O Desfralde da Laura

E Laura desfraldou em plena viagem à Orlando, aos 2 anos e 4 meses.

Tentamos adiar para a volta da viagem, mas ela simplesmente decidiu imitar os primos e se dar a liberdade da fralda. Confesso que ainda a deixei de fralda durante toda a viagem, com medo do que as emoções e o cansaço pudessem causar algum acidente de vazamento de xixi ou cocô. Mas na volta, logo no primeiro dia: tchau fraldas, diurna e noturna.

Como Foi o Processo do Desfralde
A pediatra da Laura sempre me disse que o desfralde era esperado entre 2 e 3 anos da criança para a fralda diurna e até 5 anos para a noturna, mas sempre frisou algo que já ouvi de muitas pessoas: o mais
importante é respeitar o tempo da criança pois cada uma tem o seu.
Outra coisa que ouvi de quase todos: uma vez iniciado o processo de sair das fraldas, não se deve voltar atrás pois confundi-los é a pior coisa a fazer nesse grande passo.
Começamos então colocando uma privadinha infantil no nosso banheiro e eu sempre que ia ao banheiro, perguntava para a Laura se ela queria vir comigo. Muito curiosa, ela ficava perguntando o que eu estava fazendo e eu explicava. Falei para ela que, se ela quisesse fazer igual à mamãe, era só pedir. Todas as vezes que fomos juntos, dávamos tchau pro xixi juntas, como se fosse uma grande despedida hahaha
Mesmo assim, como a viagem vinha em cerca de um mês, resolvemos não falar muito sobre o assunto, não incentivar e apenas levá-la conosco no banheiro sempre que íamos, achando que assim, por imitação, o processo levaria mais tempo. Passei a deixar um pacote de lenço umedecido no meu banheiro e outro no dela, pro caso de ela pedir.
Até que um dia, do nada, pediu: “mamãe, quelo fazê cocô na minha privadinha”. Fingi não ser uma mega notícia para que ela não ficasse intimidada e lá fomos nós. Ela fez e AMOU ver seu próprio cocô hahaha Essa parte curiosa escatológica foi o que mais a incentivou. Nessas duas semanas pré viagem ela pediu apenas duas vezes e ambas foram só cocô mesmo, sem nem uma gota de xixi. Ela sempre pedia para eu não olhar, que eu olhasse para cima ou saísse do banheiro que ela chamava.

Penico-privadinha da Fisher-Price, com assento removível e adaptável ao vaso sanitário comum :)

Penico-privadinha da Fisher-Price, com assento removível e adaptável ao vaso sanitário comum 🙂

Daí jogávamos juntas o conteúdo do peniquinho que fica dentro da privadinha dela no nosso vaso sanitário à quatro mãos, assim como fazíamos com a descarga. Depois lavamos juntas
as mãos dela e as minhas.
E fomos para Orlando. Que surpresa… Chegando lá eu não sei o que desencadeou que ela passou a pedir a ir ao banheiro. Não sei se foi vendo os primos ou se sentiu falta de levarmos ela ao banheiro com a gente (em parques e passeios, com a família junto, um ia ao banheiro e ela ficava com o restante do grupo, sem nem pensarmos em levar junto).

Foi em pleno Animal Kingdom (aqui post), enquanto esperávamos os primos saírem de um brinquedo ao qual ela não poderia entrar, que ela pediu para fazer xixi na privadinha. De novo: evitando celebrar esse momento para não intimida-la (hahah) porém sem muito saber como proceder em pleno parque da Disney, corri com a mochila de troca e ela pro banheiro. Passei álcool gel na tampa da privada e segurei ela. E foi. E foi xixi pra caramba. Notei que a fralda estava seca desde cedo! Mesmo assim, resolvi trocar por higiene mesmo, depois de limpá-la com lenço umedecido e fazer o mesmo processo de descarga, “tchau pro xixi” e limpeza das mãos.
Na saída a família toda celebrou com ela, aplaudiu e disse que ela era uma mocinha. Durante todos os dias da viagem, ela só sujou uma fralda e foi noturna. Um dia que voltamos do parque e ela emendou o sono da volta até o dia seguinte. De resto, ao acordar, perguntávamos se ela queria
fazer xixi e cocô e ela geralmente ia. Passou a pedir ao longo do dia e, ao chegar em casa eu perguntava de novo. Mesmo assim, a deixei de fralda pelos riscos de emoção como eu disse lá em cima do texto. Até no avião de volta ela pediu para fazer (no avião é bem mais trampo pelo espaço e balanço do vôo, mas fiquei aliviada de ela pedir)

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“Acabei de fazer meu xixi na privadinha comum, sou muito moxinha e agora deixa eu ir ali dançar com o Tico e Teco” hahahaha

A Fralda Noturna – Fizemos de uma vez!

Ao chegarmos no Brasil, coloquei o adaptador de privada como opção de uso para o xixi dela, já que durante a viagem não tinha peniquinho ou privada infantil e sim a normal mesmo. Essa privadinha  infantil que temos, da Fisher-Price, tem a parte de cima adaptável para colocar nos vasos sanitários normais. Deixamos a cargo dela escolher onde queria fazer xixi, era só pedir.
Chegamos no domingo e já na 2a feira dissemos para ela que agora ela era uma mocinha e iria de calcinha para a escola, que pedisse às professoras para fazer xixi – e rezamos hahaha Coloquei no instagram a foto de uma calcinha de princesa dizendo que agora seria uma nova fase e que fralda, dali pra frente, só a noturna. Vários seguidores, incluindo uma querida amiga de infância, a Renata Bendit, me sugeriu tirar tudo de uma vez pois com os filhos dela havia sido muito mais simples de entender.
Outra seguidora deu uma idéia bem bacana: colocar aqueles tapete-fraldas de cachorro entre o colchão e o lençol debaixo para o caso de acidentes. E assim fizemos. Houve um vazamento na primeira semana e depois não mais.

O tapete segue firme até hoje na cama dela, mas só por segurança, já que iniciamos o processo há dois meses e, depois desse pequeno vazamento na primeira semana, não houve mais nenhum acidente. Levo ela para fazer xixi antes de dormir e nunca acordei no meio da noite para isso (e a fralda seca, antes de desfraldar, já mostrava que era possível: observar nos ajudar a dar direção). Ela ainda toma o leitinho dela deitada, mas como são cerca de 150ml, ela não sente necessidade de fazer até que acorde.
Todos os dias de manhã, assim que ela toma o leitinho dela, e ao longo do dia perguntamos para ela sobre ir ao banheiro e pronto, já estamos na nova rotina.

Calcinhas e Cuecas Temáticas Ajudam!
Outra coisa que ouvi foi a importância de ter calcinhas e cuecas de personagens que as crianças curtam, para ajudar nesse processo, para que elas queiram usar as peças. Minha mãe e minha “boadrasta” já
haviam dado calcinhas de princesas e da Minnie e estavam aqui esperando ela sair das fraldas. Comprei durante a viagem mais algumas da Princesa Sofia e pronto: agora ela podia escolher a calcinha e mostrava para nós e para as professoras a personagem toda feliz.

2 Meses Depois
Resolvi adiar esse post um pouco para ver como as coisas iam acontecer depois do start oficial sem fraldas. Como eu disse acima, houve apenas um episódio de vazamento dormindo. Já de dia houve apenas um episódio também, mas foi comportamental.
Na 2a semana na vida das calcinhas, fomos à casa da minha cunhada, onde estava a família toda, os primos e etc… Ela fez xixi no meio do quarto dos brinquedos dos primos. Como eu havia perguntado umas 5 vezes antes disso acontecer e a última delas havia sido nem 10 minutos antes, chamei a atenção, dei bronca, mesmo com a família do marido dizendo que “calma, ela acabou de desfraldar”, “calma, deve ser frio…” e etc. Eu conheço a minha filha, simples assim. Troquei ela e fomos embora. Ao chegar em casa, sentei ela no meu colo e conversei.
Perguntei porque ela não havia pedido e ela disse que não sabia. Perguntei se era porque estava frio e ela disse que não. Perguntei se ela estava com vergonha de pedir e ela disse que não. E então perguntei se ela queria chamar a atenção já que a família toda estava ali, entretida com outras coisas e pessoas e ela me abraçou. Pediu para ver Dora e pediu desculpas. Ou seja: eu conheço minha pequena.
Conversei com ela que ela estava sim desculpada e que tudo bem se ela não tivesse conseguido segurar, PORÉM que, se fosse de propósito, aquilo não era aceitável, que não era coisa de mocinha. Disse que fiquei chateada porque havia perguntado várias vezes e, uma delas, logo antes. E ela pediu desculpas de novo. E nunca mais fez isso, assim como nunca mais vazou.

Conclusão
Duas coisas são ESSENCIAIS nesse processo: paciência e diálogo.
Conversar sobre, dividir o seu próprio uso do banheiro e ter paciência para deixá-los a vontade para pedir e entender como funciona essa nova etapa da vida deles. Assim como conversar quando algo “dá errado”. Como no caso da Laura eu sabia que havia sido comportamental, outras crianças agem da mesma forma. É preciso ter paciência no diálogo e entender se foi acidente mesmo ou birra/manha… Acima disso, o clichê verdadeiro e certeiro: CADA CRIANÇA TEM O SEU TEMPO. Não se baseie na
idade que o filho da sua amiga saiu, na idade que o seu sobrinho ou o amiguinho da escola saiu das fraldas. A dica de tirar a noturna junto foi maravilhosa para mim e aconselho TENTAR pois pareceu muito mais fácil de uma vez, do que confundi-la colocando a fralda durante a noite. Comigo foi assim e deu certo 🙂
Saio de casa com 2 calcinhas na bolsa dela, além de troca de roupa completa (incluindo meia e sapato/tênis – coisa que me ensinaram na escola dela), lenço umedecido e álcool gel, para que ela possa fazer em qualquer banheiro, onde quer que estejamos.
Até hoje celebramos o xixi e o cocô dela na privada, como algo super importante e de mocinha. Quando ela faz comigo, nós vamos juntas até o papai ou até outras pessoas da família dizer que ela usou o banheiro toda mocinha e ela fica toda orgulhosa do feito dela. Sentimos que isso a incentiva toda vez.

Esse post foi para contar a nossa experiência no desfralde. Sem regras, sem “o que fazer”, apenas com dicas que deram certo para nós. No próximo post falarei sobre o controle dos esfíncteres e os perigos
do desfralde precoce 🙂

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