O (apertado) coração da mãe de duas – edição Férias Escolares.

O coração na doideira das férias

Uma mão na caçula, outra na pequena, todas no Carrossel <3

Eu brinco muito no instagram e no stories, no twitter (e na vida) sobre a doideira que vira nossas vidas durante as férias escolares. Falo que eu já não dava conta só com a Laura de férias: encontrar atividades, ter criatividade para os momentos dela em casa e me desdobrar com casa, blog e etc.

Mesmo sabendo que não é preciso muita criatividade em casa quando a Laura ama desenhar, usa muito a imaginação e, no tempo que sobra há o Youtube Kids, a Netflix e o Playkids, tento fazer mais coisas na rua durante as férias. Praças do bairro, colônias de férias (academia, hípica, lugares kids e até buffet têm colônias), oficinas, casa dos primos, enfim, um mundo fora de casa.

Mas, e sendo mãe de duas, sendo que uma ainda é um bebê?

O coração que fica maior e menor ao mesmo tempo.

Como já falei várias vezes, nós nunca tivemos babá, enfermeira ou ajuda profissional de ninguém. A família é quem nos dá suporte quando temos eventos, compromissos ou quando quero levar a Laura para um programa “só nosso” (ou quando eu acho que o programa não é muito adequado para a Julia).

<3

O coração de mãe, literalmente, não tem tamanho. Se eu tivesse 5 filhos, seria como se meu coração expandisse para que ali coubesse e sobrasse amor incondicional para cada um deles. Mas, ao mesmo tempo que o amor multiplicou dentro do meu coração o fazendo aumentar, com duas filhas hoje parece que meu coração fica pequeno e apertado mais vezes do que quando só tinha uma.

Férias… com a caçula doente.

A razão do meu aperto no coração é: ao ter uma bem pitica, de menos de um ano, que apenas engatinha (há menos de 10 dias), tenho que quebrar a cabeça quanto às atividades da mais velha. Na academia há um child care e eu consegui me desprender do “não preciso de ajuda” deixando a Julia lá enquanto dou banho na Laura pós natação (delegar banho à estranhos REALMENTE não tenho capacidade).

Mas, nas férias, como fazer para cinema, KidZania e outras atividades que são legais para a Laura, mas que ainda não são adequadas (ou legais) para a Julia? Não querendo incomodar ninguém, deixo por último “ativar a base de suporte” da família. Ligo para a sogra, ligo para a madrinha da Laura, penso na logística… Coração de azeitona.

E daí Julia ficou doente com recomendação de reclusão de 5 dias em casa. E aí? Coração de ervilha. CLARO que a prioridade é a saúde da Julia, mas como organizar para que a Laura também se divirta? A gente se sente errada/culpada pensando na diversão da mais velha porque a mais nova está doente, mas como NÃO pensar? Como não ficar frustrada, como não quebrar a cabeça quanto ao que fazer com os programas da outra filha? Julguem-me, mas, mesmo não sendo saúde, eu fico péssima por dentro pelas duas.

Laura e Julia não podem ter muito contato nesses 5 dias, o que acaba ainda mais conosco (pais). A angústia emocional durante a doença de um bebê é pior que o tratamento em si: uma coisinha tão pequena doente, a chatice dos antibióticos e, ainda por cima, as duas se adoram e não podem ficar juntas. Laura chora. Nosso coração fica grão de areia. E mais do que nunca, Laura deve sair mais de casa para não passar por essa tristeza ou, pior, para não correr o risco de adoecer.

Clone de mim ou um viva para a família e amigos.

O coração fica minúsculo porque não posso ser duas e estar com as duas. Cuidar da Julia em casa, conciliar horários da Laura com almoço do marido, pedir para a mãe de um amigo pegar a Laura, quando marido chega em casa saio para buscar a Laura… No outro dia, Laura passa o dia com os primos, no outro os avós levam e buscam… E assim vai.

Ser mãe de duas é dividir o coração, o tempo, a cabeça. Ser mãe de duas é ter mais dilemas e logísticas. Ser mãe de duas é multiplicar amor. Ser mãe de duas é cansar mais, principalmente emocionalmente, mas não trocar isso por NADA.

Que venham mais angústias, que venha mais correria, pois o que tem de amor diariamente não tem tamanho.

 

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  • Sabe, Mari, eu acho muito corajosa a mãe que tem mais de um filho. Não pelo trabalho em dobro, triplo (ou seja lá o múltiplo de quantos filhos cada mamãe tem) – e não que eu negue que deva ser este múltiplo de trabalho mesmo, mas porque morro de medo de ser injusta.

    Pode parecer uma besteira, mas eu nunca tive outro filho, mesmo quando a Gi era pequena, pelo simples medo de cometer injustiças e, depois que o Luciano faleceu então, aí é que eu nunca mais cogitei ter filho com outro homem, por mais medo ainda.

    Medo de proteger a Gi por ter pai falecido, medo de proteger o outro filho por medo de proteger a Gi e aí entrei nessa espiral louca de medo e estou aqui, sendo mãe de filha única, mas apreciando muito quem tem coragem de ter mais de um e fazer o papel que eu morria de medo de fazer mal feito.

    Te admiro muito!

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