Vesícula: minha cirurgia e a importância dos exames de rotina

O exame de rotina e minha vesícula

Logo no retorno pós parto com a minha cegonha linda, Dra. Luciana Taliberti, já saí com uma lista enorme de exames para serem feitos depois de 3 meses da Julia. Ia de exame de sangue e urina até ultrassons (abdome, tireoide, seios e transvaginal).

O que era para ser nos 3 meses da Julia acabou enrolando e sendo esquecido. Acabei retornando na Dra. Lu quando a Julia estava com 1 ano e 2 meses e tomei aquela bronca gostosa hahahaha

Feito com 1 ano e 3 meses da Julia (FAÇAM DIFERENTE DE MIM, POR FAVOR), o médico do ultrassom ficou realmente preocupado com o que viu no abdome, mais especificamente na vesícula. Pedras pequenas se formaram e o risco pelo tamanho é que migrassem para o pâncreas, causando uma pancreatite.

A Vesícula

A vesícula biliar é um órgão em forma de saco, parecido com uma pera, localizada abaixo do lobo direito do fígado. Ela armazena bile (líquido produzido pelo fígado que atua na digestão de gorduras no intestino), que é lançada apenas quando o alimento que contém lipídeos (gordura) entra no trato digestivo, estimulando a secreção de colecistoquinina (CCK). A bile emulsifica gorduras e neutraliza ácidos na comida parcialmente digerida.

A bile é formada pela mistura de várias substâncias, entre elas o colesterol, responsável pela imensa maioria da formação de cálculos (pedras na vesícula), que podem impedir o fluxo da bile para o intestino e causar uma inflamação (colecistite). (Fonte: site Drauzio Varella)

Depois de ser armazenada na vesícula biliar, a bile se torna mais concentrada do que quando saiu do fígado, aumentando sua potência e intensificando seu efeito nas gorduras. A maior parte da digestão ocorre no duodeno.

Problemas da vesícula

O problema mais freqüente da vesícula biliar é a presença de cálculos (formados por sais biliares) cuja forma e tamanho varia desde o tamanho de um grão até o tamanho de uma pêra.

A incidência dos cálculos aumenta com a idade, mas meu médico me explicou que é super frequente entre mulheres que já tiveram mais de uma gestação (eu tive 3, se contar a primeira, que perdi).

Como eu disse lá em cima, a maior preocupação quanto ao não bom funcionamento da vesícula (e consequentemente a formação de cálculos/pedras) é que isso cause uma pancreatite aguda.

A principal causa de pancreatite aguda é a formação de cálculos biliares, especialmente de cálculos pequenos (os grandes não criam tanto problema), que migram pelos canais que comunicam a vesícula com o colédoco. Se um desses cálculos ficar preso na porção terminal do colédoco junto ao ducto pancreático e provocar uma obstrução, o pâncreas inflama porque não consegue dar vazão às secreções exócrinas que deveriam ser lançadas no intestino.

Muitas vezes, esses cálculos da vesícula biliar são assintomáticos (sem sintomas) e sua presença é descoberta acidentalmente quando, por qualquer outra razão, a pessoa passa por um check-up, como aconteceu comigo. Feito o diagnóstico, porém, o melhor é retirá-los cirurgicamente para evitar uma crise de pancreatite aguda.

Em outros casos, é descoberto por dor mesmo. Dizem que a dor da pancreatite é a pior que existe. Eu tive apendicite e perguntei se era como aquela dor (pois foi a pior que senti até hoje). O médico riu e disse que nem se compara, que a do pâncreas é muito pior. Aff….

A cirurgia de retirada da vesícula

Detalhe para a minha cegonha falando nos comentários sobre os exames de rotina <3

A cirurgia foi feita via laparoscopia, ou seja, via vídeo. Internei na 6ª feira e no sábado já estava em casa. A Vesícula é retirada pelo umbigo (eca hahaha) e são mais 3 micro cortes (milimétricos mesmo) em outros pontos da barriga – o que fez com que meu marido passasse a me chamar de minha Frankenstein HAHAHAHAH

A recuperação

De incômodo mesmo, além de um pouco de dor local, só os gases (por uns 3 dias, haja luftal ahahah) e a garganta por conta da do tubo para respirar durante a cirurgia (1 dia e meio).

Dor local ainda sinto em um ponto, mas só se eu apertar (6ª feira fará 3 semanas que eu operei), mas já pego as meninas no colo. O médico disse que eu saberia meu limite, baseado em dor mesmo.

5 dias sem dirigir e pelo menos 2 semanas sem pegar as meninas no colo. 3 semanas sem exercício físico. Duro MESMO foi a restrição alimentar: nada de salada, legumes sem ser papinha, queijos, gordura, leite… HELP

Teoricamente seria 1 mês sem nada disso, mas quando deu 2 semanas fui testando uma coisa ou outra.  Já comi salada, gordura, tomei vinho, leite, comi queijo (fondue, inclusive) e não tive NADA. Porém, cada um é de um jeito. E O MAIS IMPORTANTE É PERGUNTAR PARA O SEU MÉDICO COMO PROCEDER QUANTO A ALIMENTAÇÃO E POR QUANTO TEMPO. Sempre o médico.

Os “sem-vesícula” – coisas que me disseram

O que mais me preocupava era a questão da alimentação pós cirurgia. Amo comer e não sabia como meu organismo reagiria sem a vesícula. De novo: cada corpo é um corpo.

Muitos disseram “não vai sentir a menor falta”, outros “sua vida vai ficar melhor sem ela” e alguns disseram que para sempre eu teria diarreia hahahaha Mas, no geral, ninguém reclamou de uma vida sem vesícula.

Sinceramente, com todos os “testes” alimentares que fiz nesses dias (de leite à pimenta e álcool), nada me deu diarreia. Ou seja, acho que não deve mudar nada na minha alimentação.

Quanto a ter uma vida melhor sem ela, eu também não sei. Até porque ela não doía ou incomodada. Só estava mesmo parando de funcionar (apenas hahaha), então não tenho como me sentir melhor sobre algo que não me afetou de forma dolorosa.

 O MAIS IMPORTANTE

Não deixem de fazer exames de rotina, por favor. Pode ser uma vesícula, a tireóide, algo preventivo em casos de câncer e etc. Aliás, não deixem para Outubro para fazer exames de mama.

A prevenção é SEMPRE o melhor remédio <3

Beijos!!

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  • Cibele Andrade

    Excelente matéria Mari! Eu tbém descobri hemangioma no fígado e cálculo renal em exames de rotinas tbém pedidos pelo ginecologista. Se não fosse pelos exames eu nunca descobriria ou iria descobrir qdo a dor viesse.
    Bjos.