O que é o movimento anti-vacina e porque os médicos brasileiros são contra.

Girl (4-5) is vaccinated

(Imagem: Greg Vote, Corbis)

 

Semana passada postei aqui no blog os diferentes calendários de vacinação existentes no Brasil e lembretes online para não te deixar esquecer as vacinas do filhote.

Depois que postei, fiquei pensando em alguns amigos meus que nunca vacinaram e não pretendem vacinar os filhos. Quis entender de onde vinha aquele movimento e o porquê dessa opção. Ouvi mais de uma teoria sobre o assunto e o mesmo pedido de todos: “só não cita meu nome, por favor, senão as escolas me matam”. Sim, é norma brasileira que as escolas solicitem aos pais a carteira de vacinação do aluno em dia no ato da matrícula (e rematrícula).

Mas de onde vem esse movimento? Pedi para meu querido amigo, pediatra, Dr. Rodrigo Liberato de Oliveira, escrever sobre a origem desse movimento e também sobre a importância de vacinar seu filho e o porquê os médicos brasileiros repetem esse pedido com tanta força.

“Vacine seu pequeno” – por Dr. Rodrigo Liberato de Oliveira

O slogan é simples, direto e repetido a exaustão pelas autoridades de saúde, médicos, e em campanhas de vacinação em massa.  O que parecia uma das poucas unanimidades da sociedade moderna, a vacinação de bebês e crianças vem sendo questionada por um movimento de pais que  se recusam a vacinar seus filhos, ou deliberadamente atrasam o uso de certas vacinas.

O movimento anti-vacinação não é novo, tendo surgido de maneira praticamente simultânea às vacinas. Com registros que remontam a China antiga, a estimulação do sistema imunológico através da inoculação de um agente infeccioso em uma pessoa saudável, na esperança de produzir doença mais leve e controlável, ganhou força no início do Século 18, nos Estados Unidos da América. Num processo chamado “Variolação”, indivíduos saudáveis eram inoculados com a forma integral do vírus da Varíola . A prática foi difundida para a Europa, através do Reino Unido, e só foi abandonada quando surgiu a primeira VACINA propriamente dita, quando uma variante bovina da varíola foi usada para provocar imunidade contra a forma humana, sem a necessidade de a pessoa adoecer.  Essas primeiras e bem sucedidas experiências foram acompanhadas de reação negativa e críticas, àquela época majoritariamente de cunho religioso, com sermões que atribuíam à pratica um caráter demoníaco.

A última onda significativa do movimento anti-vacinação teve início em 1998, quando o médico Britânico Andrew Wakefield publicou artigo na importante revista médica “The Lancet”, relacionando a vacinação combinada contra Sarampo, Rubéola e Caxumba (MMR) com casos de autismo. Descobriu-se em seguida que o Dr. Wakefield havia falsificado seus dados, e o médico teve sua licença cassada. Apesar da punição ao médico que iniciou a controvérsia, e a retirada do artigo de circulação, já estávamos na era da Internet, e uma série de argumentos pseudocientíficos ganhou força na cada vez mais social rede mundial de computadores.

A liberdade individual e religiosa,  o combate a um suposto lobby da indústria farmacêutica e até a conivência dos governos em esconder possíveis efeitos colaterais graves foram alguns dos impulsionadores do argumento anti-vacinação. Não se sabe exatamente quantas pessoas hoje deixam de vacinar seus filhos mundo afora, mas um recente surto de Sarampo, doença que passou anos indetectável, tanto nos EUA como no Brasil, devido a ampla vacinação da população infantil, que aconteceu a partir do parque temático Disneyland, na California , e que foi rastreado até uma criança que não tinha sido vacinada por seus pais, evidenciou que cada vez mais pessoas adotam essa prática.

É dramática a vantagem em se vacinar seu filho. Via de regra, vacinas previnem doenças graves, devido ao alto risco de morte ou sequelas importantes. São doenças contagiosas, que se disseminam fácil e rapidamente pela população, então a não vacinação afeta a toda a comunidade que cerca uma pessoa não vacinada.

Enquanto existam reações adversas, a imensa maioria é considerada leve, não passando de desconforto local, como dor e coceira, e febre baixa.  Atenção especial deve ser dada a indivíduos com histórico de alergias, principalmente a ovo de galinha, e seu médico deve ser informado da condição alérgica prévia, bem como de qualquer sintoma relacionado ao uso de uma certa vacina.

Para maiores informações, não deixe de consultar seu médico pediatra e discutir com ele todas as suas dúvidas. Se ainda assim, você optar por não vacinar seu filho, entenda os riscos e responsabilidades associadas a esta decisão. O “Center for Disease Control and Prevention”, entidade Americana responsável pelo controle de doenças infectocontagiosas, recomenda que a escola onde a criança estuda seja informada da condição de não imunização da criança, assim como a equipe médica, em qualquer caso de atendimento, e todo quadro febril deve ser investigado por médico, afim de afastar doença prevenível por vacina.

(Dr. Rodrigo Liberato de Oliveira (CRMMG 49146) é formado em pediatria na UFBA, foi Pediatra pelo Hospital São Rafael na Bahia, Cardiopediatra pela Unifesp em 2008 e hoje trabalha no Hospital Universitário Alzira Velano, em Alfenas-Mg)

Se você quiser saber mais ainda sobre o movimento “anti-vacinas”, há também esse texto no site do Dr. Drauzio Varella.

Quanto mais eu leio, mais PRÓ-vacina eu sou. Digo isso sem julgamentos, sem dizer certo ou errado. É apenas como eu me sinto lendo todas essas coisas e o parecer de pediatras respeitados como o Dr. Rodrigo, Dr. Drauzio e tantos outros. Coloquei aqui no blog o olhar dos médicos brasileiros, mas também de onde vem a teoria onde se baseia os que optam por não vacinar seus filhos para que vocês tirem suas conclusões e pensem no que acham melhor para o filho de vocês. O espaço dos comentários abaixo está aberto para opiniões, ponto de vistas e discussão saudável 🙂

Bjokas <3

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  • Esse post é importantíssimo. Se ele mudar a visão de UMA pessoa que acha melhor não vacinar a criança, já valeu o tempo gasto, Mariana.

    Vou ser sincero aqui, acho que não vacinar a criança deveria ser crime gravíssimo. É um ser incapaz, que não pode tomar as próprias decisões, é dever dos pais fazer o melhor pra ela, e nada justifica deixar seu filho desprotegido.

    Se você realmente acha que vacina é algo ruim, apenas busque informações, saia das teorias conspiracionistas que você ouviu de um maluco qualquer ou de um programa de TV sensacionalista. Não há “arma de controle do governo” num medicamento criado por CIENTISTAS ESPECIALIZADOS. Eles vendem sim suas vacinas pros governo porque investiram tempo, estudo e dinheiro na pesquisa pr’aquela cura, assim como você venderia sua bijuteria na banca se fizesse uma.

    E se você ainda duvida de vacina depois de ler esse ótimo texto da Mariana, ler opiniões de um médico especializado, que estudou pra isso, então por favor cheque este gráfico com o número de casos de Measles (sarampo) antes e depois da invenção da vacina.

  • Rosa Silva

    muito bom o post,mas,pergunto: por que na tv,não passa os médicos em geral dando exemplo,vcinando os filhos,e por que não aparece na tv famosos vacinando os filhos e os milionários etc.Por que só mostra as pessoas pobre…eu nunca vi nos jornais dizer que os médicos,os famosos e os milionários acinaram os seus filhos,nunca vi…

  • Karine Durga

    Eu não concordo com a obrigatoriedade da vacinação.
    Também não concordo com o bombardeamento de vacinas com excipientes duvidosos, como mercúrio e alumínio que tem concentrações altíssimas nas vacinas. Concentrações muito maiores do que o limite estipulado na água que bebemos por exemplo…
    Por que para ser administrado via venosa esse limite da concentração pode ser ultrapassado em até 5 mil vezes?! E em recém-nascidos…?
    Eu não confio nas vacinas, nao existe pesquisa suficiente a respeito. O que existe são muitas evidências, e essas evidências é claro não sai na tv.
    Na faculdade de medicina recebemos uma lavagem cerebral, seguir o que diz órgãos como Oms é uma das regras… Vc acha que o Dr Drauzio vai entrar na briga e correr o risco de perder o crm dele?!
    A indústria é mais poderosa que o governo e quem vai contra eles mandam calar…
    Esse é um MERCADO de lucra muito encima do medo que foi instaurado na população…
    Acho que a discussão é muito válida!
    Hoje em dia o acesso à informação nos possibilita questionar e pesquisar o que é melhor pra todos nós! Não podemos nos sentar na frente da tv e acreditar que ali esteja uma fonte de informação confiável.
    Existem médicos E médicos… O Dr. Drauzio é um desses que diz que margarina Becel é bom pro colesterol e leite de vaca pros ossos.
    Podemos se quisermos pesquisar pra OPINAR e poder Decidir com mais propriedade.

    • Pirata Espacial

      “Também não concordo com o bombardeamento de vacinas com excipientes duvidosos, como mercúrio e alumínio que tem concentrações altíssimas nas vacinas. “
      Pesquise o que é adjuvante imunológico antes de falar besteiras!

      “muito maiores do que o limite estipulado na água que bebemos por exemplo…
      Outra bobagem falada sem embasamento científico!

      “Eu não confio nas vacinas, nao existe pesquisa suficiente a respeito. O que existe são muitas evidências, e essas evidências é claro não sai na tv.
      Pesquisa tem de sobra, nunca ouviu falar sobre artigos científicos revisados em pares??? A TV não passa isso, pois o público é imbecil e iletrado que não se interessa por ciência, a TV quer audiência, infelizmente…

      “A indústria é mais poderosa que o governo e quem vai contra eles mandam calar…
      Esse é um MERCADO de lucra muito encima do medo que foi instaurado na população…
      Lucra tanto que medicamentos e vacinas são distribuídos de graça pelo sistema de saúde, faz sentido isso? E sabe qual é a sua falta de lógica??? Mercado homeopático e terapias alternativas é que lucram, bem mais que o próprio governo…

      “Hoje em dia o acesso à informação nos possibilita questionar e pesquisar o que é melhor pra todos nós.Não podemos nos sentar na frente da tv e acreditar que ali esteja uma fonte de informação confiável.”
      Mas pelo visto é você que acredita em bobagens da conspiração, quer fonte de pesquisas?? Artigos científicos de alto impacto revisado em pares, e não em youtube ou blogs de analfabetos fanáticos…

      “Existem médicos E médicos… O Dr. Drauzio é um desses que diz que margarina Becel é bom pro colesterol e leite de vaca pros ossos.”
      É seu apelo à autoridade contra vários artigos e anos de pesquisas comprovando a eficácia das vacinas, não valem nada.

      “Podemos se quisermos pesquisar pra OPINAR e poder Decidir com mais propriedade.”
      Sua opinião é irrelevante diante fatos científicos, vacinas funcionam, caso não concorde vá pesquisar e publique sua pesquisas através do método científico, ciências não é achismo. E essas fotinhas retardadas não dizem nada, são só falácias contra artigos científicos comprovados.

  • Fabricia Calvo

    Acho que o Dr deveria respeitar a opinião do próximoe não chamar quem não queira ser vacinado de burros. Não se achar o Deus da medicina. Fui vacinada quando criança e tive praticamente todas as doenças infantis. Acho estranho não terem achado a vacina contra o câncer. Seria conveniente???? Senão quem sustentaria as clinicas de quimio né… Tive um câncer e graças a Deus estou curada e opto por não bombardear meu corpo de vírus.
    Quem garante que a vacina é 100% segura???? O dr???? Nem medicamento que tomamos é 100% seguro sempre causa algum problema que dirá vírus e mais vírus dentro de nosso corpo.
    Respwite o próximo, respeite
    a opinião do próximo.