Planejamentos

Da mamadeira ao alfinete: nove meses (ou mais) de planejamento (Imagem: © ImageZoo/Corbis)

Anteontem fiz um inventário de tudo que já ganhei e comprei para meu bebê. Fiquei feliz que o que menos tem são justamente as “coisas que se ganha no Chá de Bebê”. Algumas pessoas acham que fazer o Chá de Bebê é besteira porque com o que se gasta na festa, pode se comprar o que ganha. Mas ganhar presentes na verdade não é o objetivo e sim festejar a chegada do bebê, comemorar com os amigos queridos esse momento tão especial nas nossas vidas.

Quando descobri a gravidez, naquele misto de felicidade, medo, ansiedade e montes de outras emoções, comecei a pensar no bando de coisa que eram necessárias até o nascimento dela. Comecei a ir a lojas de bebê ver quartos, comprar revistas com decorações diversas. Continuo me perguntando: faço clássico? Provençal? Compro berço que vira cama e assim economizo pelos 5 anos que vêm pela frente? Pisciana já tem dificuldade em escolher coisas banais em meio a muitas opções (cardápio, loja de roupa, restaurantes, destino de viagem…), imagina algo importante assim?

Comecei a ver os móveis logo no 2º mês e ouvia com alívio: você tem até o 6º para encomendar já que o quarto deve estar pronto no 7º mês, caso haja o risco de o bebê nascer prematuro (móveis tendem a demorar no mínimo 40 dias para entrega). Agora me vejo entrando no 5º mês e cadê que decidimos como queremos? Hahaha

E se ainda fosse só isso… Tem o quarto dela até o 6º mês, tem a lista e a organização do Chá de Bebê até o 8º, tem a escolha da maternidade e as visitas às três melhores opções, tem as coisas que temos que ter prontas para a maternidade e, no meu caso, tenho que ver até a troca do meu carro (que é esporte, duas portas e não cabe carrinho no porta-malas). Isso tudo custa, isso tudo tem prazo e nisso tudo há opções. Aff, é desespero total para a pisciana que vos fala.

Como ter bebê sempre foi um sonho de vida, consegui fazer uma poupança para isso e diminuir meu ritmo de trabalho para cuidar da gravidez. Sei que não é a realidade de muitas das pessoas. Maioria das mulheres não podem se dar ao luxo de diminuir trabalho (algumas até trabalham mais para poder juntar dinheiro pra tudo que é necessário na gestação e depois dela), muito menos conseguem dar conta de tanto planejamento nesses 9 meses (ou 8 meses e 1 século, como já ouvi descreverem). E as que tem que contar com o sistema público de saúde? (óbvio que história terríveis já me foram relatadas porque, né? Cadê bom senso da galera contando desgraças no parto e etc para uma grávida?) Isso sem contar as que se descobriram grávidas solteiras, antes do planejado ou acabaram descobrindo não tão no início da gestação… Não é fácil para quase nenhum dos casos e, quando ouço alguém julgar no estilo “aaah, mas ela é rica”, “aaah, mas ela tem um bom convênio” etc, se referindo a outras mulheres, só me vem na cabeça aquela frase: “povo vê as pingas que ela toma mas não vê os tombos que ela leva”…

Cada um com seu cada qual, todas as decisões de uma gravidez, todas as situações, medos e ansiedades de uma gestante, são “pessoais e intransferíveis”. Assim como o bebê da gente…

Esse material foi produzido para publicação em Veja SP

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