Todo mundo quer se sentir parte de algo – principalmente as mães.

Eu quis me sentir parte de algo quando perdi o bebê.

Sozinha na multidão…

Vocês já estão cansados de saber o porquê de eu ter começado o blog: eu quis dividir uma dor e tentar abraçar pessoas que pudessem estar passando pelo mesmo que eu passei.

Antes de ter a Laura, eu perdi um bebê e só descobri isso deitada na maca do laboratório achando que veria o coração batendo na tela. Descobri que nada havia evoluído desde a 6ª semana (eu estava na 9ª) e que, portanto, a gestação havia sido interrompida.

Isso aconteceu no mesmo ano em que eu perdi meu irmão e avó. Quando perdi o bebê, eu não aguentava mais o olhar de piedade das pessoas e me calei. Para onde quer que eu olhasse, via gestantes, bebês, famílias e ficava me perguntando se era só eu que não tinha capacidade de gerar um bebê.

A foto acima é do casamento da Adriane Galisteu. Foi na noite depois desse casamento que meu corpo finalmente eliminou tudo que estava dentro de mim, meu bebê, depois de um mês que eu perdi. Meu médico não quis fazer curetagem ou dar remédios, preferiu que eu eliminasse naturalmente. Foi um mês arrasada emocionalmente e, por mais que tivesse minha família ao meu lado, com sentimento de solidão, de exclusão da normalidade.

Foi quando eu finalmente me abri com uma amiga que passei a me sentir parte de alguma coisa. Ela havia perdido dois. E umas 3 amigas dela haviam perdido o primeiro bebê. Fui pesquisar e cerca de 20%, ou seja, um quinto das mulheres já perdeu um bebê – isso quando sabe (muitas mulheres acham que é menstruação e nem sabe que estavam grávidas).

Se sentir parte de algo – viva os blogs maternos!

Promovida a Mãe, Dica de Mãe, Diiirce, For Mães, Eu Ele e As Crianças e Tchulim: alguns dos muitos blogs e perfis maternos que me abraçam <3

Tudo isso acima vocês já sabem. Mas por que eu continuei o blog depois que a Laura nasceu? Porque eu vi que não eram apenas os sentimentos da gestante e as dicas de cuidados que eram necessários serem divididos e sim os sentimentos da mulher, da maternidade REAL.

Por muito tempo pareceu ser proibido reclamar de algo relacionado à maternidade, como se parecesse que estávamos reclamando das crianças ou sendo ingratas com a bênção da vida que é gerar e criar filhos.

E foi aí que os blogs maternos viraram esse sucesso que são hoje: os desabafos REAIS que abraçam pessoas. Que fazem com que as pessoas se sintam parte de algo. Algo como “UFA, não estou sozinha nesse sentimento!”

É CLARO que ninguém está sendo ingrato ou culpando os filhos pelos dias difíceis da maternidade. Até porque basta um olhar, um sorriso, um segundo com eles para TUDO compensar. Mas, poxa, somos HUMANAS e a maternidade não é bolinho não.

Se sentir parte de algo é se sentir abraçada.

(Image by © Corbis)

Encontrei a querida da Mariana Kupfer e ela me disse que o programa dela online, AMAR (do qual eu amei participar falando dos meus partos e de amamentação (meu tamanho no vídeo pelamor hahaha – o vídeo está incorporado ao final desse post) agora estará no R7.

O programa não ficará mais apenas com entrevistas de famosos, mas também passará a contar histórias de mulheres/famílias que viveram situações mais dramáticas da maternidade (parto prematuro de gêmeos, por exemplo), histórias enviadas por email.

Foi falando com ela que tive a vontade de escrever esse post. Seja pelos hormônios e sentimentos malucos durante o puerpério, seja o cansaço, a dor/frustração na amamentação, a vontade de ir ao banheiro sozinha (ahahah) ou de conseguir tirar o shampoo antes de sair correndo do banho. Seja as culpas maternas, ser julgada, sofrer bullying materno, passar por momentos glamorosos na maternidade. Seja até o fato de você achar que seu bebê está demorando para sentar/falar/andar. Seja você sempre esquecer de cortar as unhas do filhote.

Seja a vontade de sair para beber com as amigas, fugir do país por 1 dia (hahaha) ou pegar um cinema sozinha no meio da tarde. Não importa: há trocentas situações que uma mulher passa depois de virar mãe em que ela pode – muitas vezes – sentir vergonha de compartilhar ou achar que só ela sente aquilo.

Não, amiga. Somos muitas mulheres sentindo e passando pelas mais diversas situações. E que bom que haja tantos blogs e pais falando sobre esses sentimentos, momentos e etc. Que bom poder nos sentir parte de algo e não um ET perdido nesse novo mundo da maternidade.

Eu espero, de coração, que meu blog e minhas postagens nas redes sociais possa abraçar pessoas e fazer com que elas se sintam normais, parte de algo. É só isso que eu desejo quando me dedico com amor à este lugar aqui.

Beijokas!

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  • Nicolle Versiani

    Olá Mariana! Me senti abraçada com seu post. Sou mamãe do Marcel, de 5 meses. Antes dele, tive uma gestação como a sua. Na 9 semana descobri que o embrião não desenvolvia desde a 6. Uma gravidez minimamente planejada e desejada. Demorei a me recuperar e tb me senti abraçada pelo seu blog na época, quando estava tb em.busca de acalento. Obrigada por ele! Saúde pra vc e pra família.

  • Camila Ribeiro

    Realmente, isso tudo que vc disse. Perdi o primeiro tb e achava que isso não acontecia com ninguém, mas depois descobri que quase td mundo que conheço passou por isso. Graças a Deus hj tenho minhas duas bênçãos a Manu e o Arthur. Maravilhoso seu texto e suas postagens te acompranho nas redes sociais…??

  • Bárbara Callegari

    Nossa que maravilhoso acordar hj e ler este post, eu tenho um filho de 11 anos e a 3 semanas descobri que estava grávida, não tinha planejado mas fiquei muito feliz!!! No primeiro ultrassom na semana seguinte um balde de água fria não era possível ver o embrião apenas o saco gestacional, o médico que fez o exames foi extremamente insensível e disse que eu estava abortando mas que a natureza é sábia.Meu médico pediu pra repetir o exame depois de alguns dias pq é possível não conseguir ver a vesícula embrionária. Fiz outro ultrassom a dois dias e descobri uma gestação anenbrionada! Estou arrasada, mais tento parecer bem, não aguento tbm o olhar de piedade das pessoas, caramba isso não ajuda! E principalmente pelo meu filho! Foi a pior notícia que eu já dei na vida!