No dos outros é refresco…

(foto: © H. ARMSTRONG ROBERTS/ClassicStock/Corbis)

(foto: © H. ARMSTRONG ROBERTS/ClassicStock/Corbis)

Sábado fui com minha mãe, minha sogra e Laura a um restaurante que adoramos.

Desde que Laura teve suas vacinas mais importantes aplicadas, ela tem sua vidinha social normal, vai a restaurantes comigo (antes no bebê conforto, agora no carrinho ou colo (cadeirão)). Acredito que sua “estreia” tenha sido com 2 meses no Spot, em lugar bem ventilado, com aval da pediatra.

Como qualquer criança, é imprevisível o comportamento ou o tempo que ela ficará mais quietinha (perfil dela até esse momento atual: agora que ela anda, quer desbravar o mundo).

A rotina em restaurantes sempre foi a mesma: dependendo do horário, caso ela ainda não tenha almoçado, a primeira coisa é dar o almoço dela. Depois, ela fica entretida com coisinhas da mesa, de azeitonas à pães, à guardanapos, à celular ou tablet com Galinha Pintadinha ou cantando com a gente e fazendo graça. Sempre foi assim. Isso dura umas duas horas, até que atinge o limite dela. Daí vai pro meu colo, pro colo do pai, da avó, da Dinda, enfim, vai brincando com quem estiver na mesa. Até que, nessa fase em que desbravar o mundo chegou, só o chão – e correr nele – satisfaz.

Laura e suas azeitonas e pães na mesa do restaurante, no último sábado

Laura e suas azeitonas e pães na mesa do restaurante, no último sábado

Depois de comer e as azeitonas e pães não terem mais graça, só a Galinha Pintadinha e um "cuco" no colo da mamãe. Aí já estávamos há mais de 1 hora e meia no restaurante.

Depois de comer e as azeitonas e pães não terem mais graça, só a Galinha Pintadinha e um “cuco” no colo da mamãe. Aí já estávamos há mais de 1 hora e meia no restaurante.

 

Como criança correndo dentro de restaurante não é algo que eu ache muito seguro ou que possa agradar outros clientes, no caso deste sábado, saí com ela na calçada e fomos brincar. Corremos até a esquina, voltamos à contra gosto dela. Corremos de novo, voltamos. E entramos de volta no restaurante. Laura deu um pequeno grito de insatisfação. Olhei para ela e disse: “Laura, não fale assim, já voltaremos para lá.” Mas, ela é um bebê e tem personalidade. Deu uma leve esperneada e, para não atrapalhar outros clientes, avisei minha mãe que sairia novamente e ela fez questão de ir com a Laura.

Fiquei e tomei um café. Mamy voltou e trocamos de lugar novamente. Depois de mais duas corridas às gargalhadas, Laura deu um mega grito ao entrar no restaurante e eu olhei nos olhos e disse firme pra ela, sem gritar: “NÃO.” Ela deu um tapa no meu braço. Sinal claro, para mim que a conheço há 18 meses, que o sono chegou, que o prazo de validade venceu. Segurei a mão dela e falei: “pare com isso, já estamos indo e não se pode bater nas pessoas.”

Sentei e comecei a arrumar a bolsa dela enquanto ela ficava impaciente nos braços da minha mãe, que já havia pago a conta. Olhei para o lado rapidamente e uma mulher me olhava com reprovação. Revirou os olhos ao apontar pra Laura e cochichou com o marido.

Talvez se fosse em outra época da minha vida, se eu estivesse hormonalmente descontrolada pós parto, se a Laura tivesse apenas meses ou se eu não soubesse o que eu estava fazendo, aquilo me afetaria demais. Talvez, se eu não conhecesse a personalidade da minha filha, as responsabilidades do que é ser mãe, a dificuldade de educar e o valor de cada minuto que a Laura fica angelical na mesa, eu sentaria com essa moça e diria que horas chegamos ali e como foi até chegamos naquele ponto.

Mas não.

Esse episódio me fez refletir muito. Me fez ver que é bem possível que eu já tenha olhado para alguma mãe, muito antes da maternidade, sem entender o que ela estava passando. Porque sim, o clichê se repete: só sendo mãe para saber. Não acho que deve-se deixar a criança gritando, que deve-se sempre se apoiar na máxima “deve ter outras mães aqui, elas entendem”. Isso não. Educar sempre. Mas educar é difícil, é um trabalho diário e não é algo delegado à escola e sim EXTENDIDO à escola. Se em casa a criança não tem as mesmas regras que na escola ela segue, de que adianta?

A criança, o bebê, têm seus limites, têm suas personalidades e estão aprendendo, sendo moldados. Assim como nós, pais, estamos dando o melhor de nós ou acreditamos estar dando o melhor de nós.

Laura brincando na fonte do restaurante, já querendo chão, chão...

Laura brincando na fonte do restaurante, já querendo chão, chão…

Pensando nessa situação (até light) que vivi, não sei se quando vi uma criança se jogando no chão, berrando, fazendo manha, olhei para a mãe com a compaixão que deveria. Sinceramente, hoje, sei que olho de forma completamente diferente. Claro que há mães e mães. Mas 98% das mães que vejo hoje em uma situação dessas, eu quero abraçar, sei lá. (hahahaha) Me sinto no mesmo barco e tenho vontade de dizer: “sei como você se sente. Força, colega!”.

A famosa – e temida – fase do “Terrible Twos”, embora tenha esse nome por conta dos 2 anos da criança, pode acontecer entre um ano e meio à 3 anos, e, pelo que observo, a Laura acaba de adentrar nessa “maravilha”. Essa fase faz parte do desenvolvimento natural da criança, mas também faz parte do nosso dever como pais repreender, dar limites, educar e conhecer nossos pequenos. Tenho um longo caminho pela frente e esse foi apenas o primeiro olhar de reprovação que flagrei.

Minha mãe sempre foi rígida comigo e sei que sou firme com a Laura, mas ela é apenas uma criança. Vai desobedecer, vai fazer manha, vai levar bronca, eu vou sofrer nesse processo todo… Claro que espero que sejam poucos olhares, poucos momentos constrangedores, poucas desobediências, mas me dei conta sábado que me importo zero com o que aquela moça pensou de mim, embora não queira que a Laura seja desagradável em ambiente algum. Eu sei como a Laura se portou por duas horas antes disso, eu sei a filha que eu tenho e, mais do que isso, hoje eu sei o duro que as mães dão para educar seus filhos diariamente.

Então, sabe o que eu espero mesmo? Criar um ser humano que, mesmo com meus erros nesse processo, tenha educação e respeito pelo outro. Que eu olhe daqui muitos anos e saiba que tenha valido a pena cada lágrima minha, cada possível olhar de desaprovação, cada momento que meu coração apertou em uma bronca mais dura.

É fácil apontar o outro, duro é estar no lugar. Quando se está no lugar, abrace, compadeça, cresça.

(Para saber um pouco mais sobre o Terrible Two, minhas queridas do Blog Just Real Moms escreveram lindamente aqui)

Meu único objetivo é que ela seja feliz, educada e respeite os outros. Que venham os olhares e meu coração apertado...

Meu único objetivo é que ela seja feliz, educada e respeite os outros. Que venham os olhares e meu coração apertado…

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