O dia em que eu agradeci depois de um acidente de carro.

O susto, o acidente.

Deu a hora de buscar a Laura na natação e lá fui eu na mesma rota de todos os dias. Chovia MUITO, daqueles temporais de São Paulo – mas nada que essa paulista não estivesse acostumada.

Meu bairro alaga bastante, tem muitas valetas que enchem de água. De novo, nada que eu não esteja acostumada dirigindo.

Ontem, nem música eu estava ouvindo – o que é mais do que raro. Eu parei na placa de PARE de um cruzamento que já perdi as contas de quantos carros eu vi batidos. Não vi ninguém vindo, atravessei.

E ali, onde eu passo todos os dias, com a chuva que eu há anos dirijo, só senti a pancada no carro. E ele rodou, estourou airbags laterais e travou todo bem em frente à um poste. Não deu tempo de nada, eu fiquei em choque e ouvia apenas o silêncio, com um apito de stress mental no fundo.

O cheiro do airbag tomou conta do carro, mas a única coisa que me invadia era: A PORTA ONDE A LAURA ESTARIA. Preciso pegar a Laura na natação. Meu Deus, obrigada por minhas meninas não estarem nesse carro nesse momento.

Saí do carro e corri para o carro que bateu em mim. As pessoas das lojas todas estavam na calçada e olhavam. De umas 15 pessoas que estavam ali olhando, apenas 2 mecânicos se ofereceram para ajudar.

Ninguém abria a porta do outro carro e meu coração foi acelerando. Meu carro é enorme e blindado. O carro que bateu em cheio era pequeno e sem blindagem. Finalmente alguém abriu a porta e eu só conseguia perguntar se ela estava bem.

O carro dela estava melhor que o meu, nem parecia que tinha sido o que foi. O meu rodou, acabou com a porta traseira. O dela teve pane elétrica e bem menos danos na frente. Ela me disse que freou, mas a chuva fez o carro dela derrapar até acertar o meu.

Nada disso me importava. Eu só queria que ela estivesse bem, eu só queria agradecer por minhas filhas não estarem no carro. A cadeirinha da Laura nem se mexeu, mas acredito que o airbag a teria machucado. Pior, acho que o psicológico dela não ficaria nada bem.

Entendam: eu tremi por 1 hora e meia debaixo da chuva. Tremia de nervoso, de choque. Eu tenho 37 anos, ela tem 5. Assim que eu vi que a moça estava bem, liguei para a natação e pedi que alguém desse banho e almoço para a Laura. Pelo menos eu sabia que ela estava cuidada.

Julia já estava na escola há 15 minutos. Meu marido, viajando a trabalho, disse a frase que eu mais repito desde então: “tudo que se paga com dinheiro é barato. A gente trabalha, a gente dá um jeito. Mas você e as meninas estão bem e isso é o que importa.”

Os mesmos mecânicos que foram gentis, manobraram meu carro. O resto ficou olhando para mim e para a moça na chuva – ficamos absolutamente molhadas – e não ofereceram nem o teto, nem um café, nem uma água, nem – sei lá – o telefone. Nada disso me importou na hora, sinceramente. Mas, pensando agora: CREDO.

Alívio, gratidão <3

Eu não consigo descrever o que eu senti. Mas sei que eu jamais pensei que eu sairia de um acidente agradecendo. Rezei enumeras vezes desde ontem, ajoelhei para Deus e Nossa Senhora repetindo a imensa gratidão. Havia um anjo da guarda lá, disso eu tenho certeza. Da maneira que foi e ninguém se machucou: um anjo guardou a gente (eu, a moça e minhas filhas).

Voltei pra casa encharcada, com dificuldade de ver a lateral por conta dos airbags abertos. Troquei de roupa, peguei o carro do marido e fui – pelo mesmo caminho – buscar minha Laura. Passei pelo cruzamento, vi o carro dela sendo guinchado.

Em outros tempos, pré-maternidade, eu teria ficado triste pelo carro (eu adoro meu carro), teria pensado em quanto custaria, talvez desconfiasse da moça, sei lá. Hoje, eu só conseguia pensar que ainda bem que foi no material, que a moça está bem, que minhas filhas não vivenciaram isso.

Não sei descrever o susto, o choque e tudo que eu senti na hora. Eu nunca tinha sofrido um acidente, eu nunca bati o carro (e meu marido sempre fala para eu parar de falar isso). O que eu sei descrever foi a avalanche de lágrimas que me dominou quando eu vi a Laura brincando na natação, toda prontinha me esperando.

Eu abracei ela com força e chorei. Dessa vez não consegui me esconder para chorar, eu apenas chorei. Laura, em sua infinita pureza, me fala: “Mamãe, pensa em coisa boa que você vai sentir um alívio. Você quer falar com a minha professora lá na escola? Quando a gente conta as coisas para ela, tudo passa.” E me abraçou.

Mal sabe ela o tamanho do alívio que eu senti na mesma hora do acidente. O alívio de não estarem ela e Julia ali. O alívio que eu senti quando a vi ali sorrindo. No abraço que dei nela.

OBRIGADA.

Dizem que é cafona colocar #gratidão nos posts em rede social. Sempre coloquei e, mais do que nunca, seguirei colocando. GRATIDÃO. Obrigada, meu Deus. Obrigada, minha Nossa Senhora. Obrigada, anjo da guarda (obrigada, nosso anjo Rafael). Eu nunca serei capaz de agradecer o suficiente.

Fé em Deus, sem pé na tábua.

P.S.- Num outro nível de gratidão, a pessoa que bateu no meu carro foi absolutamente solícita, correta e até carinhosa. Falamos pelo telefone ao longo do dia, resolvemos tudo. Amém.

Comente!

  • Bárbara Martins Carajeleascow

    Meu Deus Mari ainda bem que está tudo bem. Nada paga saber que nossos filhos estão bem e que nao aconteceu nada com vc. Deus abençoe infinitamente sua vida sua família. Eu como admiradora sua agradeço a Deus pela sua vida. Bjs

  • Erika Alicia Fiorentino

    Maridão tá certo material trabalha e recupera…já a vida não, que bom q deu tudo certo!E amei o conselho q a Laura te deu, q menina mais doce que vc tem!Bjo

  • Denise Ehlers

    Que susto, Mariana! Penso igual ao teu marido, o importante foi preservado, o resto se corre atrás! Agradece mesmo e bastante pelas meninas não estarem junto! Um abraço carinhoso! ?

  • Isabela Sady

    Mariana,
    Só consegui chorar lendo seu post…
    Fiquem com Deus
    Bjs

  • Vivian Azevedo

    Tbm chorei muito lendo seu texto e tbm agradeci a DEUS por vc estar bem e por suas filhas não estarem no carro no momento do acidente. Tenho uma filha de 01 ano e 03 meses e senti em mim sua aflição e gratidão por tudo estar bem. Que bom que vcs estão bem graças a DEUS!

  • Mariete Barreto E Silva

    Graças a Deus Mari,e que Ele continue abençoando e protegendo sua linda família!
    Como diz minha mãe com a sabedoria de seus 82 anos,o importante é ter saúde e paz,do resto,a gente corre atrás,bjs

  • Sheila Oliveira

    Nossa me emocionei lendo este post! Deus enviou um anjo da guarda para que de grave acontecesse! Forte abraço!

  • Rejane Santos

    Sempre falo de Gratidão nos meus posts todos os dias e ontem mesmo fui criticada no meu trabalho pela hastag #gratidão que coloco e olho ai rs

  • Lalau é uma menina iluminada… me emocionei com a fala dela.
    Amiga, uma bênção sem fim a vocês mesmo.
    E mandem os fiscais da Internet irem catalogar curtidas ?
    #gratidão sim!
    Bjs
    Le

  • Fran Pfeffer

    Mariana, #gratidao é o melhor que podemos oferecer a Deus! Que Deus abençoe sua família e que vocês possam ser gratos ao livramento que ele proporcionou a vocês e à família que estava no outro carro! Te acompanhei muito no tempo de Laura bebê, agora nem tanto, mas agradeço a Deus pela inspiração que você foi para mim quando o meu Bento foi um bebê! Graças e louvores sejam dados a cada momento!