Os – que me causam ansiedade – exames do Pré Natal. Parte 2 – Ultrasons e coração do bebê

Laura ouvindo o coração da Julia em uma das consultas com minha obstetra <3

Laura ouvindo o coração da Julia em uma das consultas com minha obstetra <3

Continuando o post sobre os muitos exames necessários durante o Pré-Natal, falo aqui daqueles que me causaram muita ansiedade, fosse pela formação do bebê, fosse para saber se já estava de cabeça para baixo, fosse para ver a carinha do bebê, fosse pela translucência nucal, fosse para saber se estava tudo certo com o coração do bebê…

Ultrassom não faz mal algum ao bebê, embora algumas pessoas temam isso. Então, se seu convênio cobre e você fica mais tranquila olhando o bebê o tempo todo, se joga. Na gestação da Laura eu acabei fazendo mais do que o normal por conta do bebê que eu havia perdido antes. Como já contei aqui (link), minha perda foi detectada durante um ultrassom e, por conta disso, eu fiquei meio neurótica fazendo ultrassons na gestação da Laura, querendo saber se ela estava bem e etc. Na da Julia não fiquei muito mais tranquila não, mas sosseguei bem quando vi o coração batendo. Me controlei e fiz apenas 2 a mais do que o normal.

A ansiedade pelos exames morfológicos também existiu, aquele das 12 semanas, aquele depois das 20 semanas, saber que estava saudável e que elas não lidariam com nenhuma síndrome ou má formação que pudesse trazer alguma dificuldade de desenvolvimento ou no dia a dia delas.

OS EXAMES DE ULTRASSOM

(Imagem: © Monkey Business Images/Corbis)

(Imagem: © Monkey Business Images/Corbis)

O número de ultrassonografias ao longo da gravidez varia muito. Mas as ecografias mais frequentes são:

  • Logo depois de descobrir a gravidez, até 10-13 semanas, para confirmar o tempo de gestação, ter certeza de que o bebê está se desenvolvendo no lugar certoe detectar gestações múltiplas.
  • Translucência nucal, que é um ultrassom morfológico realizado entre 11 e 13 semanas para medir uma dobra específica na nuca do bebê, em busca de sinais de problemas genéticos como a síndrome de Down.
  • Ultrassom para descobrir o sexo, a partir de 16 semanas. (Opcional)
  • O 2° exame Morfológico, que é um ultrassom detalhado para verificar o desenvolvimento dos órgãos do bebê e a posição da placenta.
  • Ultrassom para verificar o tamanho do bebê, sua posição, a quantidade de líquido amniótico e a posição da placenta, nas últimas semanas de gravidez.
  • Ultrassom para verificar o o comprimento do colo do útero, em caso de suspeita de risco de parto prematuro.
  • Ultrassom 3-D e 4-D, caso haja suspeita de alguma má-formação ou só para deixar a mãe contente de ver o bebê com mais detalhes.

Nessa fase em que estou (37 semanas hoje), já é solicitado pela minha médica o exame de ultrassom a cada 15 dias para poder monitorar o nível de líquido amniótico, ver se a Julia continua encaixada (depois das 34 fica bem mais difícil desvirar por conta do peso da cabeça, mas não custa monitorar), olhar a placenta e o comprimento do colo do útero. Um exemplo da importância desse acompanhamento na reta final é o que aconteceu com minha melhor amiga: como ela teve pressão alta ao longo da gestação, havia uma data estipulada pela médica para que fosse realizado o parto (entrar em trabalho de parto para ela poderia ser MUITO perigoso e até fatal). 4 dias antes foi dia de um ultrassom desses de acompanhamento e o líquido amniótico – que deve estar em um nível entre 8 e 16 –  estava em menos de 6. Ela teve que correr pro hospital e ter naquele dia mesmo.

Uma dica girly organizadinha para quem faz em Laboratórios os exames: o Fleury, nas unidades Gestar (especiais para gestantes) – como a do Paraíso (R. Cincinato Braga), dá para as gestantes um fichário para organizar todos os exames e guardar direitinho. Não só os ultrassons de rotina que fiz lá, mas os morfológicos que  fiz no Einstein, os exames de sangue, urina e as eco abaixo: está tudo organizado em um fichário desses.

Amei esse fichário <3

Amei esse fichário <3

EXAMES DO CORAÇÃO DO BEBÊ

ECOCARDIOGRAMA FETAL

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Ecocardiograma (Imagem: site da clínica EcoKid)

Na primeira gestação eu fiz no Laboratório Fleury e nessa eu fiz na Eco Kid e AMEI.

O Ecocardiograma é um exame que de ultrassom que permite analisar detalhadamente todos os vasos que chegam e saem do coração e todas as válvulas, permitindo desta forma confirmar com segurança a normalidade do funcionamento dele ou detectar malformações cardíacas fetais, quando presentes. Nem todos os médicos pedem, mas fiz nas duas gestações.

O exame consegue detectar a maioria dos problemas, mas há algumas anomalias que só se diagnosticam quando o bebê nasce. No entanto, estas não irão interferir na sobrevida do bebê, nem no evoluir da gravidez.

CARDIOTOCOGRAFIA (MONITORAMENTE CARDÍACO DO BEBÊ)

Cardiotoco (Imagem: © Aphp-Cochin-Voisin/phanie/Phanie Sarl/Corbis)

Cardiotoco (Imagem: © Aphp-Cochin-Voisin/phanie/Phanie Sarl/Corbis)

Esse eu fiz na semana passada, na 36ª semana dessa gestação. Na gestação da Laura, meu obstetra na época não pediu ao longo da gestação então só fiz na sala de pré-parto da maternidade, horas antes de ela nascer.

A cardiotocografia é um exame que avalia o bem estar fetal, e costuma ser realizado mais para o final da gestação. Além de verificar se o bebê está bem, a cardiotoco também serve para detectar a presença ou não de trabalho de parto. O exame detecta os batimentos cardíacos do bebê, ao mesmo tempo as suas contrações, e é feita também perto da hora do parto ou quando há risco de parto prematuro. É apenas um cinto colocado em torno da sua barriga.
O exame monitora a frequência cardíaca fetal (também abreviada como FCF) durante um dado intervalo de tempo, normalmente por volta de 10 a 20 minutos. O meu da semana passada durou 26 minutos e eu tinha que apertar um botão a cada vez que a Julia chutava/mexia.
Para a frequência cardíaca do bebê estar dentro da normalidade, muitas estruturas têm de estar funcionando perfeitamente — sistema nervoso central, sistema cardiovascular, reserva de oxigênio — e por isso a cardiotocografia consegue fazer uma avaliação ampla da vitalidade fetal.
A frequência de todos esses exames e a realização de alguns outros dependerá da situação de cada gravidez, que só o médico poderá decidir, com base na conversa que terá com você, no exame clínico e no resultado dos exames.

COMO É FEITA A CARDIOTOCOGRAFIA: O exame é feito com a grávida sentada ou deitada, em repouso. São colocados dois cintos elásticos com sensores na barriga: um para captar os batimentos cardíacos de bebê e outro para captar a frequência e a intensidade das contrações uterinas. No caso de gravidez múltipla, haverá um sensor especial para cada coração.

Os dados obtidos pelos sensores são transmitidos a um papel ou a um monitor de computador, que registram a informação captada em forma de gráfico.

Pode-se pedir à grávida que aperte um botão a cada vez que ela sentir um movimento do bebê, como foi comigo.

O exame pode ser feito durante 10 a 20 minutos quando se quer uma avaliação ambulatorial do bebê, ou ser usado durante o trabalho de parto sempre que necessário para avaliar se o bebê não está apresentando sinais de sofrimento e se está recebendo oxigênio suficiente.

O exame é absolutamente indolor.

Se durante a cardiotocografia o bebê fica muito “quietinho”, o examinador pode estimular o bebê para acordá-lo e assim melhor avaliá-lo. Esse estímulo pode ser sonoro, acionando uma buzina encostada no abdome da mãe por pelo menos 3 segundos. Não precisa ficar impressionada, porque, como o bebê está dentro do líquido, o som para ele é muito mais fraco que o que você ouve.

Outra maneira de acordar o bebê é mecanicamente, mexendo na barriga da mãe.

Minha obstetra pediu que eu comesse algo doce antes do exame, para que a Julia se mexesse ao longo dele. Se a mãe estiver há muitas horas sem comer, pode-se orientar parar o exame, pedir que ela faça um lanchinho e volte para repetir a cardiotocografia.

OS SINAIS DE SOFRIMENTO DO BEBÊ: a desaceleração isolada dos batimentos cardíacos do bebê não é preocupante, porém a repetição dela e em alguns padrões específicos pode ser preocupante. Se a frequência se manteve abaixo de 100 batimentos por minuto por mais de 15 segundos, passa-se a observar novas repetições. Desacelerações durante as contrações e que recuperam rapidamente em geral decorrem da compressão da cabeça do bebê pela contração, e são menos preocupantes que desacelerações que aparecem repetidamente após o final das contrações, e sinalizam que o oxigênio para o bebê está diminuindo. Existe também um tipo de desaceleração mais curta, na contração, que pode dar a dica de que o bebê tenha uma circular de cordão.

Embora o exame seja simples, a avaliação dele é relativamente complexa, e não é instantânea, pode ser necessário um período um pouco maior de observação até que se indique uma mudança na conduta do parto.
Os sinais que a cardiotocografia pode detectar e que significam que o bebê está em sofrimento são os seguintes:

  • Taquicardia fetal: frequência cardíaca fetal acima de 160 batimentos por minuto, e que permanece assim.
  • Bradicardia fetal: frequência cardíaca do bebê que permanece abaixo de 110.
  • Variabilidade diminuída na frequência cardíaca: o saudável é que a frequência cardíaca do bebê varie. Por exemplo, os batimentos aumentam cada vez que o bebê se mexe ou que há um barulho forte, e caem cada vez que acontece uma contração. Se a frequência cardíaca fica muito constante, parecendo uma reta no gráfico, é sinal de sofrimento fetal.
  • Desacelerações na frequência cardíaca: são preocupantes quedas significativas na frequência cardíaca fetal. Se a frequência se mantiver abaixo de 100 batimentos por minuto por mais de 15 minutos, passa-se a observar novas repetições. Desacelerações durante as contrações e que recuperam rapidamente costumam ocorrer devido à compressão da cabeça do bebê pela contração; por outro lado, desacelerações seguidas de frequência após o fim das contrações sinalizam que o oxigênio do bebê está diminuindo. Outro tipo de desaceleração que existe, mais curta, pode apontar que o cordão umbilical está enrolado no pescoço.

Caso a cardiotocografia detecte algum sinal de sofrimento fetal, o médico tomará providências para realizar o parto o mais rápido possível, porque o bebê terá melhores condições fora do útero. Embora o termo “sofrimento fetal” soe desesperador, na maioria dos casos há tempo suficiente para fazer o parto e para que o bebê nasça sem problemas.

QUANDO SE FAZ A CARDIOTOCO: A cardiotocografia é realizada em várias situações:

A frequência com que a cardiotocografia deve ser feita varia de acordo com o motivo pelo qual ela está sendo pedida, e é comum que ela seja realizada várias vezes.

  • Para avaliar a movimentação do bebê, em caso de ter diminuído: só até o exame detectar que está tudo bem.
  • Depois das 40 semanas: a cada 48 horas.
  • Doenças maternas: semanalmente ou a cada 3 dias, dependendo da doença, a partir de 36 semanas de gestação ou antes, se determinado pelo obstetra.

EXAMES INVASIVOS: QUAIS SÃO E QUANDO SÃO NECESSÁRIOS.

Quando há algum motivo para desconfiar de problemas genéticos no bebê, como uma alteração nas medidas da dobra da nuca ou em marcadores bioquímicos, um exame não-invasivo positivo, ou a idade avançada da mãe, é possível retirar células fetais de dentro da barriga, através de uma agulha, para fazer uma análise genética e confirmar a presença ou ausência de eventuais síndromes.

Esses exames são a biópsia do vilo corial, a amniocentese e a cordocentese. São invasivos porque exigem a retirada de material do útero, e têm um pequeno risco de infecção e aborto. Por isso, só costumam ser realizados em caso de forte suspeita. A escolha entre os três tipos depende da fase da gestação em que o exame será realizado.

Os exames invasivos fazem a análise direta do material genético do feto, portanto são definitivos no diagnóstico (não há falso positivo nem falso negativo). O sexo também é revelado.

(Fontes para produção desse post, além da minha experiência e consultas com minha obstetra: site Eco Kid e BabyCenter)

Cuidado nunca é demais, principalmente em se tratando de um bebê, de uma gestação. Siga direitinho o que seu obstetra diz e tenha uma gestação tranquila e monitorada, para que não haja surpresas ou sustos – para você ou o bebê.

Beijokas!

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  • Nathália Thomaz Sefrin

    Oi Mari!
    Primeiro preciso dizer que adoro o seu blog, mesmo sem ter filhos ainda!
    Tenho 29 anos e meu marido acabou de fazer 40. Neste ano estou pensando em engravidar, mas por causa do Zika vírus, estou bem receosa.
    Eu sei que você não é médica e tal, mas o que você acha sobre isso? Li tantas declarações absurdas… você daria um “pause” na sua vida por causa do vírus ou acha que dá para ter uma gravidez normal, tomando todas as precauções?
    Um beijo pra você, pra Laurinha e pra baby Julia!