O Uso correto dos antibióticos

Antibióticos: mitos, verdades e o uso correto. (Imagem: © Ragnar Schmuck/Corbis)

Antibióticos: mitos, verdades e o uso correto. (Imagem: © Ragnar Schmuck/Corbis)

São muitos os erros cometidos quanto ao uso dos antibióticos: aumento de dosagem, auto medicação, troca de medicamento sem perguntar ao médico, esquecimentos ou um “não tem problema” quanto ao horário … Como venho escrevendo aqui, não se pode brincar com antibióticos. Antibiótico é coisa séria. Escrevo sobre isso com intenção de conscientizar os pais, alertar sobre os perigos, informar.

A maioria das pessoas estremece quando ouve a palavra ANTIBIÓTICO, ainda mais quando se trata dos nossos pequenos, tão delicados e frágeis. Mas qual seria esse grande problema à respeito dos antibióticos? Porque todo mundo tem aflição de tomar antibióticos? Seria por causa do medo de possíveis efeitos colaterais? Ou seriam as crenças de outros tempos?

Não tem o mito de que o antibiótico impede o crescimento de criança, estraga o dente, deixa o dente amarelo? Isso vem de onde? isso não vem do nada. As fórmulas muito antigas, de fato, tinham um efeito colateral muito indesejável. Falo isso com conhecimento de causa: tive dente escurecido pelo uso de antibiótico quando pequena. Tive uma sequência de doenças em curto espaço de tempo: rubéola, sarampo, hérnia no umbigo…

Porém os antibióticos, a indústria, vão evoluindo conforme a gente também vai evoluindo. A tecnologia vai evoluindo, as descobertas cientificas vão evoluindo, e a indústria também vai evoluindo na produção de antibióticos. As indústrias gastam fortunas para descobrir as melhores fórmulas de antibióticos. A cada ano, a cada dois anos, até a cada mês que vai mudando, a indústria vai conseguindo cada vez mais purificar as fórmulas e descobrir novas fórmulas, com muito menos efeitos colaterais.

A gente tem hoje um antibiótico especifico para cada doença, não é um antibiótico que pega tudo (diferentemente de outros tempos). Tem um que é melhor para o ouvido, outro que melhor pro pulmão, outro que é melhor pra garganta, porque são bichos diferentes que podem estar atacando. Tem um bicho que gosta mais do ouvido, outro gosta mais da garganta, outro que gosta mais de infecção urinária. Enfim, tem vírus, tem bactéria, tem os vírus que para os quais não precisa de antibiótico. Então o que acontece com tudo isso? A indústria vai se aprimorando e a ideia é: diminuir os efeitos colaterais, melhorar o gosto (é uma droga química, mas você tem que melhorar o gosto e dar uma certa comodidade posológica, ao invés de ficar dando de 6 em 6 horas).

O uso correto dos antibióticos está em respeitar a receita, confiar na prescrição do médico e não ir pela indicação da vizinha, da amiga, da sua mãe… Você não vê melhora? Não interrompa o uso, muito menos aumente a dose ou modifique os horários por conta própria. Fale com o médico e diga o que está pensando. Há uma razão pela qual aquele medicamento foi prescrito daquela forma.

O mundo dos antibióticos é como se fosse uma escada. A gente tem os que têm menor complexidade até aquele que só podem ser dados intravenosos, que tem até um pouco mais de efeitos colaterais, aqueles que a gente tem que tomar mais cuidado, que são infecções mais invasivas. A maneira como o médico prescreve é pensando assim: começam pelo primeiro degrau e vão tentar não sair desse degrau. Nesse degrau, ou nessa prateleira, tem um monte de antibiótico que eles podem usar na maioria das infecções. Na medida em que as infecções vão ficando mais complexas, ele têm que ir subindo os degraus dessa escada e pegar outras prateleiras de antibióticos. Esses antibióticos dessas prateleiras são mais caros no geral, porque eles têm mais tecnologia, são mais específicos, são muito mais complexos e, claro, alguns deles têm muito mais efeitos colaterais.

Para as tais bactérias super resistentes, tem que se pegar o que tem na última prateleira, no último degrau da escada e nem sempre esses funcionam. Então é por isso que a gente tem que ter cuidado: não é só a dosagem, a gente tem que ter a opção de modificar, trocar o antibiótico. E isso só quem pode fazer é o médico.

Quando o médico está examinando um paciente, está examinando uma criança, ele sabe todo o histórico daquela criança (se é a primeira consulta, vai te encher de perguntas sobre o histórico dela). Ele sabe exatamente o que aquela criança tinha, está observando o grau de obstrução, por exemplo, das vias respiratórias. No ouvido, verá se tem mais secreção, se tem menos secreção.

É importantíssimo saber que não existe uma criança igual a outra. Não tem uma pneumonia igual a outra, não tem uma otite igual a outra, não tem uma pessoa igual a outra. A gente tem dois, olhos, um nariz e uma boca. Não existe um rosto igual ao outro, mesmo estando tudo no mesmo lugar. O pulmão está no mesmo lugar, mas não existe uma pneumonia igual a outra.

Um médico, prescrevendo um antibiótico para aquele paciente, ele sabe exatamente qual antibiótico que ele quer dar, para aquele paciente especifico. Não existe prescrição de antibiótico coletiva, não existe. Não é que nem vacina – essa vacina é para todo mundo. O antibiótico é totalmente individualizado. É para aquela pessoa, para o peso daquela pessoa. Para criança, o médico prescreve antibiótico em miligramas por quilo e por dia. Então se a criança pesa 5,6, a dose dela pode ser diferente daquela que pesa 6, ou que pesa 5,8 quilos. É diferente. As doses são dadas por miligramas, por quilos, por dias.

O paciente que não sabe desses critérios chega à farmácia e tem algum balconista que fala: “em vez deste, tome este” está praticamente cometendo um crime porque ele não conhece o histórico, não sabe o raciocínio que está por trás, ele não sabe quem é aquele paciente.

Não existe “vou pegar a receita de um vizinho”. O médico prescreve pensando como é que aquele antibiótico vai fazer bem para aquela pessoa. Como aquele antibiótico vai vencer essa guerra contra aquela bactéria específica. E se as bactérias forem se aprimorando é porque elas vão entendendo quais são as armas usadas. Só o médico pode mudar essa estratégia, tendo critérios e rigor na prescrição de um outro antibiótico ou alterando sua dosagem/horários…

Essa conscientização é importantíssima porque, de fato, o antibiótico é coisa séria. O antibiótico salva vidas. Aliás, ele muito mais salva vidas do que produz efeitos colaterais. Muito mais.

Se a gente for ver no mundo o que o antibiótico faz para as pessoas, estamos falando de mil, milhões, trilhões de vezes muito mais benefícios que malefícios, mesmo considerando todos os possíveis efeitos colaterais. Mas, para isso, a gente tem que dar o remédio certo para a pessoa certa.

Use corretamente, respeite a receita. Com antibiótico não se brinca.

GLA-0035-14-Selo_Blogagem_AF

#Publieditorial. Apoio GSK

Comente!