (mas apenas por fora, dentro não pode mesmo – nem o íntimo).

Sobre a falta de higiene, segundo o site do Dr. Drauzio Varella: “Embora muitos achem que tais cuidados são hábitos disseminados entre as mulheres o Dr. Paulo César Giraldo, professor titular de ginecologia da Unicamp, afirma que muitas delas não costumam limpar adequadamente as partes íntimas, ora por vergonha de se tocar, ora por não achar necessário. “Isso é uma falha, já que a proliferação de fungos e bactérias na vulva gera coceiras, irritações e corrimento”.

Para quem usa sabonete íntimo no banho, Dr. Giraldo ressalta que as mulheres devem optar pelas versões feitas especialmente para a higiene íntima feminina. Esses produtos possuem o pH necessário (em torno de 5 ou 6) para manter a região equilibrada e evitar a proliferação de fungos e bactérias. Também deve ser dada preferência aos sabonetes líquidos, visto que os em barra são mais alcalinos e facilitam a contaminação, pois a mesma superfície acaba sendo compartilhada por diversas pessoas.

Complicações

Mesmo nas mulheres sem sintomas, a vaginose pode causar algumas complicações. Entre elas:

– Maior risco de contaminação por outras DST* caso haja relação com parceiro contaminado.
– Maior risco de transmissão de DST* para o parceiro caso a paciente esteja contaminada com alguma DST.
– Maior risco de doença inflamatória pélvica, principalmente após cirurgias ginecológicas.
– Maior risco de parto prematuro em grávidas

* DST com risco de transmissão e contaminação aumentados: HIV, Gonorreia, Clamídia, HPV e Herpes genital.

Porém o tratamento é rápido e tranquilo e dificilmente chega à complicações.

O Tratamento

Minha gineco me receitou um remédio via oral para tomar uma vez só e 2 pomadas, uma interna e outra externa para passar por alguns dias (eu usava um absorvente diário por conta das pomadas).

O alívio é super rápido. Perguntem aos ginecologistas de vocês no primeiro instante que tiverem alguma coceira com corrimento mais escuro, assim como possível odor.

Não fique com esses sintomas desagradáveis por vergonha. Não deduzam, perguntem. É muito mais simples – e comum – do que se imagina 😉

Beijos!

(Fontes para esse post: https://www.mdsaude.com e https://drauziovarella.com.br/mulher-2/higiene-intima-da-mulher/ )

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