Por que maioria de nós, mães, se justifica pelas coisas/escolhas? – Edição Babá.

BABÁ

Eu e meu marido nunca optamos por ter ajuda de uma enfermeira ou babá. Não só porque a gente curte e quer fazer tudo com elas, mas, principalmente porque PODEMOS nos dedicar dessa forma. Temos a família à nossa volta (cunhada, sogra e tia estão há 5 minutos de casa e minha mãe há 20 minutos) e amam ficar com as meninas quando precisamos de um help (compromisso, programa à dois e etc). Assim como foi com a Laura, Julia deve começar na escolinha com um ano e preferimos assim pois elas ficam com outras crianças e tendo atividades pedagogicamente pensadas para o tamanho delas. Se a Julia está mamando ou querendo dormir, eu conto com a ajuda da nossa anja aqui de casa para levar a Laura na escola, mas é apenas um apoio e não a função dela.

Vocês perceberam que ao contar que não optamos pela ajuda de uma babá, eu expliquei nossos motivos? E vocês já perceberam que quando alguém responde que tem babá, já sempre uma justificativa na sequência? Podem passar a reparar: 99% das vezes que surge esse assunto, há uma justificativa – como se nós tivéssemos uma certa necessidade que nos justificar. E isso não é apenas quando se trata de auxílio de algum profissional, mas também quando respondemos sobre o parto, o tempo que amamentamos e muitas outras situações ou opções que tivemos ao longo da gestação e maternidade.

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Parece engraçado e até bizarro que eu me justifique POR NÃO ter ajuda de babá. Mas, acreditem, eu já passei por isso várias vezes. O fato de eu frequentar festas onde há um número enorme de babás faz de mim uma espécie de ET (juro), onde até mesmo as babás vêm me questionar. Agora com duas filhas, o espanto é ainda maior: “MAS NEM AGORA VOCÊ VAI TER BABÁ?”. Quando ainda estava grávida, respondia que à princípio não, mas que se eu não desse conta, teria zero problema em pensar na possibilidade. Julia fará 5 meses amanhã e tenho a certeza que vamos continuar assim.

Nunca vou me esquecer quando fui à festa da Rafaella Justus, há quase 4 anos (Laura tinha uns 6 meses) e eu estava dando a frutinha dela quando fui abordada pela babá de uma das convidadas.

– Você está precisando de folguista? Hoje é domingo e você está dando papinha…

– A Laura nunca teve babá, então nunca precisamos de folguista também.

(momento cara de susto, como se eu tivesse dito que alimento minha filha com placenta congelada desde o parto)

– Nossa, mas porque? Você não confia?

E lá fui eu explicando tudo que falei no primeiro parágrafo desse post, com medo de que ela tivesse se sentido ofendida por achar que talvez eu não confiasse na profissão dela. Veja só até onde vai a mente da mãe que se justifica hahahaha

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Minha mãe sempre teve ajuda de uma babá pois teve que voltar a trabalhar quando eu tinha 3 meses e também porque – palavras dela – ela tinha “medo de me quebrar” me trocando e “medo de me afogar” dando banho. Medo. Seja por medo, por comodidade, por ter que voltar ao trabalho, seja por status (sim, tem muito isso), seja PORQUE SIM, não importa. Uma pessoa não tem que explicar para ninguém porque precisa ou simplesmente quer/prefere ter a ajudar de enfermeira ou babá.

Será que nos tornamos essas “máquinas de respostas justificativas” por conta de tantos julgamentos e “competição” do mundo materno? Será que já ouvimos a pergunta de alguém de forma “reativa”, ou seja, armadas para responder? Nem sabemos se a intenção da pergunta foi “cagar regra” (desculpem o meu linguajar) ou apenas curiosidade mesmo… E será que a tal eterna culpa materna também pode ser responsável por esse bando de explicação que saímos dando ao responder uma singela pergunta?

Eu acho que pode ser uma junção de pequenos fatores e não vejo isso mudando tão cedo. Falo de uma maioria pois é o que vejo. E deixo aqui minha total admiração por quem consegue responder “porque sim”, “porque eu quis” (meu sonho, pois para isso não há réplica da pessoa que perguntou hahaha) ou que não sente a menor necessidade em elaborar grandes respostas após: “foi cesárea”, “tenho babá e folguista” ou “meu leite secou”.

Repito aqui: todas nós sabemos as dores e as delícias se sermos como somos e do que nos levam às escolhas que fazemos. Que isso um dia possa ser respeitado por todos. Amém <3

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