Uai, porque parece que tudo é virose?

Young girl with thermometer in mouth --- Image by © Kirstie Tweed/Corbis

(Imagem: © Kirstie Tweed/Corbis)

Laura tem 3 anos e meio e já teve algumas viroses. Nas viradas bruscas de tempo foram as respiratórias, mas também já teve uma vez uma diarreia e outra vez pintinhas da bochecha até a cintura (aos 5 meses, eu em pânico). Sou quase uma devota da pediatra da Laura, Dra. Lucia, e quando ela diz algo, eu apenas sigo. Até porque ela foge de ser aquelas pediatras que dão bronca nos pais, que deixam os pais preocupados. Ela é tranquila e trata tudo com muita calma, passando paz para nós.

Mas, mesmo confiando 200% nela, minha curiosidade é grande: porque “tudo” é virose?

Para o professor emérito da Faculdade de Medicina da USP, Vicente Amato Neto, a palavra está desmoralizada. “Abusa-se do termo ‘virose’. Existem muitos recursos que permitem a médicos e paramédicos fazerem diagnósticos melhores”, diz. “Virose” realmente não é muito preciso: identifica todas as doenças infecciosas causadas por vírus, uma carapuça que serve a problemas tão diversos quanto diarréia, febre, dores musculares, coriza, otite, amidalite e, ao pé da letra, até aids.

Mas o que é virose, exatamente?

Segundo a Dra. Denise Varella Katz (médica pediatra, membro do Departamento de Pediatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e do Hospital Albert Einstein), viroses infantis são termos desprovidos de significado médico.  No passado, como não se dominava o conhecimento e a tecnologia necessária para fazer diagnósticos precisos, muitas doenças recebiam a classificação genérica de viroses. Na verdade, esse nome funcionava como uma lata de lixo onde se atiravam todas as febres infantis sem causa aparente. “É virose, vai passar em poucos dias”, e as famílias se conformavam com o nariz escorregando, a diarreia, a febre, o mal estar, a inapetência e a imagem abatida da criança.

Atualmente, os médicos contam com recursos laboratoriais e de imagem para fazer diagnósticos mais rápidos e seguros – o que é muito importante mesmo nos casos de virose – pois nem todos os vírus são iguais. Aliás, são seres relativamente simples, mas muito diferentes uns dos outros. Em comum, têm a característica de necessitar de uma célula viva que lhes sirva de hospedeira para reproduzirem-se.

E porque parece que qualquer coisa é virose?

Muitas vezes os vírus só podem ser identificados após uma investigação profunda e desnecessária. “Na maioria dos casos de virose, não vale a pena pedir uma bateria de exames. O resultado vai sair quando o paciente já estiver curado”, afirma a médica-assistente da Divisão de Moléstias Infecciosas do Hospital das Clínicas de São Paulo, Maria Claudia Stockler. Assim, quando um paciente chega ao consultório com sintomas leves e não há ameaça de epidemia, costuma-se recorrer ao veredicto superficial, mas eficiente.

Para complicar mais o diagnóstico, o mesmo vírus pode provocar sintomas diferentes. Ou seja, a sua conjuntivite pode provocar o resfriado alheio porque são causados pelo mesmo sujeito, o adenovírus.

(Imagem: © Randy Faris/Corbis)

(Imagem: © Randy Faris/Corbis)

A exposição aos vírus.

Quando começam a frequentar a escola ou o berçário, as crianças estão mais expostas à infecção por vírus. Contra algumas delas existem vacinas. É o caso da gripe, rubéola, poliomielite, sarampo e caxumba, por exemplo. Para outras, não existem.

Algumas viroses podem ser tratadas com drogas antivirais. Não se podendo contar com elas, o tratamento será apenas sintomático. Antibióticos só devem ser introduzidos caso surjam complicações.

Outro motivo que contribui para a onipresença da virose é que não faltam oportunidades para pegar uma. Ambientes fechados favorecem o contágio, assim como copos, teclados e alimentos podem passar adiante aquela gripe esperta.

Para toda e qualquer virose, repito o que já disse aqui várias vezes: respeitem a receita médica e procurem sempre seguir direitinho o que o pediatra indica. J

Bjokas!

(Fontes deste post: Revista Super Interessante  e site Dr. Drauzio Varella)

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