Por que maioria de nós, mães, se justifica pelas coisas/escolhas? – Edição Parto.

Young women having coffee

Justificando, justificando….

Quem me acompanha sabe que eu tive um parto cesárea há 4 anos (Laura) e um parto normal há 5 meses (Julia). As perguntas que eu mais respondo nesse momento são: “Foi melhor? É muito diferente? E a recuperação dos dois?” Eu começo já dizendo que isso vai de cada um, mas que PARA MIM, bla bla bla…

Foi justamente com a questão do parto que percebi, já há 4 anos, o quanto nós mães nos justificamos. Eu quis MUITO parto normal com a Laura e já contei aqui no blog que só entendi muito tempo depois que passei por uma DESNEcesárea. E foi justamente quando contei emocionada sobre meu parto no blog (ainda no portal da Veja) que as pedradas me julgando me machucaram e me fizeram entender o bullying materno (entre mães). Dali pra frente, passei “a me defender” nos comentários e isso se passou para qualquer outro lugar quando respondia sobre o parto da Laura. Eu já respondia me justificando: “foi cesárea porque eu não tinha dilatação e nenhum sinal de trabalho de parto e ela poderia entrar em sofrimento” (antes de entender que foi desnecessária) e “foi cesárea porque ela nasceu no réveillon e eu caí no conto do “vai que ela entra em sofrimento”” (resposta até hoje – sim, é mais forte do que eu).

Deixa que digam, que pensem, que falem...

Deixa que digam, que pensem, que falem…

 

Já falei milhões de vezes que a escolha da mulher deve ser respeitada, não importa que parto ela decida ter. Já falei trocentas vezes que eu quis e insisti por um parto normal com a Julia porque EU queria passar por essa experiência e não pelo “protagonismo do bebê”, já que – na minha modesta opinião – o momento é da mulher também e ela deve estar confiante, segura e tranquila. Já falei mil vezes que o que eu não curti na MINHA cesárea foi a MANEIRA como ela foi conduzida (achei fria, rápidae etc), até porque minha melhor amiga não tinha opção a não ser a cesárea (pressão alta e cirurgias anteriores no útero – olha eu justificando POR ELA, VEJA BEM) e a dela foi super emocionante. Tendo dito isso MILHARES DE VEZES, eu continuo justificando.

Isso só reforça a teoria que eu coloquei no post anterior dessa série “justificativas” (sobre babás): acredito que essa nossa característica possa ser uma junção de pequenos fatores, sendo os maiores a culpa materna (aquela que maior parte das vezes não faz o menor sentido em existir) e – PRINCIPALMENTE – os muitos julgamentos e “competição” que rolam no mundo materno.

A solução? Termos a coragem de simplesmente responder: PORQUE EU QUIS ou PORQUE SIM e não elaborar resposta depois disso. A não ser que a pessoa realmente queira encher o saco e cagar regra (desculpe o linguajar chulo), ela não vai argumentar e perguntar mais. Afinal, o que pode ser mais forte do que “EU QUIS”?

Por coincidência, a (maravilhosa, incrível, sensacional) Jout Jout fez mês passado um vídeo MARA sobre essa nossa mania de se justificar e aconselhando o mesmo que eu acima. Deixo aqui para vocês rirem, se identificarem e começarem comigo esse mantra: PORQUE SIM, PORQUE EU QUIS.

Às vezes uma pergunta é apenas uma pergunta, sabe? Apenas curiosidade mesmo. Depende de nós não ser reativa, dar pano pra manga ou virar refém das justificativas. Falo isso sabendo que eu não vou conseguir tão cedo (hahahaha), mas não posso deixar de tentar 😉

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