Os – nem sempre agradáveis – exames do Pré Natal. Parte 1 – Consultas e Coletas (Sangue, Urina e Cotonete)

São muitos, nem sempre tão agradáveis de fazer, mas de extrema importância :)

São muitos, nem sempre tão agradáveis de fazer, mas de extrema importância 🙂

Nem sempre agradáveis, mas extremamente necessários, os exames de Pré Natal são basicamente os mesmos para todas as mulheres. Eu estou na 2ª gestação, com obstetra diferente da 1ª gestação e meus exames não foram os mesmos. Na primeira gestação fiz um de glicemia que durou 2 horas, por exemplo, e nessa o mesmo exame foi de apenas 1 hora, enquanto na 1ª gestação não me foi pedido o exame de cardiotoco (monitoramento fetal) na reta final e, a pedido da minha obstetra, fiz um ontem, com 36 semanas.

Independentemente do que pedem ou deixam de pedir alguns obstetras, alguns exames são sempre os mesmos. Com ajuda da minha obstetra e consultando alguns sites, relacionei aqui o que é de comum senso em questão de importância para a saúde da gestante e do bebê ao longo das 40 semanas de gestação.

CONSULTAS COM O OBSTETRA

(Imagem: © Wavebreak Media LTD/Wavebreak Media Ltd./Corbis)

(Imagem: © Wavebreak Media LTD/Wavebreak Media Ltd./Corbis)

Meu conselho aqui é: pergunte TUDO. Leve todas as dúvidas, por mais bestas que possam parecer, para conversar com o seu médico. Uma coisa que pode parecer bobagem para os outros – e até para você mesma – esclarecida, é uma coisa a menos para ficar pensando no dia a dia. Dia a dia esse que é repleto de novidades, informações, mudanças no corpo… Se alguém te falar que não se deve comer pimenta porque “queima o bebê” (e isso é mito mesmo, gente), mas isso te incomodar, PERGUNTE, não tenha a menor vergonha. Converse tudo que tem para conversar e alivie sua mente e coração.

Normalmente até a 33a semana a consulta acontece 1 vez por mês. Nessas consultas o que geralmente acontece é: você é pesada, sua pressão arterial medida e, depois de algumas semanas (14, mais ou menos) o obstetra já pode medir o batimento do seu bebê com um doppler (aparelho especial para isso). Ouvir o seu coração, seu pulmão e medir sua barriga com fita métrica para verificar a altura uterina também é comum em alguns consultórios. Alguns obstetras particulares possuem aparelho de ultrassom no consultório e mostram o bebê em todas as consultas, assim como foi na minha primeira gestação.

A partir da 34a semana, por aí, as consultas passam a ser a cada 15 dias. A partir da 38a semana, passam a ser semanais e, caso você passe das 40 semanas, é provável que retorne ao obstetra a cada 2 ou 3 dias. Nessas últimas semanas é bem capaz que seu médico faça exames de toque para ver se há dilatação. Durante todo esse tempo e consultas, seu médico pedirá exames e conversará com você sobre os resultados. Alguns médicos pedem a senha e login de laboratórios para você, para que pegue os resultados antes da próxima consulta, assim, qualquer resultado atípico pode ser analisado o mais rápido possível.

O Ministério da Saúde considera seis consultas o número mínimo para um pré-natal saudável. Mas, seguindo o esquema acima, você pode ter bem mais que isso, de 10 a 15 consultas.

EXAMES DE SANGUE

(Imagem: © Andrew Brookes/Corbis)

(Imagem: © Andrew Brookes/Corbis)

Na primeira consulta o médico deve pedir vários exames de sangue de rotina, para verificar qual é seu tipo de sangue (Rh positivo ou Rh negativo), ver se há anemia e detectar anticorpos para sífilishepatite Brubéolatoxoplasmose e a presença do vírus HIV. Alguns podem também pedir a dosagem do beta-hCG.

A partir de 8 semanas já é possível fazer um exame de sangue de sexagem fetal, que revela o sexo do bebê, mas o objetivo é apenas matar a curiosidade dos pais. É um exame que pode chegar a custar R$ 1.000,00 em alguns laboratórios (não, os convênios não cobrem). Mas, pesquisando entre Fleury, Einstein, Delboni e etc, fiz por cerca de R$ 270,00 no Lavoisier http://www.lavoisier.com.br/ pois estava prestes a viajar pros EUA e queria já comprar algumas coisas. Lembrando que antes do exame você assina um termo onde se diz ciente de que o exame não é 100% certo e sim 80%.

Existe um exame de sangue que a partir de 10 semanas consegue detectar, além do sexo, outros problemas genéticos, principalmente a síndrome de Down, eliminando em caso de negativo a necessidade de exames invasivos.

Esse exame é caro e ainda não é coberto pela maior parte dos planos de saúde. Como alternativa, há um exame de sangue que mede certos marcadores bioquímicos e que, através de uma combinação matemática com a translucência nucal, indica se há possibilidade maior de haver alguma síndrome. Em caso positivo, são indicados os exames invasivos.

Entre 20 e 24 semanas, você vai fazer novos exames de sangue para ver se há diabete gestacional. O procedimento mais comum é verificar a metabolização do açúcar. Você faz um exame de glicemia em jejum, depois bebe um líquido MUITO doce e, dependendo do médico, 1, 2 e/ou 4 horas depois, repete o exame. Na minha primeira gestação eu fiz o de 2 horas à pedido do antigo obstetra. Nessa gestação, minha obstetra pediu o de 1 hora pois, caso houvesse alguma alteração, ela pediria o de mais horas. Mesmo com avô materna diabética e avó paterna com suspeita de ter tido diabetes gestacional (meu pai nasceu com 5,600kgs!!!!), eu não tive alteração nenhuma. Esse é, sem dúvida, um dos mais desagradáveis exames porque esse monte de açúcar (sendo que é um líquido espesso de limão, como uma Sprite sem gás e grossa – ECAT – que você toma de uma vez) você toma sem nada no estômago. Dá enjôo e, no meu caso, até tontura e dor de cabeça.

Por mais tentador que seja, procure não tentar interpretar os resultados dos exames sozinha. Você pode se assustar sem motivo. É sempre melhor esclarecer suas dúvidas com o médico.

OS EXAMES DE SANGUE, UM POR UM.

(imagem: © Andrew Brookes/Corbis)

(imagem: © Andrew Brookes/Corbis)

Quando colocados assim, um por um, fica parecendo que vão te tirar 3 litros, que vão te espetar várias vezes, encher vários tubos e etc… Mas não. Muitos deles são tirados de um tubo só e não demora muito para ter todos eles a caminho da análise, tão importante. Por que importantes? Falo abaixo:

FATOR Rh: Caso você não saiba seu tipo sanguíneo, o primeiro exame indicará se você é fator Rh negativo ou positivo. Se você for Rh negativo e seu parceiro for Rh positivo, você terá de fazer exames de sangue mensais a partir das 28 semanas de gravidez, ou no intervalo determinado por seu obstetra.

Leia mais sobre o que significa ser Rh negativo na gravidez nesse link do BabyCenter.

NÍVEIS DE FERRO: No hemograma, o médico verá se seu nível de hemoglobina está baixo, o que é um sinal de anemia.

Se você estiver anêmica, o obstetra vai orientá-la sobre quais alimentos preferir (como carne vermelha magra e verduras escuras) para reforçar o estoque de ferro no seu organismo. Ele pode prescrever também suplementos de ferro.

Sua taxa de hemoglobina pode ser verificada de novo ao longo da gravidez, pelo exame de sangue, se você apresentar cansaço excessivo.

GLICEMIA: Esse exame de sangue indica o nível de açúcar que há no seu corpo. Se você tem diabete na família ou estiver acima do peso ideal, tem mais chance de desenvolver diabete gestacional, uma condição que só aparece durante a gravidez.

Caso o médico ache necessário, você pode ser submetida no segundo trimestre da gravidez ao teste de tolerância à glicose, que é um exame de sangue colhido antes e depois de você tomar um líquido bem doce, para ver como as taxas de açúcar se comportam na sua corrente sanguínea.

É um exame um pouco desagradável porque você precisa ficar bastante tempo no laboratório e o líquido tem sabor enjoativo.

HEPATITE: Existe a possibilidade de você ser portadora do vírus da hepatite B e nem saber, por isso é feito um exame de sangue para detectá-lo. Se a doença passar para o bebê, ele pode sofrer danos graves ao fígado.

Quando a mãe é portadora do vírus, o bebê pode receber injeções de anticorpos assim que nasce para ficar protegido.

O exame também detecta a hepatite C, uma doença muitas vezes silenciosa, que pode ser transmitida para o bebê.

TOXOPLASMOSE: toxoplasmose é uma infecção na maioria das vezes transmitida por alimentos ou pelo contato com animais. O exame de sangue detecta se você tem a doença ou se você já teve contato com ela no passado.

Se você já teve, vai poder ficar mais tranquila porque não tem risco de pegar de novo. Não se assuste se vir um resultado positivo no exame. Pode ser apenas sinal de que você já tem imunidade contra a doença.

Nesse exame seu médico pode também definir alimentos que você não deve comer. Por exemplo, minha melhor amiga teve um resultado que não a permitia comer nem salada fora de casa. Eu já pude comer salada tranquilamente (e nós temos a mesma médica). O que definiu o nível de tolerância e o cuidado extra foi esse exame.

SÍFILIS: Essa doença, transmitida por vias sexuais, é silenciosa e precisa ser detectada, porque causa problemas no bebê e pode ser transmitida para ele.

Existe a pequena chance de o exame para sífilis dar um resultado falso positivo, em especial se a mulher tem uma doença chamada lúpus. Se o exame der positivo, o médico deve pedir exames complementares para confirmar o diagnóstico.

RUBÉOLA: A maioria das mulheres grávidas já é imune à rubéola, ou por ter recebido a vacina ou por ter pego a doença quando criança. O exame de sangue vai revelar se você tem imunidade.

Se não tiver, terá de fazer o possível para não entrar em contato com uma pessoa infectada, já que a doença pode afetar gravemente o bebê.

CITOMEGALOVÍRUS (CMV): citomegalovírus, um vírus da família da herpes, pode passar para o bebê e causar problemas como deficiências auditivas ou intelectuais.

O exame de sangue pode detectar uma infecção antiga ou uma infecção aguda. No caso de infecção antiga (que é muito comum), não há imunidade: o vírus fica latente, e pode haver uma nova infecção, o que é raro.

A chance de o vírus passar para o bebê no caso de infecções antigas é de menos de 5 por cento.

O mais perigoso é quando há infecção aguda durante a gravidez. Se isso acontecer, você e o bebê serão monitorados de perto.

VÍRUS DA HERPES: A herpes é uma das infecções virais mais comuns, que causa feridas dolorosas na boca ou na região genital (talvez você conheça a doença como o herpes, como os dicionários preferem, uma forma menos usada). Se transmitida para o bebê, pode provocar danos cerebrais.

A transmissão é mais comum no caso de herpes genital no momento do parto normal. Mas há formas de evitar o contágio. Mais importante que o resultado do exame, no entanto, é a presença ou não de lesões.

HORMÔNIOS DA TIREÓIDE: Muitos obstetras pedem dosagens dos hormônios da tireoide, para detectar um possível hipotireoidismo ou hipertireoidismo, problemas que precisam ser tratados durante a gravidez.

EXAMES DE URINA

(Imagem: © Alessandra Schellnegger/Corbis)

(Imagem: © Alessandra Schellnegger/Corbis)

Durante a gravidez, é muito comum ter infecções urinárias, mesmo sem sintomas. Elas precisam ser tratadas para não prejudicar o andamento da gestação. Por isso o médico pode pedir exames de urina.

Em geral se pede um exame de urina na primeira consulta do pré-natal.

Na segunda metade da gravidez, o exame de urina serve para ajudar no diagnóstico de pré-eclâmpsia, ao detectar a proteinúria.

COLETA DE SECREÇÃO PARA ESTREPTOCOCO B

Ah, esse exame… Mais um pra lista dos desagradáveis, mas, pelo menos, é rápido pacas. Conhecido também como exame do cotonete, ele pode ser pedido apenas vaginal ou também anal. É um exame simples, feito próximo das 36 semanas, em que se passa uma espécie de cotonete na região da vagina. O teste para estreptococo B só é útil se realizado bem perto do parto, a partir da 35a semana de gravidez, porque esse tipo de bactéria pode voltar a aparecer depois do tratamento.

Não adiantaria nada você tomar remédio contra a bactéria no começo da gravidez, porque na hora do parto ainda existiria o risco de haver bactérias presentes na região da vagina.

O tratamento com antibióticos somente é eficaz na prevenção de infecções se for feito durante o parto.

A única exceção é se você tiver uma infecção urinária na gravidez causada pelo estreptococo B. Nesse caso, você vai tomar antibióticos por via oral, não importa em que fase da gestação esteja, e perto do parto poderá fazer novamente o teste para ver se vai precisar dos antibióticos na veia ou não.
Não se assuste se seu exame para estreptococo B tiver dado positivo. O pedido de exame é acima de tudo uma precaução. Se seu exame deu positivo, isso significa que você possui a bactéria estreptococo B na região da vagina (e até uma em cada três grávidas carregam essa bactéria). Não há risco para você nem para o bebê, enquanto ele está dentro da sua barriga.

A questão é na hora do parto. Para evitar uma infecção no bebê ou em você, os médicos vão administrar antibiótico pela veia (no “soro”).

Mesmo sem o antibiótico, o risco de o bebê pegar uma infecção grave é baixo (mais ou menos 1 em cada 1.000). Com o antibiótico, o risco cai mais ainda, e você pode ficar mais tranquila.

MAS O QUE É ESTREPTOCOCO B?

O estreptococo do grupo B é um tipo de bactéria que com frequência existe no intestino das pessoas. Essas bactérias podem acabar “colonizando” a vagina também, e aí existe o risco de transmissão ao bebê durante o parto.

A infecção por estreptococo do grupo B na vagina não é considerada uma doença sexualmente transmissível, porque muitas vezes a área genital pode ser contaminada pelas bactérias que vivem na própria mulher.

Embora seja perigoso para bebês, principalmente prematuros, o estreptococo B não costuma provocar sintomas em adultos, e na maioria das vezes é inofensivo para a mulher. Não é a mesma bactéria que o estreptococo A, responsável por várias infecções, como as amigdalites.

O exame é simples, feito com uma espécie de cotonete (daí o apelido), que coleta amostras da vagina e da região do ânus, entre a 35a e a 37a semana da gravidez. Depois de alguns dias, vem o resultado: positivo ou negativo.
SE DER POSITIVO, O QUE FAZER?

Os médicos costumam administrar o antibiótico na veia, na maternidade, antes de o bebê nascer. O objetivo é dar o antibiótico enquanto acontece o trabalho de parto, durante pelo menos quatro horas antes do parto. Não é indicado fazer tratamento nos meses anteriores, nem mesmo com o uso de cremes vaginais.

Como os principais antibióticos usados são a penicilina e a ampicilina, é importantíssimo alertar à equipe médica se você for alérgica a alguma dessas substâncias.

O resultado do seu exame deve estar escrito no cartão de pré-natal, mas em todo caso vale a pena você avisar na maternidade, assim que se internar, que seu exame para estreptococo B deu positivo. Se você souber que tem resultado positivo, não espere muito para ir para o hospital quando desconfiar de que o trabalho de parto começou, para garantir que há tempo de tomar o antibiótico.

Dependendo do hospital ou maternidade, muitas vezes o procedimento padrão é tratar toda mulher que não tiver o exame. Em outros lugares, os médicos decidem dar o antibiótico para quem não tem um positivo somente em casos especiais, como de parto prematuro.

Para cesarianas marcadas com antecedência, a administração do antibiótico não é necessária, porém várias maternidades acabam dando dose única do remédio como prevenção.

QUAL O RISCO DE INFECÇÃO POR ESTREPTOCOCO B NO BEBÊ?

O estreptococo do tipo B pode causar a sepse neonatal precoce, uma infecção que afeta o sangue e que pode ser muito perigosa. Também pode causar outras doenças como a pneumonia e a meningite logo na primeira semana de vida.

Esse tipo de infecção tem uma mortalidade maior em prematuros. Também pode deixar sequelas.

(Fonte para produção desse post, além da minha experiência e consultas com minha obstetra: BabyCenter aquiaqui e aqui)

No próximo post falarei dos Ultrasons e exames para acompanhar o coração do bebê (Ecocardiograma e Cardiotocografia). Tudo isso parece muito, mas em 38, 40 semanas vai diluindo e dá para fazer tudo sem correria. O mais importante: todos esses exames garantem um perfeito acompanhamento da mãe e do bebê e, assim, uma gestação mais tranquila.

Beijokas!

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