O Julgamento está nos olhos de quem vê.

Nos olhos de quem vê.

Dias atrás eu estava com a Laura em um shopping. Eu e ela temos alguns combinados, em termos de limites/educação/etc… como qualquer família tem com seus filhos.

Laura é uma menina muito educada e cumpre super os combinados, mas não deixa de ser criança. Dada hora ela descumpriu alguma coisa “nossa” e tomou uma bronca.

Olhei pra trás e duas mulheres claramente me julgavam, se entreolhando e fazendo cara de “credo, pra que isso?”. Eu poderia ter ficado p da vida, mas isso me fez pensar.

O julgamento e o contexto da cena

(Imagem © Wavebreak Media Ltd./Corbis)

Aquelas pessoas não sabiam o contexto da bronca, os combinados e conversas que eu tenho com minhas filhas, o que levou ao ponto de eu dar uma bronca. E sim, acima de tudo: elas não têm NADA com isso, vamos combinar hahahaha

Mas me fez pensar: quantas vezes eu já não posso ter achado exagerada a ação de alguém na minha frente. Seja com filhos, com terceiros, pela vida. Claro que grosseria gratuita não conta (sempre acharei uó), porém eu lá sei que dia aquela pessoa está tendo?

Por exemplo: quando uma mãe deixa o filho em pleno escândalo (provavelmente durante a fase maravilhosa – só que não – de Terrible Two) no chão e sai andando sob olhares julgadores de toda uma galera que não faz a menor ideia do contexto, da fase em que a criança está…

Passei por isso com a Laura quando ela tinha 2 anos. Gritou, esperneou, lambeu o chão do shopping, fez escândalo… Morri de vergonha? Sim. Olhei em volta e me senti ULTRA MEGA BLASTER julgada? Com certeza. Saí andando e me escondi atrás de uma pilastra do shopping (onde eu podia vê-la) e vi pessoas indignadas com meu ato? MAS ABSOLUTAMENTE COM CERTEZA.

Porém, eu sabia o que estava fazendo. Laura NUNCA MAIS fez aquilo. Pode ser que a Julia faça e não dê certo minha tática e então eu tenha que achar outra, mas SEMPRE haverá olhos julgadores que não fazem ideia do contexto e do que estou fazendo aquilo. Parecerá sempre uma mãe cruel.

Mas, que é mesmo que é responsável pela criação da minha filha? Quem mesmo está preocupada em guiar aquele ser humaninho pela vida e sabe diariamente o que isso implica? Pois é: eu e meu marido.

Eu do outro lado do julgamento

Recentemente passei por uma situação bem desagradável, que já dividi nas redes sociais e que está aqui nesse post do Razões para Acreditar. Um cara gritando comigo e com um senhor absolutamente descontrolado.

Pensei, depois do ato grosseiro dele ter sido ofuscado pela bondade e dignidade do Lucas, que o problema ali no descontrole do cara pode não ter sido exatamente por aquele episódio. Mas eu posso ter sido a gota d’água de um dia que para ele poderia estar sendo péssimo.

Claro que não justifica a grosseria e a maneira agressiva, mas também não acredito que uma buzina possa ter levado ele àquele estado de nervos. Eu sei lá se ele já não estava passando por algo naquele dia…

A babá, a academia e o julgamento.

Há 3 anos a Laura frequenta a mesma academia, onde faz ballet e natação. Vejo praticamente as mesmas crianças com seus pais e/ou babás nesses 3 anos.

Tem um casal de irmãos muito fofos que estão com a mesma babá há anos e ela sempre foi carinhosa com eles e eles loucos por ela. A gente convive no vestiário, na espera das aulas e etc.

Um dado dia, a menina estava no auge do terrible two se recusando a entrar no carrinho para ir embora. A babá foi firme e conseguiu colocar o cinto na menina, que esperneava. Prontos para irem embora, eis que acontece algo…

Uma funcionária da academia foi contar para uma senhora aluna da mesma que a babá estava maltratando a menina. A senhora se deu o direito de ir atrás, barrou a babá na porta da academia, a xingou e arranhou ela no peito e nas mãos. Eu fiquei em choque.

O que aquela senhora sabia daquela babá? Ela NEM VIU a cena. Que direito ela tinha de se meter e, pior, agredir a moça?

Não aguentei, fui atrás enquanto a babá chorava e tremia – e as crianças choravam e gritavam: “ninguém bate em você! Vamos brigar com essa moça!”, enquanto a abraçavam.

Cheguei para a senhora e perguntei se ela viu a cena. Não. Perguntei se ela convivia com aquela babá há anos como nós. Não. “Mas me contaram e eu achei um absurdo”. Eu falei um monte e disse que a mãe das crianças estava chegando em minutos por conta do que ela fez com a babá.

“Ótimo! Assim eu falo o que houve”. Ué, você nem viu! “Mas se fosse com a minha neta…” Você se meteria? Ok, sua filha, suas netas. Você por acaso sabe que autoridade a mãe dessas duas crianças dá à essa babá? Você é vó delas também? Você vive ali? As crianças estão chorando pelo que VOCÊ fez e a babá tem zero condições emocionais de voltar andando com elas na rua. Legal?

A mãe chegou, a senhora (ÓBVIO) tinha desaparecido. Desapareceu por 1 mês. Quando voltou foi pedir perdão para a babá e pediu, pelo amor de Deus, que ela não fizesse BO (a babá havia solicitado as imagens na recepção – e TODOS estavam do lado dela nisso para apresentar na delegacia, junto ao corpo de delito que ela já havia feito). Foi resolvido.

Mas: precisava? O que aquela senhora sabia do que havia acontecido? O que ela tinha a ver com a babá que ela nem sabia que acordo tinha com os pais da criança. Ninguém estava falando de uma babá que bateu em uma criança, não estamos falando de algo absurdo.

Julgamento: pensar duas vezes é necessário

Sempre falei de bullying materno. Sempre falei do pavor que eu tenho e da bandeira que eu levanto contra julgamento feito de mãe para mãe. E continuarei levantando.

Falta compaixão, falta sororidade! Não só entre mães, mas entre as mulheres. Eu me pego julgando? Claro, sou humana. Mas ultimamente uso meus julgamentos para refletir. E JAMAIS vou dar minha opinião sem que me peçam.

Além do mais, mesmo que a gente sinta a necessidade de dizer qualquer coisa (e sempre é melhor não dizer, a não ser que peçam) a questão está em COMO dizer aquilo. Apontar o dedo e fazer a pessoa se sentir mal? Pra que?

Mas mudando a forma de falar, você pode até ajudar alguém – SE ESSA PESSOA QUISER.

Bjokas!

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