Tablet: os filhos pedem ou os pais que oferecem? Entretenimento para eles ou “babá” para os pais?

A prioridade aqui é rua, praça, parque, pintar e brincar <3

A prioridade aqui é rua, praça, parque, pintar e brincar <3

Aqui em casa a gente tem uma regra quanto ao uso do tablet: apenas de noite e, mesmo assim, ainda pergunto antes se não quer desenhar, brincar de massinha ou outra coisa (mesma regra- principalmente – quando viajamos pro sítio ou qualquer outro lugar). Quando viajamos de carro não colocamos nada para assistir, para que não se acostume a “não se entediar” sem desenho e, assim, possa andar no carro de qualquer pessoa, em táxi e etc com mais paciência de esperar o caminho. Quando o assunto é restaurante ou viagem de avião, levo na mochila dela um caderno e o estojo de lápis de cor e ofereço antes do tablet (por anos levamos dvd portátil e o case de dvds dela pois ela só começou a usar o tablet esse ano).

Laura tem 4 anos e só agora tem um tablet. Nele, ela tem alguns apps que eu baixei (PlayKids sendo um dos meus preferidos, assim como apps que ensinam, estimulam o raciocínio), mas ela também curte – e MUITO – o YouTube, onde assiste vídeos de meninas fazendo historinhas com bonecas e como fazer coisas legais com com massinhas (e, nesse ponto, o lançamento do app YouTube Kids, que contei aqui , fez com que virasse um dos apps preferidos: não preciso ficar checando a cada instante se ela não caiu em um vídeo inadequado para a idade dela).

Desenhar e brincar com massinha sempre vêm antes do tablet quando estamos em casa.

Desenhar e brincar com massinha sempre vêm antes do tablet quando estamos em casa.

Quando a Laura começa a brincar/assistir conteúdos no tablet, se a gente não controla tempo (já aconteceu), a coisa pode rolar por horas. Ela fica com o fone de ouvido, quietinha, rindo, entretida. Isso pode parecer um paraíso em locais como restaurante ou quando a criança está agitada ou entediada, certo? Como se facilitasse dar limites, educar. E sim, isso vem ocorrendo demais à nossa volta. É só observar em volta de você nos restaurantes e etc: há famílias que nem conversam mais a mesa ou em algum ambiente quando reunidos. Quando viajamos para algum hotel com monitoria, Laura nem olha para trás: é atividade o dia todo. Fico atrás dela dando tchauzinho, pegando ela pra dar beijo e abraço, tirar foto, mas ela só quer voltar mesmo quando encerram as atividades (22hs, 23hs…). Se estamos em casa, combino com as mães de amiguinhos ou com os primos brincar na praça, no clube, gastar energia. E é lindo de ver!

O que me pergunto é: será que se fosse oferecida outra atividade para a criança ou o tablet ou smartphone não fosse oferecido de cara, talvez os pais não se surpreendessem com o que a criança REALMENTE quer fazer? “Ah, mas essa nova geração é diferente”. Será mesmo? Criança não gosta de brincar, seja de que geração for? Sim, hoje existem eletrônicos que na nossa geração não existiam, mas nem por isso – opinião minha – isso DEVA SER oferecido o tempo todo, só por existir. A questão aqui é: até onde são as crianças que querem e até onde são adultos que oferecem, acomodados, para facilitar o “controle” sobre o comportamento dos filhos? Seriam os eletrônicos também instrumentos usados para delegar cuidados e facilitar a criação enquanto pais?

Uma querida amiga minha de Belém, Natasha, me escreveu hoje e o print da nossa conversa eu coloco aqui abaixo. Foi essa conversa que me motivou a escrever esse post.

EletronicosPrint1

EletronicosPrint2

EletronicosPrint3

Não estou demonizando o uso de eletrônicos por eles, até porque nós deixamos ela usar – tomando cuidado com o conteúdo. Esse é um post para reflexão. Criança gosta de criança, criança gosta de brincar. Criança usa o que é dado para elas e isso me faz perguntar: o que é que estamos oferecendo à elas? Tempo de qualidade brincando no chão? Uma praça, um parque? Liberdade? Correr? O tablet oferecemos com equilíbrio? Por que oferecemos? Pra que e por quanto tempo?

Enfim, post reflexivo. Que nossas crianças tenham opções e que possam ser crianças, se sujando, suando, correndo, descobrindo o mundo com as mãos e olhos pessoalmente e não apenas através de uma tela. Uma infância livre, como tem que ser <3

Tablet aqui em casa: só de noite ;)

Tablet aqui em casa: só de noite 😉

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