O Fator Felicidade – o que você mais deseja para o seu filho?

Felicidade e amor <3

Felicidade e amor <3

Há duas semanas fui para Nova York a convite da Fisher-Price para conhecer um estudo internacional envolvendo mães de 7 países: Brasil, China, México, Rússia, França, Estados Unidos e Reino Unido. Foram entrevistadas 3.500 mães entre 21 e 40 anos, sendo elas 50% mães de primeira viagem de apenas um filho e 50% gestantes pela 1ª vez.

20150924_092212_red

Quem abriu o evento foi Michael Shore, vice-presidente da Mattel, que se revelou muito surpreso com as similaridades entre as mães de diferentes partes do mundo, como o otimismo em relação ao futuro e o desenvolvimento dos seus filhos e como o fator FELICIDADE liderou a resposta do que todas elas desejam para seus pequenos. Ele ainda citou o quanto está claro para o mundo todo o quanto o QE (quoeficiente emocional) é tão importante quanto o QI para um desenvolvimento saudável e, que o AMOR, é o mais importante para um melhor desenvolvimento, não importa o país e sua cultura.  Shore também apontou dados como: 67% das mães acreditam que o acesso à boa educação faz toda diferença e 63% das mães procuram informações sobre como estimular o desenvolvimento dos filhos por não acharem que só com o instinto elas saberiam ajudá-los com isso. Ele ainda afirmou que as mães do Brasil, China e México acreditam que o ambiente à sua volta é essencial no desenvolvimento dos seus filhos e terminou a sua participação pedindo: DEIXEM AS CRIANÇAS SEREM CRIANÇAS, pois brincar é a maneira mais NATURAL delas aprenderem.

Foram tantas informações importantes e surpreendentes na coletiva que ao escrever esse post eu nem sabia por onde começar. Desde respeitar o tempo de cada criança, não pular etapas ou pressioná-los a aprender mais rápido ou se desenvolver mais rápido, até o fato da inteligência emocional no desenvolvimento da criança ser tão importante quanto a inteligência intelectual. “Tão importante quanto ser bem sucedido na escola é ter amigos”, disse a Dra. Harkness, uma brilhante antropóloga que me deixou fascinada durante o evento. Ela também frisou que as mães sofrem pressões de todos os lados no mundo de hoje, principalmente para mostrarem a inteligência dos filhos e que elas acabam por esperar um bebê genial aos 3 anos, quando ele deveria ser apenas uma criança, brincar e ter um tempo de qualidade com a mãe. Quando se força a criança a ler, escrever e aprender coisas muito rapidamente, elas podem ficar entediadas logo, pois não aproveitarão os ensinos como os amigos e tudo que eles vão aprender logo a frente. Ao mesmo tempo, a Dra. Harkness se surpreendeu com os resultados dessa pesquisa, pois depois de muito tempo se viu que os pais já não estão tão preocupados que seus filhos sejam os primeiros da turma e sim que eles tenham amigos.

Leslie Sawicka, Dra. Liu, Shakira, Martha Debayle, Dra. Harkness e a mediadora, jornalista americana,

Leslie Sawicka, Dra. Liu, Shakira, Martha Debayle, Dra. Harkness e a mediadora, jornalista americana,

Ainda nesse tema, a Dra. Liu, Médica-Chefe do Centro de Saúde do Hospital Infantil de Beijing, falou que as pessoas podem ter um QI altíssimo e não saberem se relacionar com outras pessoas, o que as impede de crescer na vida profissional e pessoal. Ela também ressaltou a importância dos brinquedos, pois eles estimulam a criatividade, o desenvolvimento cognitivo e a imaginação. Disse ainda que pequenos esforços diários, no tempo da criança, são mais necessários do que insistir horas em um mesmo ensinamento para se ter resultado rápido no que diz respeito a um desenvolvimento a longo prazo.

Martha Debayle, uma mulher mexicana incrível e inspiradora, mostrou fortes diferenças culturais ao falar sobre a nossa obsessão aqui na América Latina com a educação de nossos filhos, pois queremos que eles vençam não só entre os de seus países, mas consigam vencer fora dele também.  Ela ainda disse que as mães latinas, como ela, são mais dramáticas para conseguirem que seus filhos entendam o quanto elas querem que eles vençam, sejam perseverantes (“eu trabalho tanto para que você tenha uma boa educação e seja bem sucedido!”) hahahaha… Shakira, nessa hora, falou que a mãe dela não sossegou enquanto ela não leu e escreveu aos 3 anos de idade! Martha frisou que é preciso entender que cada criança tem seu tempo e que não precisamos apressar os passos de nossos filhos baseados no que outros pais contam. Tanto ela quanto Shakira tocaram em um ponto muito bacana de como as mães passaram a se preocupar em como “amar de forma mais eficiente”, querendo que o tempo com seus filhos seja melhor não só para os laços entre eles, mas também para o desenvolvimento da criança. Tempo de qualidade, como Shakira falou tão lindamente – e em português! – na entrevista que fiz com ela logo após a coletiva.

Shakira comentou sobre os anos de violência na Colômbia (40 anos) e o recente processo de paz em que o país ingressou, há pouco menos de 2 anos. Disse que a violência vivida e presenciada por crianças que vivem em países em que ocorrem guerras civis causam um stress tóxico que inibe a capacidade do cérebro de absorver informação. O cérebro fica tomado pelo instinto de sobrevivência e acaba não sobrando espaço para outras informações, não desenvolve habilidades cognitivas para seu desenvolvimento emocional e físico.

Outra pessoa que mostrou tão claramente a diferença cultural foi a francesa Leslie Sawicka, que fazia toda a plateia rir com sua naturalidade do tipo: “a criança chorou? Não tem problema, logo passa. Nós francesas somos muito tranquilas quanto à maternidade. Queremos apenas dar educação, informação e vê-los brincar e se desenvolver. Uma mãe estressada passa esse stress para o filho e ele irá sentir isso. Então, não nos estressamos”. Simples assim. Hahahahah… Em breve vou postar uma entrevista que fiz com ela, onde fica muito claro o quão diferente é o foco na criança e na família e o quão esclarecida ela é quanto ao seu papel de mãe.

Entrevistando a Shakira, essa linda por dentro e por fora, que cuida de tantas crianças através de sua fundação Piés Descalzos.

Entrevistando a Shakira, essa linda por dentro e por fora, que cuida de tantas crianças através de sua fundação Piés Descalzos.

Antes de passar abaixo algumas informações sobre o estudo, principalmente as respostas das mães brasileiras, quero dividir com vocês um pouco do que falei com esses especialistas acima e também a entrevista com a linda da Shakira.

Entrevistando os especialistas que citei acima:

Entrevistando Shakira:

Otimismo sobre o futuro brilhante do bebê.

Quando perguntadas sobre as oportunidades que os seus filhos terão comparadas com as oportunidades que elas mesmas tiveram, as mães de cinco dos sete países sentem que seus filhos terão uma vida melhor, sendo mais de 80% desse índice registrado na China, México e Rússia. O que faz com que a mãe se sinta otimista ao criar um bebê? O acesso à educação foi a resposta número um em todos os países, ficando acima até mesmo de segurança, água potável, plano de saúde e a da capacidade de sustento.

O primeiro e melhor professor

Todos os países têm ampla concordância de que a relação dos pais com o bebê é o principal alicerce para o desenvolvimento saudável. No entanto, foram o Brasil e a China que mais concordaram com a afirmação: “Meu filho pode aprender mais através de interações comigo”.

Deixe as crianças serem crianças

Cerca de metade das mães entrevistadas sentem que é importante estimular as crianças para que elas atinjam seu potencial pleno e para alcançarem metas de forma rápida e à frente dos outros. Isto foi especialmente evidente no Brasil e no México, seguido pela China. Mas independentemente das suas diferentes visões no seu papel como mães, todas concordaram que o mais importante é ter em mente que para o desenvolvimento saudável é preciso deixar as crianças serem crianças.

O poder da brincadeira

O estudo revelou que as mães estão totalmente dispostas a brincar com o seu filho. Uma das afirmações mais votadas foi a de que “Brincar é a forma como as crianças aprendem mais naturalmente”.

Dados levantados pelo estudo sobre as mães brasileiras:

Palavras que as mães brasileiras mais usam para descrever seu filho: inteligente, bonito e esperto.

O que as mães brasileiras acham que é mais importante para o desenvolvimento do seu filho: Amor, educação, brincadeiras e referências.

Características de destaque: As principais coisas que as mães brasileiras querem que o seu bebê alcance na vida: 

  1. Honestidade
  2. Respeito pelos pais e pessoas mais velhas
  3. Educação
  4. Felicidade
  5. Boa higiene pessoal

Enquanto essas características principais também foram escolhidas por outras mães no ranking internacional, as mães brasileiras deram ainda maior ênfase em criar um filho que também tivesse consciência ambiental, diferente do que as mães de outros países pesquisados disseram.

  • 67% das mães brasileiras concordam que consciência ambiental é uma característica importante para a criança ter. Essa característica ficou em 9º lugar no Brasil, enquanto que em outros países, ela não chegou a ficar nem entre as 10 mais votadas.

2015-10-20 17.08.21

Medidor de pressão dos pais

As mães brasileiras confiam nas suas habilidades maternais e estão abertas a aprender mais? 57% das mães pesquisadas no Brasil concordaram que “paternidade está relacionada ao senso comum”. A maioria das mães também concordou com essa afirmação em todos os outros países pesquisados. No entanto, a maioria não acredita totalmente no instinto materno. 84% das mães entrevistadas no Brasil concordam que elas gostam de “Manter-se atualizada com as últimas informações sobre a criação dos filhos”.

Atividades diárias

20150924_102642_red

As principais atividades que as mães brasileiras disseram realizar com o seu bebê são:

  1. Conversar com meu bebê (89%)
  2. Tentar fazer meu bebê rir (87%)
  3. Brincar com brinquedos (70%)
  4. Brincar no chão com o bebê (62%)
  5. Cantar ou dançar (59%)
  6. Assistir TV ou vídeos (57%)
  7. Brincar do lado de fora da casa (41%)
  8. Passear (37%)
  9. Tirar fotos ou fazer vídeos do meu bebê (34%)
  10. Ler livros (30%)

Em breve, postarei as entrevistas com especialistas falando separadamente de temas que me chamaram atenção.

A IMPORTÂNCIA DO AMOR E DA FELICIDADE, TEMPO DE QUALIDADE COM OS FILHOS, DEIXAR OS FILHOS BRINCAREM E APRENDEREM CADA UM NO SEU TEMPO… Essas são algumas das lições que aprendi nesse evento e que levarei para sempre comigo.

Comente!